-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-

No mínimo, o máximo.

em Monocotidiano/News & Trends por

Não queremos um empego. Não. Trabalhar bem, correto, não é o bastante. Queremos ser o presidente, o CEO, aquela que só existe uma e que 99,99% dos profissionais não vão conseguir. Só o que interessa é o lugar mais alto e quando isso não acontece, lotamos os consultórios, as farmácias, as bocas e os sanatórios.

Queremos vencer. Não uma vez ou outra. Sempre. Aprendemos assim. Quando crianças fomos treinados para sermos vencedores, uma cultura importada junto com os brinquedos e desenhos. E para acostumarmos, os pais não deixavam a gente perder em jogo nenhum. E quando perdíamos, chorávamos. E fomos assim, ganhando do jeito fácil nas brincadeiras, nos primeiros jogos, nas primeiras birras, nas primeiras brigas e acostumamos. E na vida, nada além da vitória interessa. E quando ela não vem, porque ela nem sempre vem, nosso choro já não resolve mais. Mas foi assim que aprendemos, então continuamos chorando. E desesperando. E fazendo birra. E lotando as terapias, os bares e tomando as homeopatias.

Queremos um amor.  Todo mundo corre a vida acreditando que, entre 7 bilhões de pessoas, existe uma que é ideal para você. E ela vive perto, frequenta os mesmos ambientes e vocês vão se cruzar, se apaixonar e viver juntos para frente. E não pode ser um amor qualquer, comum morno. Que transa de vez em quando, na cama, quando a novela acaba. Nâo. Tem que ser um amor arrebatador, infinito, emocionante, que arrasa o coração, que daria um livro. Um não, uma coleção. O amor das músicas, do cinema. Transar? Sempre, o tempo todo, nas melhores e mais loucas posições, lugares e com os orgasmos mais intensos, as fantasias mais criativas e inusitadas e a ardência dos grandes poemas vivida todos os segundos. E quando esse amor não vem, e ele não vem principalmente pelo fato de que ele não existe, troca-se de amor na busca do ideal. E troca-se de novo, e de novo. E lotamos os terapeutas, os holísticos, a ayahuasca, engolimos as gotinhas dos remédios, os comprimidos, os anti-ácidos, os cafés, os energéticos, respiramos por aparelhos, cheiramos, fumamos, usamos, tudo em busca de uma paz que não encontramos porque procuramos o que não existe.

Mas a gente nunca muda o comportamento ou a expectativa. Queremos, no mínimo, o máximo.

loading...

Comentários no Facebook

Últimos de Monocotidiano

Antes de dormir

Antes de dormir – Pai, conta uma história pra eu dormir? –

Confusões

Tem gente que fala de personalidade forte quando na verdade é só

Evoluções

Tá, vamos assumir que a humanidade evoluiu muito. Descobrimos curas de doenças,

Expectativas

– Eu quero que ele tenha os seus olhos. – Os meus?
Voltar p/ Capa