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No elevador

em Monocotidiano por

Pai e filha entram no elevador.

A menina se detém na placa.

“É vedado, sob pena de multa, qualquer forma de discriminação em virtude de raça, sexo, cor, origem, condição social, idade, porte ou presença de deficiência e doença não contagiosa por contato social, no acesso aos elevadores deste edifício.”

A menina olhou para aquilo com atenção.

– Essa placa é ridícula.

O pai se espantou.

– Filha! Ridículo é o preconceito. Muita gente já sofreu muito até chegar a uma lei como essa. Sabe de quando é essa placa?

– Mas pai..

– De 96….

– É que..

– Dá pra imaginar que em 96 ainda precisassem avisar as pessoas que não podiam desrespeitar os outros por causa dessas coisas básicas?

– Mas…

– Não tem “mas”, filha… me decepciona muito que você, na sua geração, não dê valor pra uma coisa assim.

– É que se o sujeito….

– Não importa o que o sujeito seja filha, respeito em primeiro lugar! Isso não dá pra abrir mão.

– Mas se o sujeito for feminino….

– O sujeito tem o direito de ser o que ele quiser e não somos nós que vamos julgar a pessoa por isso. Se for hetero, homo, crente, espírita, tanto faz. Você tem que parar com esse pensamento pequeno, filha, por favor.

– Pai… se o sujeito for feminino, como “discriminação”, o verbo tem que concordar com ele. Então deveria ser “vedada” sob pena de multa qualquer forma de discriminação, e não “vedado”.. A placa é ridícula por isso.

O pai ficou em silêncio enquanto entravam no carro…

A filha também.

– Ah, filha, vai ver já é uma placa trans, né?

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