fbpx
Thursday, November 26, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


Estudo comprova modelo de agricultura mais sustentável

Um estudo verificou se a intensificação da produção pela Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) pode ser considerada mais sustentável em relação a sistemas…

By Redação , in Brasil Negócios News & Trends , at 15/07/2016

Foto: Wikimedia
Foto: Wikimedia

Um estudo verificou se a intensificação da produção pela Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) pode ser considerada mais sustentável em relação a sistemas tradicionais, ou se esse sistema consome mais recursos e energia, causando maiores impactos ambientais, sociais e econômicos. Orientado pela Fundação Espaço ECO®(FEE®), e apoiado pela BASF, a iniciativa analisou a sustentabilidade de sistemas integrados e convencionais com uma visão para os impactos ao longo de toda a cadeia produtiva.

O estudo utilizou dados dos sistemas integrados da Fazenda Santa Brígida (Ipameri-GO), que é uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) da Embrapa, correspondentes a um período de sete anos (2007 a 2014) e dados de produção de sistemas convencionais da região (Ipameri-GO). A metodologia utilizada foi a ferramenta AgBalance™, desenvolvida pela BASF, que analisa a sustentabilidade na agricultura com base no conceito de Avaliação do Ciclo de Vida.
O estudo comprova que quando priorizada a adoção de Integração Lavoura Pecuária Floresta (iLPF) seguida de Integração Lavoura Pecuária (iLP), mais socioecoeficiente é o arranjo produtivo. “Com este estudo queremos compartilhar conhecimento e fornecer dados científicos para as discussões com os governos, pesquisadores, empresas, agentes financiadores, produtores rurais e a sociedade sobre a adoção de novas tecnologias para melhorar a sustentabilidade da agricultura tropical“, afirma Juliana Silva, gerente de Socioecoeficiência da Fundação Espaço ECO® (FEE®).
O estudo
A motivação do estudo vem do desafio global em atender a demanda crescente de alimentos e energia da população, que deve ultrapassar os nove bilhões de pessoas em 2050, além da ocupação do Cerrado brasileiro – por meio da expansão de fronteiras agrícolas e do aumento da produtividade com práticas de pecuária extensiva de baixa tecnologia e monocultura. Este cenário torna crucial a busca por modelos de produção agropecuária sustentáveis, que proporcionem o aumento da produtividade agrícola sem a necessidade de abertura de novas áreas.
Foram comparados diferentes arranjos produtivos (integrados e não integrados), com o objetivo de produzir soja, milho, sorgo, carne e madeira (biomassa para energia), em quantidades suficientes para atender as necessidades médias de uma população de 500 pessoas no Brasil, durante o período de sete anos. Foram analisados 11 indicadores de impacto social, 25 indicadores de impacto ambiental e o custo total de produção, ponderando os três pilares de forma igualitária e gerando um indicador único de socioecoeficiência.
Além dos benefícios ecológicos já conhecidos da iLPF, o estudo ressaltou ganhos em outros diversos indicadores. Em relação aos impactos ambientais, a priorização da iLPF representa uma necessidade de seis vezes menos área direta (área prioritariamente integrada utiliza 69 hectares, enquanto o arranjo tradicional 419 hectares), reduzindo em 84% o impacto à biodiversidade devido ao uso do solo. Com relação às emissões de carbono equivalente, as reduções são de aproximadamente 2.390 toneladas, ou seja, 55%, sem considerar o sequestro e incorporação de matéria orgânica no solo. Isto significa que, se consideradas estas variáveis, os resultados em redução de emissões de carbono à atmosfera serão ainda maiores.
Sempre seguindo a lógica do ciclo de vida, nos indicadores ambientais também estão considerados os impactos referentes à vida da vaca, matriz para geração de bezerros. O indicador de impacto resíduos sólidos também é expressivo, apontando uma redução de 58%, ou seja, 321 mil toneladas; a redução de consumo de água gira em torno de 20%. A demanda acumulada de energia também é menor nos arranjos mais integrados, da ordem de 59% – o que representa economia de 8,96 milhões de Mega Joules. O único indicador que se mostrou preocupante quando a iLPF é priorizada foi a depleção de recursos abióticos, principalmente atribuída aos micronutrientes da cadeia alimentar do gado.
Os ganhos sociais são notáveis na fazenda. O funcionário trabalha durante o ano todo e lida com diversas culturas, atividades de pecuária e de floresta. Dessa forma, a promoção de treinamentos e capacitações que os habilitem para exercer suas funções é sete vezes maior que o observado nos sistemas tradicionais. Além disto, os empregos são duas vezes mais qualificados. Também há incentivos à inclusão de trainees e estagiários na grade de colaboradores e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Todos esses ganhos são aliados a uma redução de 54% nos custos totais de produção, lembrando sempre a base de comparação definida no escopo deste estudo, que é produzir alimentos e energia em quantidades suficientes para atender às demandas médias de 500 pessoas no período estabelecido.
“O diferencial deste estudo é a abordagem da avaliação do ciclo de vida durante um período de sete anos. Com esta análise detalhada, pudemos avaliar as produções integrada e convencionais com uma visão sistêmica, concluindo que o modelo que prioriza integração Lavoura-Pecuária-Floresta dentro dos objetivos e escopo propostos é um modelo mais socioecoeficiente. Tudo isso aliado com efeitos positivos na sociedade e com menor custo”, afirma Marcela Costa, analista de Socioecoeficiência da FEE®.

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *