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Na maternidade

em Monocotidiano por

– Amor, a gente precisa pegar as coisas pra levar pra maternidade. É bom arrumar antes, pra não esquecer de nada.

– Ué? Mas já não tá tudo com você?

– Como assim?

– Se tá dentro da sua barriga, é garantido que a gente não vai esquecer né?

– Não, amor. Tô falando das roupinhas dele.

– Ah, eu pego. Leva todas? Vou colocar nessa sacolinha.

– Que sacola de mercado? Tá maluco? Eu comprei uma malinha pra ele.

– Mas nessa idade?

– É, aquela azul ali.

– Mas essa mala cabe umas 6 crianças dentro, não é muito grande?

– É que tem bastante coisa pra levar.

– Amor, pensa comigo: as roupas dele tem o tamanho da minha meia, não é possível que elas não caibam dentro da sua bolsa.

– Chega, faz o seguinte. Eu vou falando as coisas e você anota pra gente não esquecer.

– Ok, ok….

– Roupas dele, Pega 3 RN.

– O que é um RN? O de manga comprida?

– Ai, meu Deus… é de tamanho RN, Recém Nascido.

– Ah, tá, entendi.

– Pega duas P.

– Mas ele deixa de ser recém nascido em 3 dias? Já muda até o tamanho da roupa? Então acho que a gente tem muita roupa RN, porque ele não vai usar essas 15 coisinhas em 3 dias….

– Não, é que pode ser que ele nasça meio grande e não caiba no RN.

– Nesse caso, é certeza que temos muita roupa RN…

– Como você é chato… Vai, pega as P.. E a roupa pra sair do hospital, que eu já separei.

– Tem que ser uma especial?

– Tem, claro, porque é a primeira roupinha que ele vai sair na rua.

– Mas e vai ter alguém vendo?

– Vai ter o pessoal da família.

– E eles já não vão ter visto ele lá dentro do quarto?

– Vão.

– Então pra que uma roupa especial pra ser vista pelo pessoal que já viu ele com a roupa comum?

– Nossa, eu mereço….. Vamos fazer assim, só coloca na mala, tá bom?

– Tá bom.

– Chupeta, mamadeira, fraldinha, coberta, manta, luva, meia. Pega uns 3 de cada.

– Ok.

– Agora pega o livro?

– Mas vai ler história pra ele no primeiro dia de vida? Ele nem entende nada.

– Não, é o livro que o pessoal assina pra deixar recado pra ele.

– Ele vai ter que esperar até uns 7 anos pra conseguir ler. Mas eu coloco sim.

– Tá, não importa. Guarda. Pega a cafeteira, as bolachas, separa uma sacola com os refrigerantes e a água.

– Pera, calma… Cafeteira? Não tem café no hospital?

– Tem, mas eles vão ficar no nosso quarto e a gente faz o café lá.

– E bolacha? Eles não vão lá pra comer, vão pra ver o bebê, certo?

– Mas a gente tem que ser simpático com as pessoas.

– Mas se a gente for muito simpático eles não vão embora nunca. E visita em maternidade tem que ser rápida né? Não quero que esse povo fique lá o dia inteiro, não.

– Mas que saco, guarda e pronto. E agora pega aquela caixa com as lembrancinhas.

– Lembrancinha? Mas pra lembrar que ele nasceu? Quem que vai esquecer que o menino nasceu? Se a pessoa esquece que ele nasceu é porque não se importava mesmo, então é melhor que nem vá visita.

– Amor, é que..

– E outra, hoje em dia todo mundo tem celular. Quer uma lembrança, tira uma foto.

– Amor, faz assim. Senta lá na sala e deixa que eu vou arrumando aqui, tá bom? Não precisa se preocupar.

– Nossa, nem grávida desse jeito você me deixa te ajudar né? Bem que falaram que mulher nessa fase ficava chata….

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