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Existe vida após a morte cerebral?

Dos muitos males que o corpo humano pode sofrer, o dano cerebral é um dos mais devastadores – e confuso….

By Redação , in News & Trends Saúde & Bem-estar , at 09/09/2014 Tags:

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Dos muitos males que o corpo humano pode sofrer, o dano cerebral é um dos mais devastadores – e confuso. Quando uma pessoa sofre uma lesão cerebral traumática e fica incomunicável, médicos e parentes enfrentam uma das questões mais confusas da medicina: como sabemos se a pessoa ainda está lá? Quando o corpo é apenas um corpo?

Essas perguntas ficam ainda mais complicadas de responder quando os cérebros de alguns pacientes em estado vegetativo parecem reconhecer os rostos dos familiares.

Um paciente com danos cerebrais pode viver por meses e até anos, no limbo: seus olhos se abrem e a pessoa pode dormir e acordar no que parece ser um ciclo normal da vida, mas ela não tem interações significativas e não mostra consciência do que acontece ao seu redor. Os médicos chamam esse período de “estado vegetativo persistente”, ou seja, estar acordado sem saber. Em alguns casos, é improvável que o paciente irá se recuperar e se por acaso isso acontecer, provavelmente a pessoa poderá ter deficiências físicas e neurológicas bem graves. Não é o que a maioria de nós chamamos vida.

Quando alguém entra em estado vegetativo, uma questão moral e ética é levantada gerando um debate muitas vezes amargo e dolorido: até quando devemos manter o corpo do paciente no piloto automático?

Esse debate tem se intensificado nos últimos anos, pois alguns estudos descobriram exemplos marcantes de pacientes vegetativos que parecem ser capazes, em algum nível, de se comunicar. A Dra. Karen Hirsch, neurologista e neurocirurgiã do Centro Médico da Universidade de Stanford, disse à Newsweek que “com a mudança de paradigmas da imagem e outras técnicas, estamos aprendendo que talvez algumas dessas pessoas têm consciência”.

Usando uma ressonância magnética funcional, os pesquisadores de Tel Aviv analisaram o cérebro de indivíduos em estado vegetativo e estado normal. Primeiramente mostraram a eles fotos de estranhos, e, em seguida, imagens de rostos familiares. As atividades celebrais dos pacientes vegetativos igualou a dos indivíduos saudáveis.

Os estudos estão avançados e pesquisadores da Universidade de Cambridge  descobriram que os pacientes vegetativos não só poderiam responder a estímulos, como também responder às perguntas com “sim” ou “não”.

A Ocidental University do Canadá apresentou resultados semelhantes. Baseados em estudos realizados alguns anos atrás na Grã Bretanha e Bélgica, onde alguns pacientes em estados vegetativos foram “ensinados” a visualizar duas cenas específicas: uma mostrava eles jogando tênis, e a outra, mostrava o paciente em algum lugar familiar.

Os pesquisadores afirmam que um paciente foi capaz de usar essas duas cenas como análogos para ” sim” e “não”. Quando perguntado, por exemplo, ” o nome do seu pai é Alexander?”, O paciente era supostamente capaz de visualizar a cena e responder corretamente.

Existem algumas ressalvas sobre esses estudos. Em Cambridge, o paciente repetiu as palavras “sim” e “não” 5.400 vezes para o cérebro conseguir dar “atenção” as perguntas. A mesma coisa aconteceu com o estudo canadense: apenas um dos 21 pacientes estudados mostraram capacidade de responder as perguntas.

Estes dois pacientes podem apenas ser dados desviantes, casos em que as demissões aleatórias de um cérebro primitivo imitam a forma como o cérebro humano em pleno funcionamento deve trabalhar. “Honestamente, a maioria dos pacientes não têm qualquer função subjacente”, disse Hirsch.

É preciso, no entanto, de um teste confiável para dizer aos médicos quais áreas do cérebro estão ativas.

“Devemos ser otimistas sobre estes estudos, mas precisamos proceder com cautela”, disse Hirsch. “Só porque vemos de cima as luzes das áreas do cérebro, não quer dizer que sabemos o que a consciência do paciente diz, se existe processamento ou qualquer tipo de contexto significativo da particularidade da pessoa”. Em outras palavras, poderia ser apenas uma primitiva de resposta a estímulos. No entanto, as implicações são intrigantes. O rastreamento das ativações cerebrais emocionais podem ajudar os pacientes vegetativos  a responderem os tratamentos experimentais e a se recuperarem melhor. “Além disso, “estímulos” visuais, e principalmente emocionais, também podem ser uma maneira de “faísca” do cérebro, mesmo em pacientes não responsivos com lesões cerebrais graves”, disse à Newsweek  – O Dr. Ageu Sharon, pesquisador do Centro de Cérebro Funcional da Universidade de Tel Aviv e principal autor do estudo. Essa linha de pesquisa poderia resolver um dos problemas mais difíceis de cuidados intensivos neurológico: determinar quando devemos continuar prestado assistência médica e quando devemos parar. “Se pudéssemos nos comunicar de forma eficaz com o paciente, talvez pudéssemos simplesmente perguntar se ele quer continuar a viver. No entanto, “ainda estamos muito longe de se comunicar com os pacientes, de tal maneira”, disse Sharon.

Entretanto, não podemos confiar na ciência para tomar essas decisões. “É importante ter o tabu e estigma de falar da lesão cerebral, trazendo para o primeiro plano das conversas que temos com os entes queridos”, disse Hirsch.

O que esses estudos também mostram é que a ética e a moral são pessoais, e os parâmetros do que significa a “vida” são tão mal definidas na ciência como na filosofia e na arte.

(c) 2013, Newsweek.

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