fbpx
Friday, July 3, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


Melhor ficar atento com os ataques de asteroides

Em 1990, um cientista da NASA chamado David Morrison quis saber suas chances de ser morto por um asteroide. Parecia…

By Redação , in News & Trends , at 10/11/2014 Tags:

Em 1990, um cientista da NASA chamado David Morrison quis saber suas chances de ser morto por um asteroide.

Parecia um pouco paranoico. Afinal, ninguém havia sido morto dessa maneira, e só havia um caso documentado de lesão por meteorito. Em 1954, uma mulher do Alabama estava sentada na sala, quando um asteroide colidiu com o teto, ricocheteou no rádio e machucou sua perna.

asteroide

Mas só porque não havia acontecido antes, não quer dizer que era impossível. Quando Morrison e um colega colheram os números, considerando tanto as chances de uma colisão de asteroides e os danos potenciais, os resultados foram perturbadores. Embora pareça contraditório, em um período de 50 anos, as rochas espaciais têm cerca de três vezes mais probabilidade de causar a morte de alguém do um acidente de avião e oito vezes mais provável do que um tornado.

Por quê? Porque mesmo que os tornados ocorram com bastante regularidade, eles matam menos de 100 pessoas a cada ano. Mas, se um asteroide do tamanho de um prédio de 40 andares caísse na cidade de Nova Iorque – uma improvável, mas não impossível ocorrência – duas coisas aconteceriam. Todo mundo enxergaria um clarão ofuscante e, segundos mais tarde, milhões de pessoas estariam mortas.

Recentemente, a legitimidade dessa ameaça ganhou predominância, embora as pessoas rejeitassem os resultados de Morrison no início. Mas agora, por outro lado, até mesmo os membros do Congresso perguntam a NASA se nós estamos preparados para tal acontecimento. Em uma audiência em março, o Congresso interrogou o administrador da Nasa, Charles Frank Bolden Jr., e outros dois oficias sobre as “ameaças do espaço”. O representante Bill Posey perguntou: “o que faríamos” se uma grande rocha colidisse com a cidade de Nova Iorque em três semanas? Os oficiais se olharam e não disseram nada. Iríamos “nos ajoelhar e depois?”, disse Posey.

Depois de uma pausa, Bolden assegurou que casos assim “são eventos muito raros” e que a NASA não tem conhecimento de quaisquer pedras grandes vindo em nossa direção, mas “se estiverem a caminho em três semanas, orem.” Ninguém riu.

Pode parecer extraordinário que os astrônomos sejam tão mistificados, especialmente considerando o quanto eles sabem sobre asteroides: pedaços de gelo e de metal à deriva em torno do sol, que são de todas as formas e tamanhos e a maioria se agrupa em uma órbita entre Marte e Júpiter, chamada cinturão de asteroides. Entretanto, os asteroides não estão confinados a esse cinturão – milhões deles estão girando em órbitas que se sobrepõem – os quais os cientistas as chamam de “asteroides próximos da Terra”, e os nossos caminhos se cruzam. Os menores frequentemente incendeiam as inofensivas estrelas cadentes. Os maiores são os que pensamos ter causado as extinções em massa.

Assim é como os ignorantes e até mesmo os melhores cientistas do mundo são: dos milhões de asteroides que poderiam acabar com uma cidade, os astrônomos descobriram menos de um por cento, diz Morrison, um cientista sênior da NASA, agora aos 73 anos. “Alguns desses são tão escuros quanto um pedaço de carvão”, disse à Newsweek. Os telescópios no solo não podem captá-los. Esses “assassinos de cidades” tendem a atingir o solo cerca de uma vez por século.

Esse último aconteceu em 1908, quando um asteroide atravessou a atmosfera e explodiu várias milhas acima de uma parte remota da Sibéria. Estimativas sugerem que o diâmetro do asteroide tinha mais de 200 metros, mas conseguir atingir uma área de floresta maior que Los Angeles e Chicago juntas. Em comparação, o meteorito que caiu perto de Cancun e que, provavelmente, matou os dinossauros foi tinha seis quilômetros de largura.

A partir de 1990 a NASA começou a procurar asteroides próximos da Terra. O primeiro programa começou para valer em 1994, quando fragmentos de cometas muitos distantes de Júpiter colidiram esse planeta. A colisão criou uma bola de fogo de cinco quilômetros que era mais quente do que do sol. Esse foi o primeiro grande impacto já observado pelo homem e que chamou a atenção do Congresso.

Em 15 de fevereiro de 2013 o maior asteroide a atingir a Terra, desde 1908, ocorreu sobre a cidade industrial Chelyabinsk, na Rússia, cerca de 150 quilômetros da fronteira com o Afeganistão. Uma rocha de 18 metros voou através da atmosfera e o calor do atrito criado no processo explodiu como uma bomba nuclear. Uma bola de fogo enorme e uma posterior onda de choque balançaram os edifícios e feriu mais de mil pessoas. Ninguém o viu chegando.

Quanto à sobrevivência de nossa espécie, não precisamos nos preocupar com nada que possa acontecer em breve. Dos mil asteroides próximos a Terra, grandes o suficiente para destruírem a civilização, 90 por cento foram descobertos. Os impactos com essas rochas enormes são extremamente raros e nenhum representam uma ameaça no futuro que podemos prever.

Vários esforços internacionais para desviar um asteroide estão em andamento. As Nações Unidas estabeleceram planos em outubro de 2013 para que haja uma rede de alerta internacional sobre possíveis ataques de asteroides. Uma espécie de plano de defesa planetária. Os cientistas estão confiantes de que, se um asteroide – ou, menos provável, um cometa – vierem em nossa direção, eles poderiam desviá-lo com uma bomba ou com um trator de gravidade, uma nave espacial de massa suficiente para puxar um asteroide ligeiramente em direção a ela. Com vários anos de aviso, um desvio minúsculo poderia balançá-lo a milhares de quilômetros fora do curso.

Mas, sem esse tempo de alerta, a evacuação seria a única opção. Em 2003, Clark Chapman, do Southwest Research Institute, publicou um artigo chamado “How a Near-Earth Object Impact Might Affect Society”, no qual mostra que a probabilidade de rochas de tamanhos diferentes atingirem a Terra neste século é de uma em um milhão para um asteroide de 10 quilômetros e 40 por cento para um asteroide de 30 metros.

“Nós apenas sentimos que tínhamos que fazê-lo nós mesmos, porque ninguém mais está fazendo isso”, diz Ed Lu, diretor executivo da Fundação B612, uma organização liderada por astronautas aposentados dedicados a salvar o planeta. O plano é lançar um satélite telescópico, chamado Sentinel, que vai encontrar asteroides mais rapidamente do que a NASA consegue. A NEOCam poderia, através de seu telescópio infravermelho, revelar objetos escuros, e seu ponto de alcance não seria ofuscado pela atmosfera. O projeto vai custar cerca de 400 milhões de dólares – preço razoável se considerarmos que a NASA recebeu cerca de 16,9 bilhões de dólares em financiamento no ano de 2013.

Após o seu lançamento previsto para 2018, Lu diz que sua equipe irá mapear, pelo menos, 100 mil asteroides por ano, incluindo as poucas centenas que podem destruir civilizações ainda desconhecidos. “O Sentinela encontrará algo que vai atingir a Terra”, completa Lu. Morrison, o cientista da NASA, chama o Sentinela de “a resposta”.

Até então, como Bolden diz: “As coisas têm acontecido. Vocês precisam orar”.

© 2014, Newsweek.

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *