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Nada de conto de fadas

O que aconteceu com a famosa expressão: “e viveram felizes para sempre”? Em nenhum conto de fadas, a princesa explica…

By Redação , in Cultura e Entretenimento Mundo Negócios News & Trends Política , at 07/02/2014 Tags:

O que aconteceu com a famosa expressão: “e viveram felizes para sempre”? Em nenhum conto de fadas, a princesa explica se participou da decisão de casar-se. Na Espanha, no entanto, a família real se encontra em uma confusão jurídica que pode alterar a forma como a monarquia constitucional é vista tanto em casa como no exterior.

Como não existe um precedente legal que diga onde os mundos da realeza e o da criminalidade colidem, o inquérito da filha do rei da Espanha, Cristina de Borbón, 48 anos – conhecida oficialmente como Infanta Cristina, duquesa de Palma de Mallorca – levará um bom tempo para terminar.

Em 8 de fevereiro, um juiz espanhol vai interrogar a princesa, a filha mais nova do rei Juan Carlos, como suspeita em um esquema de desfalque alegado. O Ministério Público diz que o marido da princesa e seu sócio canalizaram aproximadamente 11 milhões de dólares dos cofres públicos para suas respectivas contas bancárias.

No sábado, 11 de janeiro de 2014, os advogados da princesa disseram que Cristina compareceria à audiência, intimada pelo juiz da investigação, José Castro, para que ela, pessoalmente, respondesse às perguntas da investigação sobre as possíveis acusações de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

O marido de Cristina, o ex- jogador de handebol olímpico, Iñaki Urdangarin, que completou 46 anos há algumas semanas, e seu sócio, Diego Torres, são acusados ​​de peculato, fraude, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e falsificação de documentos. Os promotores do caso afirmam que entre maio de 2003 e dezembro de 2008, a sua organização sem fins lucrativos, chamada Nóos Foundation, em parceira com políticos locais, superfaturou os governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares, assim como a prefeitura de Valencia, em trabalhos de consultoria e organização de várias conferências de turismo e esportes.

O juiz Castro intimou a princesa na última primavera, mas o Ministério Público, o gabinete da defensoria pública e os advogados de Cristina apelaram alegando que não havia evidências que ligassem a princesa aos dois envolvidos nos crimes. Um tribunal provincial cancelou a convocação, mas sugeriu que Castro investigasse mais.

O casal real também era acionista conjunto na Aizoon, uma das empresas de fachada utilizadas para desviar o dinheiro da ONG para as contas bancárias dos criminosos. Uma testemunha afirmou que o advogado de Urdangarian se refere à presença da princesa como um “escudo contra a administração fiscal”.

Depois de vasculhar os registros contábeis da Aizoon e o histórico financeiro da princesa, o juiz concluiu que muitas das despesas operacionais da empresa foram realmente gastos pessoais e familiares de Cristina. Urdangarin e Cristina têm quatro filhos, com idades entre 8 a 14.

Castro citou recibos de hotéis em Roma, Washington, Nova Iorque e Detroit. Além de restaurantes em Barcelona, viagens em família para o Rio de Janeiro, África do Sul e Moçambique. A viagem ao continente africano parece ter sido uma mistura de férias, safári e visita aos centros de saúde e laboratórios como parte do trabalho de caridade da princesa.

Outras despesas da empresa Aizoon incluiu a compra de uma pintura avaliada em 6.000 dólares, artigos de loja de móveis para crianças no valor de 2.470 dólares, quatro livros de Harry Potter, aulas de dança e festas para crianças.

A empressa Aizoon logo mudou de endereço para a mansão do casal em Barcelona, ​​aparentemente para que pagassem o aluguel de casa para o uso de um escritório. Mas, mesmo antes de mudar o endereço, a Aizoon pagou cerca de 243 mil dólares para reforma na mansão e 12,6 mil dólares para cortinas. Castro chamou a empresa “de um escritório fantasma sem clientes ou funcionários”.

A investigação sobre a ONG Nóos começou em setembro de 2010 como parte da suspeita de fraude em torno da construção do complexo desportivo Palma Arena, na ilha de Mallorca. O ex-presidente regional das Ilhas Baleares, Jaume Matas, foi condenado no ano passado a seis anos de prisão pela participação na corrupção.

Essas dívidas de honra, no entanto, têm perdido a sua potência à luz dos recentes acontecimentos. Em 2012, por exemplo, os espanhóis e a imprensa não esconderam o descontentamento quando descobriram que Juan Carlos, em um momento em que o país estava mergulhado em uma recessão econômica, estava caçando elefantes em Botsuana.

Uma pesquisa recente diz que 62 por cento dos espanhóis quer que o rei, agora com 76 anos, abdique em favor de seu filho Felipe. O índice de aprovação do rei caiu de 76 % para 41% nos dois últimos anos.

Antes do escândalo, Cristina e Urdangarin eram bem-vistos na Espanha. Cristina é diplomada em Ciência Políticas e em Relações Internacionais, pela Universidade de Nova Iorque. Trabalhou para as Nações Unidas e ajudou várias instituições de caridade relacionadas com a saúde. Ela conheceu Urdangarin nos Jogos Olímpicos de 1996 em Atlanta, onde ele ganhou uma medalha de bronze no handebol. Cristina e Urdangarin casaram-se em 1997.

Por que a princesa decidiu obedecer à convocação desta vez? Com as suspeitas do juiz e seus registros financeiros no domínio público, um apelo iria fazê-la parecer culpada.

A questão agora é saber se ela vai responder às perguntas do juiz ou usar o seu direito de permanecer em silêncio. E se ela falar, continuará a estratégia de seus advogados e colocar a culpa em seu marido?

A longa saga da princesa na justiça está apenas começando.

© 2014, Newsweek.

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