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Força de trabalho feminina em Bangladesh representa 90% na indústria têxtil

A indústria têxtil oferece muitos empregos em Bangladesh, embora o país sirva como mão de obra barata para os fabricantes…

By Redação , in Mundo News & Trends , at 25/04/2014 Tags:

A indústria têxtil oferece muitos empregos em Bangladesh, embora o país sirva como mão de obra barata para os fabricantes estrangeiros que procuram baixos custos de produção e uma enorme força de trabalho.

Nos últimos anos, no entanto, o sub-padrão de péssimas condições de trabalho e os baixos salários encontrados em fábricas de vestuário de Bangladesh estão sob severas críticas, tanto em Bangladesh, como fora dele.

Essas preocupações culminaram no colapso desastroso no complexo do edifício da fábrica Rana Plaza em abril de 2013, que matou mais de 1.100 pessoas e feriu centenas de outras. O acontecimento renovou a urgência de ações para melhorar as medidas de segurança em tais instalações e salários mais dignos para os trabalhadores.

Bangladesh abrange mais de 5.600 fábricas de vestuário, tornando-se a segunda maior fabricante de roupas do mundo, atrás apenas da China. Cerca de 60 por cento das roupas feitas em Bangladesh vai para os mercados europeus – em geral, as exportações de vestuário gera pelo menos 20 bilhões de dólares em receitas anuais e é a maior fonte de renda.

Sem a indústria têxtil, Bangladesh, já castigada pela imensa pobreza, veria seu colapso na economia. Dada a extrema necessidade para tais postos de trabalho, há anos muitas empresas ocidentais e empresários de Bangladesh oprimem o orçamento e reduzem os custos, mantendo os salários baixos e uma segurança quase inexistente. Mas Rana Plaza pode ter mudado tudo isso.

“A melhor maneira de evitar futuros desastres na Rana Plaza e acabar com a exploração dos trabalhadores de Bangladesh é incentivar a criação de sindicatos independentes para monitorar e proteger os direitos dos trabalhadores”, diz Brad Adams, diretor da Ásia da Human Rights Watch, um grupo ativista de Nova Iorque.

“O governo de Daca – capital de Bangladesh – começou tardiamente a registrar os sindicatos, o que é um primeiro passo importante”, explica Brad.

A Deutsche Welle, uma emissora alemã, informou que desde a devastação de Rana Plaza há quase um ano, a indústria têxtil de Bangladesh realmente tem passado por algumas melhorias lentas, mas significativas, em condições de trabalho, normas de segurança e proteção do emprego.

Entre outros desenvolvimentos, a Organização Internacional do Trabalho lançou um fundo para arrecadar dinheiro para os sobreviventes do desastre em Rana Plaza e pediu que 28 marcas de varejo ocidentais terceirizem os contratos de produção em Bangladesh. Financeiramente, a ação geraria a quantia de 40 milhões de dólares para o setor até maio deste ano, quando se completa um ano da catástrofe.

“Precisamos que as marcas paguem uma quantia significativa, ou seja, vários milhões”, diz Frauke Banse, coordenadora da Campanha Roupas Limpas na Alemanha. “Não é uma questão de boa vontade, não é uma doação de caridade. Mesmo que seja um fundo voluntário, em nossa opinião eles têm a obrigação de pagar”, ela comenta.

A Deutsche Welle observou que dez marcas de varejo ocidentais, como a Primark, C&A, Mango, Bonmarche, El Corte Ingles, Loblaw, Mascote, Camaieu, Premier Roupas e Inditex, já fizeram doações para o fundo até o momento.

Além disso, em 2013, mais de 150 empresas que utilizam trabalho em Bangladesh prometeram melhorar os padrões de segurança em suas instalações. “Estamos constantemente trabalhando para fortalecer as medidas em vigor nos mercados nos quais operamos”, diz Biagio Chiarolanza, CEO da Benetton Group, que assinou o acordo para atualizar as condições dos trabalhadores em Bangladesh.

“Este acordo prevê um sistema de inspeções conjuntas, treinamentos e compromissos financeiros específicos para Bangladesh e necessários para construir uma indústria de vestuário sustentável”, declara Biagio.

Os direitos dos trabalhadores também melhoraram um pouco em relação ao ano passado. Um deles permite que os funcionários em Bangladesh formem sindicatos sem a aprovação dos proprietários da fábrica.

Os trabalhadores também receberam um aumento de renda, pois o salário mínimo que era de 38 dólares por mês passou para 73 dólares. Embora esse número permaneça abaixo dos salários médios dos trabalhadores têxteis em outras nações asiáticas.

A indústria do vestuário é fundamental para a sobrevivência econômica de Bangladesh. O setor emprega cerca de 4 milhões de pessoas, 90 por cento dos quais são mulheres. Este fato traz um dos temas dominantes e talvez mais surpreendentes deste negócio: a crescente autonomia das mulheres jovens em uma das nações mais pobres do mundo.

Uma dessas jovens é Mukhta Mollah, de 19 anos de idade. Uma dos 350 trabalhadores e costureiros da Beauty Garments, em Daca, onde ela ganha 20 dólares por dia – em um turno de oito horas -, seis dias por semana. Isso pode soar pouco para os ocidentais, mas seus ganhos lhe concedem uma independência e liberdade social desconhecidas para muitas de suas colegas do sexo feminino no país muçulmano tradicional.

O Los Angeles Times informou que Mukhta envia metade de seu salário para sua família no campo, ficando com apenas o suficiente para sobreviver em Daca, evitando, assim, o destino de tantas meninas rurais que se casam e têm filhos ainda adolescentes e suportam severas restrições de liberdade.

“Para elas – as meninas rurais – é uma jaula. Minha vida é muito melhor que a delas que não têm liberdade. Quando eu volto para a minha aldeia e vejo meus amigos, eles me perguntam: ‘Você pode nos levar com você?’. Um dos colegas de quarto de Mukhta, Kanchi Hazi, que também trabalha como operador têxtil, sorri: “Eu gosto de estar aqui em Daca. Eu faço minhas próprias decisões. Posso ganhar dinheiro e ajudar minha família”.

Kalpona Akter, diretora executiva do Centro de Solidariedade ao Trabalhador, que sofreu abusos e espancamentos por organizar as reinvidicações por melhorias no trabalho, concluiu que as mulheres de Bangladesh têm, contudo, beneficiado muito o trabalho nas fábricas.

“É bom que as mulheres tenham esta oportunidade de trabalho, pois estão vindo do campo”, declara Kalpona. “As mulheres estão ganhando independência. Elas trabalham à noite e tomam suas próprias decisões. Apóiam seus filhos e seus pais idosos nas aldeias. Tudo isso é um sinal muito positivo para o nosso país”, finaliza Kalpona.

© 2014, IBTimes

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