fbpx
Tuesday, August 11, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


Menos é mais. Cada vez mais

Menos é mais. Cada vez mais Houve um tempo em que a melhor metáfora que ocorria a muitos quando o…

By admin , in Coluna , at 06/08/2014 Tags:,

Paulo

Menos é mais. Cada vez mais

Houve um tempo em que a melhor metáfora que ocorria a muitos quando o desejo era qualificar alguém como extremamente competente era chamá-lo de “uma máquina”. Ecos de um tempo passado, de uma revolução industrial que deixou impressionados os aparentemente “simples” seres humanos, com todas as suas dificuldades e limitações intrínsecas.

É algo como o “futuro do pretérito”; lembra-se como no século passado os desenhos animados retratavam o então “distante século XXI” como um tempo em que robôs limpariam as casas e nos livrariam de toda tarefa monótona? Esperar que as máquinas superassem a capacidade humana, era uma estranha esperança às avessas; como se o homem criador fosse, rapidamente tornar-se capaz de produzir criaturas que o superassem.

Vivemos um tempo de revalorização do humano. Com seus limites, sim. Reconhecendo-os, talvez pela primeira vez. Passado o delírio de um futuro robótico e automatizado, mais e mais seres humanos tem visões criticas sobre a “automação” que tomou conta dos seres. Resgatar nossa humanidade, sentimentos, limites. Reconhecer nosso cansaço, nossos desejos, nossas frustrações, como parte do que somos – e à qual temos inalienável direito. O futuro é biológico, sentimental, espiritual. O futuro é sensibilidade, é toque; olhar. O passado pode ser aço escovado e alumínio frio. Não importa; o passado já foi.

E o caminho para reconquistar nossa humanidade comprometida por excessivas telas, aparelhos e luzes é o de sermos, novamente, donos da nossa atenção. O futuro é onde direcionamos nossa atenção para cada vez menos itens em nossa agenda. De náufragos num mar de distrações irrelevantes, descobrimos, às vezes surpresos, que nossos filhos estão ali, ao lado; basta que afastemos as telas; da frente dos nossos olhos; e da frente dos deles.

O futuro é onde fazemos as pazes com a nossa biologia e nossos processos neurológicos, inclusive. Onde fazemos as pazes com o fato de que não é possível “manter” a atenção em várias coisas. O que pode ser feito é “mudar a atenção por várias coisas”. E manter é o contrário de mudar. É sustentar a atenção num ponto. Se a atenção for distribuída entre vários assuntos ou aspectos, ela estará constantemente “mudando” e , portanto, jamais “mantida”.

Podemos, seqüencialmente, colocar nossa atenção perfeitamente em várias coisas. Mas seqüencialmente é, em tudo, diferente da tentativa inútil de fragmentar a atenção em mil pedaços.Se você já experimentou a angustiante sensação de ser atendido “ao mesmo tempo” que outras pessoas num balcão de informações, conhece bem a sensação: se houver um único atendente, e várias pessoas “sendo atendidas”, o resultado é que as respostas ficarão entrecortadas, interrompidas. Parte da resposta é dada a um, parte a outro, nenhum dos quais foi atendido, e ambos continuam ali, parados, esperando a conclusão do atendimento para que possam seguir. Se houver várias pessoas, certamente o atendente tentará organizar uma fila, de modo que possa resolver um caso de cada vez. Conhecemos isso, é simples, sabemos como funciona. Com a nossa atenção é rigorosamente igual. Organize e forme a fila.

Essa é a tarefa “antes das tarefas”, por assim dizer. E sem ela, todas as tarefas ficarão aos pedaços, e nós apenas teremos a sensação de que estamos resolvendo várias coisas, quando, de fato, não estamos resolvendo nenhuma.

Organizar a seqüência não significa levar mais tempo. Atenção plena não aumenta o tempo necessário; ao contrario, diminui o tempo para CADA tarefa. Antes de tudo, o futuro é o tempo de um reconhecimento de si mesmo, e para si mesmo: os processos mentais humanos funcionam assim, deste modo, comprovadamente, e para todos. Não é uma questão de preferência, gosto, estilo ou personalidade.

É a simples natureza do funcionamento da mente humana. Agir de modo alinhado com a natureza dos nossos processos faz com que possamos usar plenamente o potencial deles. “Brigar” contra isso, faz apenas com que esses processos funcionem com menos eficácia. É exatamente a mesma coisa que querer “convencer” o seu sangue a transportar certas substâncias ingeridas, mas não outras: não pode ser feito. Exatamente do mesmo modo, não importa o quanto você deseje dar atenção a dois assuntos ao mesmo tempo, isso não será feito pelo seu sistema neurológico nos processos mentais comuns.

Menos itens, mais importantes. Menos números, mais relevância. Menos. É. Mais. Cada. Vez. Mais.

Faça as pazes com a sua biologia e organize a fila do melhor modo que puder. Concentre a atenção plena em cada AGORA. E então, mova-se, você e sua atenção plena, para o próximo momento.
Que será, então, plenamente, agora.

__________________________________________________________________________________________________________
Paulo Ferreira é Diretor de Comunicação da ONG internacional New Earth Nation; Conselheiro e Representante do Nikola Tesla Institute em SP e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2014.

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *