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Especialistas analisam como tirar o Brasil da crise

O cenário brasileiro não é dos melhores. Segundo os especialistas, vivenciamos uma crise que afeta diversos setores da sociedade civil….

By Redação , in Brasil News & Trends , at 29/09/2015

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O cenário brasileiro não é dos melhores. Segundo os especialistas, vivenciamos uma crise que afeta diversos setores da sociedade civil. Mas será que existe solução? Como tirar o Brasil da crise?

Para abordar diferentes assuntos sobre o tema falamos com diversos especialistas:

Inovação

A inovação vai tirar o Brasil da crise

Durante as crises e recessões, como a que passamos no momento, os cenários são caracterizados por grandes incertezas sobre a direção das mudanças tecnológicas, condições de demanda e novas oportunidades de mercado. Como resultado, a vontade das empresas de arriscar com investimentos em inovação se reduz drasticamente.

Porém, ao mesmo tempo, uma crise econômica gera um verdadeiro terremoto em setores estabelecidos com a emergência de novas empresas em novos setores,desempenhando um papel relativamente maior do que as empresas tradicionais, promovendo uma “Destruição Criativa” em que novos produtos destroem empresas velhas e antigos modelos de negócios; como Joseph A. Schumpeter sugeriu no seu tempo: “não serão os cocheiros que construirão ferrovias”. Já as empresas estabelecidas, se forem dinâmicas, percebem que não sobreviverão sem alterar seus produtos e serviços, investindo na geração e atualização de novos conhecimentos, independentemente do ciclo de negócios e promovendo o que é chamado de “Inovação Cumulativa”.

Ou seja, o resultado prático que deverá ser observado nos próximos tempos no Brasil será positivo. O que mudará será o tipo de inovação que beneficiará a Sociedade. Novas empresas estarão ansiosas para explorar novas oportunidades tecnológicas, também como uma forma de desafiar as empresas estabelecidas que, por seu turno, realizarão inovações ao longo de trajetórias tecnológicas conservadoras e investirão, até para evitar o sucesso de novos empreendedores entrantes. O pessimismo e a inação não serão opções competitivas nessa hora.

Por Arão Sapiro, possui mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas – SP (2002). É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Empreendedorismo

Crise no Brasil: oportunidade para empreendedores de visão

Os empreendedores brasileiros enfrentam obstáculos todos os dias, lutando para pagar os altíssimos impostos, a inflação de custos, a folha de pagamento. E ainda lidam com complicações inesperadas, reclamações de clientes, a entrega que atrasou, o novo concorrente. Em suma, ser empreendedor é também saber navegar em mares revoltos, mas alguns se destacam como tendo um talento particular para lidar com os “tempos difíceis”.  São esses que conseguem transformar o que parece ser um fluxo interminável de dificuldades em vantagem. Eles emergem de obstáculos como uma crise de falta de demanda ainda mais fortes, com soluções inovadoras. Enquanto alguns desanimam e desinvestem, vendem ou fecham seus negócios no momento da crise, outros se reorganizam com medidas como redução de custos e busca por maior eficiência operacional. Enquanto observam os bons negócios que surgem, com visão de longo prazo, buscam oportunidades de ocupar o espaço deixado pelos pessimistas e, eventualmente, garimpar negócios bons e baratos que aparecem nos momentos de crise.  Como disse Nizan Guanaes: “Enquanto eles choram eu vendo lenços”.

Por Alexandre Nabil Ghobril, Doutor em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2007). Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico da Universidade Mackenzie. É pesquisador das áreas de empreendedorismo, inovação, startups de alto impacto e cooperação universidade-empresa.

Sociedade

Quando novos e antigos personagens entram em cena: a crise política brasileira

A história não é estática e tão pouco sólida, entre permanências e transformações segue em movimento constante pelas ações sociais.  Tanto indivíduos como Estados se aperfeiçoam e incorporam valores éticos e morais construídos em sua trajetória. Sustento que as Nações, quanto mais garantam o direito dos seus cidadãos, regidos por uma Constituição, e conhecem a sua história, caminham no sentido do aprimoramento e civilidade. É dentro dessa perspectiva que em tempos de volatilidade política, ou crise, necessitamos defender o Estado de Direito, a liberdade de expressão e comunicação. Um país com sérios problemas com relação à escrita da sua própria história, repleto de interferências enraizadas positivistas, que interpretou o Brasil sob os olhares eurocêntricos em seus manuais de ensino, ainda trata com dificuldade a sua memória e a política.

Entre ações e reações até 1930, o poder sob o direcionamento de uma oligarquia rígida dificultaram a passagem para a sociedade civil. Política, a coisa pública, o mundo público se impunha dentro das relações de poder, confundindo esfera pública e esfera privada. O personalismo português, presente na cultura brasileira, expresso na figura das lideranças políticas emaranhavam, diluíam e desmanchavam as pretensas propostas e alianças dos partidos políticos nas mentes da população. Sem entender sobre e sem saber o que fazer a maioria dos brasileiros assistiram perplexos arrancarem dos bastidores vices presidentes para entrarem sem cena em meio a crises, golpes, contragolpes e falecimentos. Não foram poucos e percorrem a nossa história, desde Floriano Peixoto, Nilo Peçanha, Delfim Moreira, Café Filho, João Goulat, José Sarney e Itamar Franco. O espírito crítico, que esteve fora de moda e proibido, durante o período denominado de Ditadura Militar, desde o início da última década renasceu, em meio às manifestações, repletas de organizações tradicionais e novas nas redes sociais. Carregado de energia, protestos afloraram não só problemas pontuais da vida cotidiana como também suspenderam o véu que encobria as relações de poder, alianças, acordos e questões complexas dentro e fora dos partidos políticos. Desequilibraram com certeza o jogo de poder e atingiram o nervo crítico da política do país.

A história, em 2015 se repete, não sabemos ainda se como farça ou tragédia. Novamente segundos podem se tornar primeiros. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) talvez saia dos bastidores e se coloque na trama central no lugar da presidente Dilma Rousseff (PT). Antítese ao Partido dos Trabalhadores, o personagem Temer tenta construir imagem de apaziguador constitucionalista. Presidente do PMDB, uniu interesses díspares regionais e sub-regionais do seu partido. Importante apoio à Dilma,amansou leões e sem querer se mostrar, se posicionou em meio à crise moral, política e econômica que assola o governo. A crise que sangra o país engloba múltiplos sistemas e atores, não é só do partido da presidente e sua base de apoio. Apresenta fatores contraditórios – por um lado, a questão da legitimidade adquirida pelo voto e a falta de provas cabais para levar à um impeachment e, por outro, o crescente discurso sobre a necessidade de socorro à ética e à economia. Dois lados que se espetacularizam na mídia e redes sociais. Estamos assistindo mais uma vez a um grande espetáculo, e na incerteza do seu roteiro, a única certeza é que a história brasileira sempre apresenta vices presidentes que entram em cena de improviso e assumem a direção.

Por Rosana Schwartz, Doutora em História, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP (2007). Socióloga e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Relações Internacionais

Solução da crise brasileira: a opção das relações internacionais

A crise que se desenrola no Brasil, com componentes políticos, econômicos e possivelmente sociais, realística e praticamente falando, não possui características de solução simples e nem tão pouco imediata.

Para uma parte da opinião pública brasileira, a opção por solução através das relações internacionais seria uma alternativa para solucionar a já citada crise. Essa opção se caracterizaria por uma expansão das nossas exportações para os mercados mais desenvolvidos, com maior e melhor aproveitamento do diversificado parque industrial nacional, com maior geração de empregos ou até equilibrando o nível de emprego (evitando-se assim o desemprego estrutural), com a manutenção do poder aquisitivo da população, com o equilíbrio do sistema de preços e com outros itens que compõem um nível de bem estar social satisfatório.

Entretanto, face à política externa implementada pelos governantes brasileiros nos últimos doze anos, essa opção se mostra inviável e com alto grau de inexequibilidade. Isso se deve à adoção da estratégia de maior integração aos países menos desenvolvidos e, consequentemente, um afastamento dos mais desenvolvidos.

Enquanto a economia mundial se comportou com um nível de crescimento permanente, essa estratégia trouxe alguma vantagem pela possibilidade de acesso dos nossos produtos a novos mercados. Se a economia mundial tivesse mantido esse crescimento de forma continuada, provavelmente esse direcionamento trouxesse novas opções mercadológicas e que permitiriam um maior grau de independência dos mercados mais tradicionais.

Ocorre que esse comportamento constante não é possível em função das múltiplas situações pelas quais a economia mundial transita, e, ainda mais importante, com a economia globalizada sob variações às mais distintas (inovação tecnológica, fluxos de investimentos regidos pelo grau de risco do país destinatário, elevada produtividade).

Dessa forma, houve um grande equívoco na condução das relações internacionais do Brasil ao não se prever ou se cogitar que o quadro da economia mundial, tão favorável, se modificaria a qualquer momento, de forma rápida e sem aviso prévio. Os resultados desfavoráveis surgiram em ritmo intenso e a revisão dessa orientação política e econômica não ocorre da mesma forma e, se ocorrer, os resultados tendem a continuar da mesma forma, pois a credibilidade não se reconquista no curto prazo.

Lamentavelmente, as relações internacionais não se apresentam, neste momento, como a opção para a reversão da crise brasileira na forma e no prazo necessários.

Por Francisco Américo Cassano, Doutor em Ciências Sociais, concentração em Relações Internacionais, professor e pesquisador do tema Relações e Negócios Internacionais na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Política

Tirar o Brasil da crise

O cenário brasileiro que se apresenta – seja para o cidadão ou para os analistas – é de crise. Poucos duvidam disso. A crise política traz, em seu bojo, toques de angústia e incertezas. Como tirar o Brasil da crise política? Ora, com Política, com P maiúsculo. O momento em voga não é de desprezar a Política, ao contrário: ele reclama por Política. Falta-nos, infelizmente, na figura da Presidente Dilma Rousseff o exercício da liderança. Tem sido, nestes nove meses de mandato, incapaz de exercer a liderança política, de dialogar, de construir consensos. A Presidente Dilma tem agido como chefe, que necessita do cargo para mandar; diferente de um líder que comanda, aponta caminhos. Em recente discurso, via redes sociais, a Presidente colocou no condicional a possibilidade de que seu governo tenha errado e “se” errou, deve-se superar o erro. Engano. Errou, sim. Sobretudo, ao desvirtuar o marketing político transformando-o em fábrica de fantasias eleitorais. Uma possibilidade para fazer Política: leituras – de Maquiavel em O Príncipe e de Fernando Henrique Cardoso em A arte da política – a história que vivi. Penso que o autor florentino e o sociólogo-presidente sejam melhores conselheiros que os atuais.

Por Rodrigo Augusto Prando, Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia. Professor e pesquisador do Centro de Ciência Sociais e Aplicadas, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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