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Mais comunidade, menos corporação

Mais comunidade, menos corporação LEAD: “o que as pessoas precisam ver é que as corporações as abandonaram há muito tempo. Que…

By Redação , in Coluna , at 16/04/2014 Tags:, , ,

Paulo

Mais comunidade, menos corporação

LEAD: “o que as pessoas precisam ver é que as corporações as abandonaram há muito tempo. Que as pessoas terão de reconstruir a economia e reconstruir a democracia como uma democracia dos vivos… e que as corporações não pertencem a nenhuma terra, nenhum país e nenhuma pessoa; elas não tem lealdade a absolutamente nada exceto os seus lucros”. ~ Vandana Shiva.

Vandana Shiva é uma ativista na Índia, a voz que por mais de dez anos vem sendo a pedra no sapato da gigante Monsanto. Se há dez anos foi inúmeras vezes taxada como “louca e irrealista”; hoje 65 nações no mundo concordam com ela sobre o fato de que os seres humanos merecem ser informados quando seu alimento provém de sementes geneticamente modificadas. Mas nosso assunto aqui não é esse, sobre o qual há muita informação na rede. O nosso assunto é a declaração dela que abre esta coluna. (A entrevista pode ser assistida na íntegra, em inglês, aqui http://youtu.be/6GE6o9Z4sQ8 )

Uma corporação, ou uma empresa, é uma figura jurídica criada para representar comercialmente os interesses de seus proprietários. Nada mais, e nada menos do que isso. O ponto fundamental é que nossa sociedade permitiu a estas “figuras jurídicas” ocupar um espaço completamente desproporcional na nossa civilização: O espaço central. Praticamente tudo na nossa civilização neste momento gira em torno destas figuras jurídicas. Obviamente, qualquer figura que ocupe o centro numa sociedade será, ao mesmo tempo, responsável pela esmagadora maioria dos recursos e dos problemas desta mesma sociedade.

A questão é que a figura jurídica da “corporação” foi legalmente criada para representar os interesses dos seus proprietários. E de ninguém mais. Teoricamente, se algo beneficia os proprietários, pela lógica corporativa pura, deve ser feito. Mesmo que destrua competidores, a natureza ou as vidas de outros seres humanos. Para que isto não chegasse às raias do absurdo, foram criados limites legais e governamentais para coibir estes abusos e equilibrar esta equação.

E o que aconteceu em seguida? As próprias corporações passaram a ser os maiores financiadores das campanhas e, conseqüentemente, dos governos que apontam os responsáveis pelo poder judiciário que deveriam limitar os poderes das corporações. Assim, capturou-se a capacidade reguladora das autoridades: comprando esse poder com o financiamento de campanhas e pessoas nos governos. Traduzindo de forma bem simples: o dono do cachorro que deveria guardar a sua casa é o assaltante.

Assim, qual seria a surpresa quando se vê que governos e autoridades reprimem a população e oferecem a ela serviços indignos, enquanto tudo permite e oferece a quem “paga a conta” ?

Interessante notar que “quem paga a conta somos nós, através dos impostos”. Sim; mas o dinheiro de impostos é, ou deveria ser, muito controlado. Deve-se prestar conta sobre ele. Mas o que acontece quando se dirige esse dinheiro de impostos para imensas corporações através de incríveis malabarismos em concorrências e licitações? O dinheiro passa a pertencer às corporações. E portanto, alinhado à lógica corporativa perfeitamente legalizada; a atender somente ao interesse dos donos. Isso deixa esse dinheiro muito mais “livre para fluir” para dentro dos bolsos privados dos mesmos indivíduos que organizaram a tal licitação, por exemplo. (Um excelente documentário de 2003 chamado A Corporação explora esse tema em profundidade e pode ser visto no YouTube: http://youtu.be/Zx0f_8FKMrY)

Percebe porque o centro da nossa civilização precisa, necessariamente, deixar de ser a corporação e gravitar de volta para os seres humanos? Para os reais protagonistas neste mundo? Aqueles que de fato são seres vivos, (e suas comunidades) e não as ficções jurídicas? Não se pode imaginar que algo mude nesta organização social sem que este centro seja alterado. E embora isso possa parecer impossível para você neste momento, vou citar algumas instâncias que demonstram que este centro está, de fato, movendo-se em direção à comunidade:

– As moedas “comunitárias” e regionais, criadas para manter os recursos dentro da economia de uma cidade ou região, quintuplicaram-se no mundo todo nos últimos 3 anos.

– O termo “sustentável” já está completamente ligado à ideia de “incentivo aos negócios locais” e isso é irreversível, especialmente pelos resultados e benefícios realizados nas comunidades; e porque toda a atividade de transporte global responde por inúmeros prejuízos ambientais desnecessários.

– É apenas uma questão de tempo até que as comunidades passem a ser representadas de um modo mais legítimo, por aqueles que organizaram a própria estrutura da economia comunitária, aí incluindo a via do processo político pelo voto, nas nações democráticas. Exemplos disso surgem no mundo ao milhares, e na coluna Novo Mundo da próxima semana, publico minha entrevista com Michael Tellinger, fundador do Ubuntu Party, que disputa as próximas eleições ao parlamento Sul-Africano, no próximo dia 7 de maio. Para encerrar o texto desta semana, deixo vocês com as palavras do próprio Michael:

“Espero que as nossas ações na África do Sul inspirem as pessoas em todos os outros lugares a iniciar um partido UBUNTU em seus países também. Milhares, que se tornarão milhões – e que em breve se tornará a norma – uma onda de consciência mais elevada em todas as sociedades. O fundamento foi lançado. Esta é a idade da iluminação e nossa hora de brilhar uma luz de verdadeira esperança na escuridão da miséria humana que tem sido imposta a pessoas inocentes do mundo por parte das instituições financeiras e um pequeno grupo de banqueiros que fizeram o nosso planeta refém. Não mais vamos ficar calados e oprimidos pela ignorância. Porque temos ouvidos para ouvir as mentiras; olhos para ver a injustiça; e bocas para falar a nossa verdade para todo o mundo. E os nossos lábios falam agora de um novo caminho a seguir para toda a humanidade: uma forma de unidade em vez de divisão; abundância em vez de pobreza; e um planeta cheio de pessoas em harmonia com toda a criação”. 

 

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Paulo Ferreira é escritor, coach e consultor em desenvolvimento organizacional do bem estar humano; conselheiro e representante do Nikola Tesla Institute em SP. © 2014.

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