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Friday, June 5, 2020
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Depois de Fukushima: EUA adotam novas medidas para evitar desastres nas usinas nucleares

David Lochbaum, um ex-engenheiro nuclear, diretor do Programa de Segurança Nuclear da Union of Concerned Scientists, e um dos autores…

By Redação , in Mundo The São Paulo Times , at 18/02/2014

David Lochbaum, um ex-engenheiro nuclear, diretor do Programa de Segurança Nuclear da Union of Concerned Scientists, e um dos autores do livro “Fukushima: The Story of a Nuclear Disaster (Fukushima: A história de um desastre nuclear), acha que seja mais do que possível. Os preparativos de segurança na fábrica antes do acidente, segundo ele, não eram tão diferentes das precauções tomadas nas fábricas norte-americanas.

“Não é que o Japão estivesse fora dos padrões do resto do mundo, ou que os órgãos reguladores japoneses fossem incapazes”, diz Lochbaum. “Eles estão em pé de igualdade com todos os outros”.

As instituições reguladoras dos EUA informaram os operadores sobre a possibilidade de desastres como o de Fukushima já ocorrerem nos EUA há anos.

Um dos cenários mais prováveis ​​que poderiam causar um colapso é uma inundação. Os reatores nucleares requerem uma grande quantidade de água para elevar o seu calor, por isso eles geralmente são construídos ao lado de oceanos, lagos ou rios. As usinas perto de lagos e rios normalmente são localizadas próximas à barragem. Nesse caso, se uma represa estoura, a usina pode ser inundada e perder o poder, à semelhança do que aconteceu em Fukushima, quando o Tsunami a atingiu. Em 2009, a equipe de Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos identificou 35 reatores nos EUA – de 100 atualmente em operação -, que são vulneráveis ​​às falhas na barragem, de acordo com Lochbaum.

Em junho de 2010, antes dos três reatores de Fukushima derreteram, a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos (NRC, sigla em inglês) emitiu uma carta à empresa Duke Energy, proprietária e operadora da Estação Nuclear Oconee, perto de Seneca, na Carolina do Sul. A carta, inicialmente não divulgada ao público, mas descoberta por um repórter do The Cascadia Times, em Oregon, por meio de uma lei de Liberdade de Solicitação de Informações – a qual enumera várias ações que Duke Energy deve realizar para reduzir o risco de danos causados ​​pelas inundações.

Essa carta veio depois que analistas de risco do NRC concluíram que a falha da Jocassee Dam teve uma chance de 100 por cento de provocar o derretimento de três reatores de Oconee, de acordo com Lochbaum. Qual é o principal motivo para a preocupação? A inundação das paredes da usina chegou a um metro e meio de altura. Estimou-se que as águas da inundação causada por uma ruptura da barragem atingiriam 4 metros de altura. O paredão de Fukushima também foi facilmente violado por uma onda de Tsunami de 15 metros.

“Em outras palavras, tanto Oconee quanto Fukushima estavam protegidas por paredes que funcionaram muito bem, a menos que houvesse uma inundação”, diz Lochbaum.

Outro risco para as usinas nucleares dos EUA é o fogo. Como as inundações, as chamas podem desativar sistemas de segurança.

“Em Fukushima, os trabalhadores tinham, literalmente, dezenas de bombas que poderiam injetar água no vaso do reator”, explica Lochbaum. “Mas a inundação desativou todas as formas de energia elétrica de maneira que todas essas bombas ficaram inoperantes. O Fogo pode causar essa mesma consequência”.

Na verdade, uma usina nos EUA, esteve próxima de um colapso resultante de incêndios em 1975. Um trabalhador da usina nuclear de Browns Ferry, no Alabama, causou acidentalmente um incêndio durante a utilização de uma vela para verificar se havia vazamentos de ar em uma sala que ficava logo abaixo da sala de controle de dois reatores. O incêndio durou quase sete horas e danificou os cabos elétricos da sala, de tal forma que todos os sistemas de refrigeração de emergência de um reator se desligaram, junto com a maioria dos sistemas de emergência do outro reator.

Então, o que tem sido feito pós-Fukushima? O NRC emitiu recomendações e pedidos de atualizações logo após o acidente para tentar aplicar as lições do incidente nas usinas domésticas. Até dezembro de 2016, os proprietários de usinas nucleares dos EUA devem fazer várias melhorias para ajudar a proteger contra apagões prolongados, a fim de que sejam capazes de manter o combustível nuclear gasto resfriado e evitem colapsos. Os proprietários de usinas foram obrigados a investir em mais equipamentos de energia portátil em locais próximos, melhorar os instrumentos que medem os níveis de água dentro de piscinas de combustível, além de expandir as proteções após o 11 de setembro contra ataques terroristas de reatores individuais para vários reatores.

“Não há nenhuma maneira totalmente boa ou totalmente ruim para gerar eletricidade”, diz Lochbaum. “A nuclear tem algumas vantagens: nós reconhecemos que ela é melhor do que o combustível fóssil em termos de aquecimento global. A chave é extrair o maior número de benefícios que a tecnologia pode nos fornecer. Ao mesmo tempo, conseguimos minimizar as chances de acontecimentos ruins”.

©IBTimes, 2014.

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