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Eleições no Afeganistão e o futuro do país

As eleições presidenciais afegãs em abril de 2014 é uma das decisões políticas mais importantes do Afeganistão desde a derrubada…

By Redação , in Mundo Política The São Paulo Times , at 21/02/2014 Tags:,

As eleições presidenciais afegãs em abril de 2014 é uma das decisões políticas mais importantes do Afeganistão desde a derrubada do Talibã, há 12 anos. Muitos especialistas duvidam que um país atormentado por extensa corrupção política, problemas na segurança e pelo comércio de ópio prosperará, especialmente após as falhas dos dois últimos processos eleitorais.

A eleição significa muito mais para o Afeganistão do que simplesmente uma escolha de um novo presidente. Significa, sobretudo, que o país pode ter a primeira transferência pacífica e democrática do poder em sua história moderna, no ano em que a Força Internacional de Assistência à Segurança do Afeganistão (ISAF) liderada pelos Estados Unidos, sairá do território.

O atual presidente, Hamid Karzai, foi nomeado pela primeira vez por uma assembleia nacional em 2001 como líder interino e, em seguida, ganhou duas eleições. De acordo com a Constituição do Afeganistão, ele está impedido de concorrer a um terceiro mandato.

“A eleição presidencial deste ano pode proporcionar uma oportunidade fundamental para a renovação da legitimidade. Um impulso na confiança e um começo para corrigir a governança ineficaz e corrupta que caracteriza o Afeganistão”, diz Vanda Felbab -Brown, pesquisadora sênior do programa de política internacional do Brookings Intitutions.

Um segundo turno subsequente foi cancelado como o adversário de Karzai, Abdullah Abdullah (o pioneiro na eleição deste ano), retirou sua candidatura, pois disse que resultaria em uma fraude generalizada, de acordo com Brown.

A presidência de Karzai também é marcada por vários escândalos de corrupção, uma das quais incluem seu meio-irmão Ahmed Wali Karzai, suspeito de tráfico de heroína, de acordo com as autoridades norte-americanas. Ahmed negou as acusações.

Um estudo feito em 2012 revelou que a população afegã considerava a corrupção, a insegurança e o desemprego como os principais desafios

Outro desafio que o Afeganistão enfrenta é o crescente comércio da papoula do ópio, que atingiu um recorde em 2013, quando uma pesquisa revelou que o cultivo da substância ocupa 209 mil hectares. O ópio é considerado a fonte de rendimento mais importante e sustenta muitas famílias nas áreas rurais. Hoje ele representa cerca de quatro por cento do PIB do Afeganistão. Mas também alimenta conflitos e enfraquece a governança, proporcionando renda aos rebeldes.

A eleição e o processo de transferência de poder são vistos como indicadores de um futuro bem-sucedido do Afeganistão, depois da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Mas a retirada da Força Internacional de Assistência pode deixar um vácuo econômico, político e de segurança, fazendo com que o Afeganistão corra o risco de se tornar um Estado falido. Após a saída das tropas, a economia do país pode cair em 10 por cento, de acordo com o Banco Mundial.

A economia do Afeganistão depende em grande parte da ajuda internacional, bem como a presença das forças de coalizão no país, o que gera demanda por bens e serviços.

De 2010 para 2011, a assistência civil e de segurança representava o equivalente a 98 por cento do PIB do Afeganistão. Após a transição presidencial, o Afeganistão terá que contar ainda mais com a geração de receitas internas para satisfazer as necessidades orçamentais.

A questão agora é: quem vai conduzir o Afeganistão a um futuro incerto? As eleições deste ano contarão com 11 candidatos – desde tecnocratas educados no Ocidente até ex-comandantes militares com histórias sangrentas.

© 2014, IBTimes

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