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Escassez de cérebros para estudos pode atrasar a neurociência

Lea Shmoldas perdeu a capacidade de pintar, malhar, escrever ou até mesmo controlar suas funções corporais. Antes de morrer, Lea…

By Redação , in News & Trends Tecnologia e Ciência , at 02/09/2014 Tags:

Lea Shmoldas perdeu a capacidade de pintar, malhar, escrever ou até mesmo controlar suas funções corporais. Antes de morrer, Lea tomou sua decisão final: iria doar seu cérebro para a ciência.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Não existe cura para a atrofia de múltiplos sistemas, uma doença com sintomas semelhantes aos de Parkinson. É extremamente rara, pois afeta cerca de quatro em cada 100 mil pessoas, de acordo com um relatório na revista Brain. Também não há nenhuma causa clara.

Seu marido, John, garantiu que Lea tinha feito a escolha certa, uma vez que seu cérebro poderia ajudar a resolver esses mistérios. “Se eles podem ajudar a evitar as circunstâncias que nos encontramos, então é a coisa certa a fazer”, disse Jhon.

Aos 65 anos, Lea já não conseguia engolir o iogurte que continha os comprimidos, mesmo em pequenas partes. Ela lutou para respirar – nos minutos finais de sua vida – e quando deitou-se na cama, John chamou seus dois filhos. Ela não tinha muito tempo, Jhon disse a eles. Logo após a meia-noite, John acordou para virar o corpo de Lea para o outro lado. Com um toque, ele já sabia.

Em poucas horas, o serviço de coleta de autópsia do Laboratório de Neuropatologia na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, chegou para pegar o corpo de Lea.

“É lamentável a pequena quantidade de cérebros que temos para estudar as doenças do desenvolvimento neurológico, como o autismo e outros raros distúrbios como a síndrome de DiGeorge”, disse Thomas R. Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, que recentemente lançou o NeuroBioBank Humano para aumentar a coleta de tecido cerebral.

A taxa de autópsias físicas nos EUA caiu mais de 50 por cento nas últimas quatro décadas para cerca de 5 por cento, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Os hospitais eram obrigados a cumprir uma taxa de autópsia de 20 por cento, mas agora a maioria dos corpos não é estudada, a menos que os corpos sejam alvo de investigações ou se o paciente explicitamente solicitou.

Muitos pacientes pensam que a ressonância magnética e a tomografia computadorizada podem revelar aos médicos o suficiente sobre o corpo e o cérebro. Além disso, com os exames de neuroimagem e da crescente popularidade das “autópsias virtuais”, os cientistas podem evitar cortes de partes do corpo para o bem do paciente e da família.

Mas alguns estudos têm demonstrado que a tomografia computadorizada e a ressonância magnética não captam – através do scanner – causas comuns de morte súbita, que são facilmente identificáveis ​​em autópsias normais.

Segundo Thomas Insel, os bancos físicos de cérebros serão fundamentais para o Obama´s BRAIN Initiative, do presidente Barack Obama, um projeto nacional lançado em 2013, reunindo os principais pesquisadores que procuram entender a ligação do cérebro e como ele dá origem ao comportamento humano.

O projeto é em grande parte focado em neurotecnologias mas também envolve trabalhar com o tecido humano, segundo Thomas Insel.

Em março deste ano, o presidente propôs duplicar os fundos federais para a iniciativa BRAIN, de 100 milhões de dólares para 200 milhões de dólares. O impulso federal para destravar o que Obama chamou de “o mistério por trás dos 3 quilos de matéria que fica entre nossas orelhas” vem em um momento crucial para os pesquisadores.

Os EUA estão enfrentando uma escassez crítica de patologistas forenses, empregando metade dos mil profissionais – que seriam necessários -, de acordo com um relatório de 2012 do Grupo Médico de Trabalho Científico de Investigação de Morte. O salário é baixo e o trabalho pode ter uma grande carga emocional.

Resta um estigma associado a doar seu cérebro para a ciência, por ser um assunto muito difícil de se lidar, especialmente se a morte é inesperada, os membros da família realmente não querem que as pessoas estudem o corpo de um ente querido.

Em um artigo recente da revista Science, os pesquisadores do Instituto Salk e da Universidade de Virginia relataram que tinham estudado o DNA retirado de células do cérebro e descobriram que muitos neurônios tinham mutações.

Antes desta descoberta, os cientistas acreditavam que todas as células de um único cérebro compartilhavam o mesmo DNA. Poderiam estas mutações serem responsáveis por diferenças de personalidade? Poderia ser este o motivo pelo qual algumas pessoas são mentalmente talentosas e outras são doentes mentais? O estudo, segundo Thomas Insel: “nos lembra a todo tempo que não há materiais substitutos para o estudo do cérebro”.

© 2014, Newsweek.

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