EUA e a sua economia estagnada

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A economia dos EUA parecia que mais uma vez iria desafiar os pessimistas e sair da sua rotina. Ajustado pela inflação, a medida do produto interno bruto que já atingiu uma taxa anual de 4,1 por cento, seguia no caminho certo para crescer acima de 3 por cento no último trimestre de 2013. Mas pelo jeito, tropeçou no meio do trajeto.

Dados recentes mostram que o produto interno bruto da economia downshifted teve um crescimento de apenas 2,4 por cento no final do ano passado, e não os 3,2 por cento inicialmente citado. Os economistas acreditam que o crescimento não vá continuar no atual trimestre, devido a uma variedade de razões, incluindo o tempo frio e gastos mornos dos consumidores.

Bem-vindo à economia de 2 por cento. Desde a Grande Recessão que terminou em 2009, a taxa de economia dos EUA cresceu em média 2,3 por cento. As agências governamentais já estão se conformando e acham que o crescimento medíocre vai continuar por algum tempo, na verdade, por um longo tempo…As previsões econômicas do Escritório de Orçamento do Congresso para a próxima década vê o crescimento médio do PIB de apenas 2,6 por cento ao ano a partir de agora até 2014.

Para entender o contexto desses miserê 2 por cento, desde o final da Segunda Guerra Mundial até 2013, a economia americana cresceu em média 3,3 por cento, inclusive nos bons e maus momentos do país. Para a maioria dos americanos, o crescimento lento significa um mercado de trabalho fraco, com pouca mobilidade e pouca chance de  salários mais elevados. A última vez que o mercado de trabalho dos EUA aqueceu foi na última metade da década de 1990. Naquela época, o PIB estava crescendo a uma taxa média anual de 4,5 por cento. Se a projeção do PIB estimado pelo Escritório de Orçamento do Congresso for de apenas 2,6 por cento, então o povo americano vai experimentar um gosto amargo jamais sentido antes.

Recentemente, o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers referiu-se à tendência de “estagnação secular”. A economia de 2 por cento dos EUA pode ter chegado pra ficar. E isso ocorrer por causa de alguns fatores-chave. Em primeiro lugar, as taxas de juros estão faz tempo no zero para que não existir flexibilização de crédito para estimular a economia. Em segundo lugar, não há vontade política de fazer o governo gastar para ajudar no crescimento econômico do país.

A longo prazo, porém, mais lento, o crescimento da população pode ajudar a manter a economia em baixa velocidade. A população crescente conduz a maior demanda por habitação e bens de consumo e serviços, exigindo o investimento empresarial e alimentando um ciclo virtuoso de crescimento. Registros apontam que o crescimento da população americana não chegou a 1 por cento nos últimos anos. Sem essa importante fonte de crescimento econômico, os EUA que sempre tiveram uma economia excepcional, pode ficar para sempre estagnada.

© 2014, Newsweek

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