fbpx
Tuesday, August 11, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


Empresários cubanos querem voltar a investir em seu país

Alfonso Fanjul nunca superou sua saída de Cuba. Sua família, proprietária de uma grande empresa de açúcar na ilha, saiu…

By Redação , in Mundo Negócios , at 10/02/2014

Alfonso Fanjul nunca superou sua saída de Cuba. Sua família, proprietária de uma grande empresa de açúcar na ilha, saiu em 1960, quando o regime comunista liderado por Fidel Castro começou a confiscar todas as propriedades. Os Fanjuls se estabeleceram na Flórida, compraram vários campos de cana-de-açúcar e ergueram um império: a empresa Domino Sugar e suas refinarias em todo os EUA, as quais existem até hoje. Ele também se tornou um dos principais opositores de Castro entre os exilados cubanos nos EUA.

Mas, à luz das recentes mudanças na ilha, Fanjul começou a pensar seriamente em trazer seus negócios para o seu país de origem. O empresário visitou Cuba várias vezes nos últimos meses e conversou com autoridades cubanas.

“Eu adoraria voltar para Cuba se houver uma maneira de fazê-lo”, disse Fanjul.

Essa mudança de atitude tem surpreendido a comunidade cubano-americana da Flórida, que durante décadas teve um firme posicionamento sobre a política dos EUA em relação a Cuba. As viagens de Fanjul para Cuba o colocaram na primeira fila de investidores cujos interesses econômicos na ilha pretendem reparar os mais de 50 anos de hostilidade. Fanjul disse que sua intenção é “reunir a família cubana”. “A família Fanjul viveu em Cuba por 150 anos e eu gostaria de vê-la voltar para lá”, diz o empresário.

A família Fanjul, de origem espanhola e norte-americana, estabeleceu-se em Cuba, no século 19, e construiu o império do açúcar, que mais tarde foi confiscado por Castro. O patrimônio inclui usinas de açúcar, refinarias, destilarias e quantidades significativas de imóveis. Após se mudarem para os EUA, o pai de Fanjul, Alfonso Fanjul, comprou 4.000 hectares, juntamente com algumas usinas de açúcar em Louisiana e começou tudo de novo.

Fanjul Jr., conhecido como Alfy, tornou-se CEO da Fanjul Corporation. Em meados da década de 1960, seus irmãos Pepe, Alexandre e Andrés se juntaram nas duas décadas seguintes. A partir de 2008, a empresa possuía 155 mil hectares no condado de Palm Beach, na Flórida, onde os Fanjuls vivem.

Os Fanjuls são uma família bem conhecida na Flórida, tanto pelos seus negócios com por suas lealdades políticas. Alfonso Fanjul foi quem contribuiu significativamente para as campanhas presidenciais de Ronald Reagan na década de 1980. Alfy Fanjul manteve um perfil menos ativo na política, mas foi o co-presidente da campanha de Bill Clinton em 1992. Alfy Fanjul ainda foi mencionado no escândalo que envolveu Monica Lewinsky, quando o estagiário testemunhou que o presidente recebeu um telefonema de Fanjul durante um de seus encontros privados.

Fanjul ainda mantém uma relação estreita tanto com Bill quanto Hillary Clinton e teve reuniões com ambos após suas viagens a Cuba.

A dimensão da influência da família Fanjul na política americana foi tangível na semana passada, quando a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei o qual reduziu os subsídios para vários produtos agrícolas – mas que não incluía o açúcar.

As visitas de Fanjul a Cuba ocorreram em abril de 2012 e fevereiro de 2013, com uma delegação organizada pelo Brookings Institution. Durante a sua estada em Havana, ele visitou a antiga casa da família, hoje um museu, e se reuniu com o ministro das Relações Exteriores e com o ministro da Agricultura.

Sobre as mudanças políticas de Cuba, Fanjul mantém uma posição ambivalente. Ele evita tomar uma posição sobre se o embargo dos EUA deve acabar enquanto o regime de Fidel Castro permanece, mas tem a opinião que o investimento em Cuba não pode acontecer nas condições atuais.

“Nós não podemos investir em Cuba ainda. Como podemos se não temos autorização legal?”, declara Fanjul.

Fanjul acrescentou que o governo cubano deve apoiar o investimento estrangeiro, criando um ambiente mais amigável para as empresas internacionais. “Cuba deve garantir a rentabilidade do investimento ea segurança dos empreendimentos”, comenta.

Aos 76 anos de idade, Fanjul tem surgido como uma voz para os exilados cubanos que gostariam de ver um reinício das relações dos EUA com a ilha. Os cubanos nascidos na América, especialmente as gerações mais jovens, estão mostrando novas tendências diferentemente dos pais e avós conservadores.

Com o início dos rumores da campanha presidencial de 2016, os políticos que há muito defendiam o embargo talvez precisem rever suas posições e apoiar a mudança da população cubana na Flórida. Hillary Clinton, a democrata favorita, já tem se pronunciado a favor de uma abertura para as relações cubano-americanas, embora não concorde em acabar com todas as sanções.

A questão é ainda mais delicada para os republicanos, particularmente para o senador Marco Rubio, da Flórida, considerado um candidato republicano de primeira linha. Rubio criticou repetidamente o relaxamento das sanções do presidente Barack Obama, dizendo que o atual governo “permite o enriquecimento de um regime cubano que rotineiramente viola os direitos humanos básicos e a dignidade de seu povo”.

 © IBTimes, 2014

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *