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Garçom, tem um charuto no meu cupcake

Sigmund Freud teorizou que reprimir ou censurar ideias significa que elas podem encontrar o caminho de volta na expressão de…

By Redação , in Educação e Comportamento Mundo Negócios News & Trends , at 27/01/2014 Tags:,

Sigmund Freud teorizou que reprimir ou censurar ideias significa que elas podem encontrar o caminho de volta na expressão de outras formas: em sonhos, brincadeiras ou em erros na fala – agora conhecidos como deslizamentos freudianos.

Essa teoria tem se revelado de uma forma inesperada, através da erva non grata do mundo ocidental moderno: o tabaco.  Proibido nas formas de cigarro e charuto em locais considerados o seu habitat natural sacrossanto – como bares em Nova Orleans e cafés parisienses – o tabaco está surgindo como um ingrediente nas mais aceitáveis formas de comida, bebida e até mesmo perfume.

Se você não pode fumar, essa tendência sugere que você pode muito bem comer, beber ou pelo menos sentir sua fragrância.

Amy Marks- McGee, fundadora da Trendincite, uma empresa sediada em Nova York, que presta consultoria sobre tendências de aromas e fragrâncias, constatou que o tabaco ganhava força quando começou a detectá-lo em locais não relacionados com o seu consumo.

Em primeiro lugar Amy descobriu o seu uso em perfumes. O tabaco tem sido uma nota de base em perfumes clássicos há mais de um século. Foi aí que Amy começou a considerá-lo devido ao grande faturamento em fragrâncias como o Xerjoff´s Comandante, um perfume feito para amantes de charuto, e no Tabaco 1812 por West Third Brand.  Você sente falta do cheiro de fumaça de cigarro em sua roupa, no cabelo e nos móveis? A Rosy Rings te proporcionará uma lembrança mais palatável e chique com o seu spray Honey Tobacco-scented Room & Linen Home Fragrance.

O tabaco pode ser tendência agora, mas os chefs já vêm considerando suas possibilidades há um tempo. Há cerca de quatro anos, o fazendeiro David Winsberg da Califórnia, especialista em pimenta, começou a ser abordado por chefs locais interessados ​​em comprar folhas de tabaco. Alguns tinham a intenção de misturar as folhas aos legumes e também cozinhá-las com carne de porco. Outros queriam preparar coquetéis especiais com a erva. Thomas Keller, do restaurante French Laundry, em Yountville, na Califórnia, quis usar o tabaco em uma sobremesa.  Não seria a primeira com este toque especial: Thomas já fez uma famosa sobremesa de folhas de tabaco e um café com creme de ovos para um episódio do A Cook´s Tour, em 2002.

“O tabaco tem um sabor amargo e de terra”, diz Winsberg. “O tempero é quase como uma pimenta e é algo que você pode sentir na parte de trás da garganta”, completa. Sem o perigo de câncer, é claro. Barb Stuckey, vice-presidente executivo da empresa de desenvolvimento de alimentos Mattson, e autor do livro Taste What You’re Missing, que fala sobre a ciência do gosto, diz: “a quantidade de estimulantes no tabaco usados para dar sabor a uma sobremesa não seria o suficiente para provocar efeitos colaterais”. Por precaução, a padaria chamada Prohibition Bakery limita o número de cupcakes que levam uísque e essência de charuto – e são os que a padaria não entrega em casa.

O que pode ser mais convincente sobre o uso do tabaco como um ingrediente é a subversão da tendência.  Não existe uma emoção ao comermos algo destinado a adultos em forma de sorvete e cupcakes que remetem a infância? Seria o que Freud descreveu como “o retorno do reprimido”? Ou os que os não-freudianos poderiam chamar de uma rebelião vertical contra o “estado-babá”? Stuckey concorda. “É um tabu”, diz ela. Como “comer uma águia careca”.

© 2014, Newsweek.

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