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Esperando a Erupção

Esperando a Erupção Ao longo dos anos em que venho me dedicando à atividade de Coach, e também por conta…

By admin , in Coluna , at 10/12/2014

Paulo

Esperando a Erupção

Ao longo dos anos em que venho me dedicando à atividade de Coach, e também por conta da temática do meu livro (despertar da consciência) tenho conhecido muitas histórias de vida que incluem mudanças profundas. Cada uma delas com particularidades únicas, mas elementos muito claros em comum. O primeiro deles talvez seja que, antecedendo uma mudança profunda, normalmente havia uma grande – e profunda – insatisfação com o modo de vida ou com as escolhas de carreira – e as conseqüências delas decorrentes. A maior parte dessas histórias pertencem a pessoas de alto nível cultural, normalmente provenientes de uma condição social privilegiada em termos de Brasil. A maior parte delas com nível universitário, muitas com várias graduações ou especializações. Vindas de famílias razoavelmente prósperas, senão abastadas; pais com nível superior. A maioria dessas pessoas nascidas depois de 1980.

Deveriam ser pessoas com uma razoável liberdade de escolha, ao menos em termos de carreira, ou das escolhas fundamentais para suas vidas, não? Pois é, não. Ao contrário do que poderia parecer natural, grande parte dessas histórias tem em comum um começo forçado: escolhas profissionais feitas por pressão dos pais ou vidas transformadas por fatores como uma paternidade ou maternidade acidentalmente precoce.

Chama muita atenção o fato de que jovens nos fins do século XX tenham sofrido tamanha interferência – e talvez mais ainda que a tenham aceito com tanta passividade. Seja como for, o fato é que essas pressões – e aceitações – no início da caminhada são um fator extremamente complicado porque, uma vez tomado um caminho, se a pessoa continua a andar por ele sem avaliar seriamente o rumo; vai encontrar-se, em alguns anos, numa condição que pode não ter nada a ver com o que ela sonhou para sua vida. E aí vem a crise. Começa com um leve comichão e a depressão do domingo à noite. Evolui para licenças médicas; antidepressivos; às vezes alcoolismo. Evolui para alguma forma de escape; de fuga. Muitas vezes autodestrutiva.

E quando vem esta “onda interna”, não há o que segure: cargo, salário, estabilidade ou “segurança”. Todas essas precárias “garantias” da vida estável; quando motivadas por pressões equivocadas, esfacelam-se perante a força demolidora de uma depressão severa; ou de outros sintomas exteriores de uma insatisfação interior incontrolável. Que muitas vezes “produz” no corpo uma doença ou uma situação incapacitante – para que o indivíduo possa fugir. Mas nesse caso o ponto mais difícil é que ele teria de fugir de si mesmo. Ou pelo menos, de parte de suas “escolhas”.

Então, a pergunta mais óbvia talvez seja: porque esperar? Porque cultivar um vulcão dentro de si, deixá-lo atingir a pressão máxima e demolir com uma erupção tudo que vinha sendo realizado? Por que não realizar o exercício interno, pessoal, de avaliação – a sério, profundamente – enquanto as coisas não atingiram ainda o ponto crítico? Tem sentido um comichão? Tem depressão de domingo à noite? Pare, respire. Aproveite o fim do ano, tire uns dias, reavalie.

Por todos os muitos casos e histórias que venho acompanhando nesses anos: é bem mais simples, e bem menos doloroso, quando o indivíduo se antecipa e busca um caminho de mudança antes que a grande onda da crise chegue à sua praia. Há inúmeras formas de realizar esta caminhada de conhecimento, formas de terapia, coaching, aconselhamento transpessoal. Há, atualmente, muitas formas de apoio disponíveis. Há hoje caminhos e profissionais bem mais numerosos atuando de modo efetivo; muitos mais do que há cerca de 6 anos. E porque eu digo seis anos? Porque há seis anos, justamente em dezembro de 2008, eu começava a viver o meu processo de reavaliação profunda, que começou com um pico de stress que me levou a um exame cardíaco e evoluiu para uma crise de questionamento profissional. Que me colocou num longo caminho que percorri para viver hoje, efetivamente; as minhas escolhas. Na minha história não houve pressão de família ou paternidade precoce. Houve apenas um ponto em que me distraí e tomei um rumo excessivamente ligado ao stress de uma carreira, ter ficado talvez temporariamente míope com a idéia de perseguir um “sucesso” profissional que talvez fizesse sentido para o mundo; mas não para mim mesmo.

Sinceramente, não espere que seja fácil. Mudar não é fácil. Mas é muito mais difícil e doloroso quando se permanece no “piloto automático”, esperando a erupção.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Diretor de Comunicação da ONG internacional New Earth Nation; Conselheiro e Representante do Nikola Tesla Institute em SP e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2014.

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