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O Decadente Mundo dos Excessos

O Decadente Mundo dos Excessos Poucas coisas parecem hoje mais inadequadas e não-verdadeiras quanto a máxima vencida e mofada que…

By Redação , in Coluna , at 06/05/2015

Paulo

O Decadente Mundo dos Excessos

Poucas coisas parecem hoje mais inadequadas e não-verdadeiras quanto a máxima vencida e mofada que recomenda que se deve “fazer sempre mil coisas ao mesmo tempo”. Antes de mais nada cabe lembrar que, cientificamente, isso é uma bobagem completa: a mente humana, comprovadamente, só pode processar um pensamento de cada vez. Apesar disso, a busca frenética por “mais”; seja mais dinheiro, mais coisas, mais atividades, mais encontros, mais “amigos”, dominou o cenário por um bom tempo; levantando a bandeira do ser humano multi-tarefa, rápido, ultra eficiente, extremamente objetivo.
Os promotores dessa idéia só deixaram de dizer às pessoas que não se pode ser “rápido e ultra-eficiente”, por exemplo, quando o que seu filho precisa é colo, silêncio e sossego para sentir-se bem. Deixaram fora da equação, sempre, um “pequeno” fator: o ser humano é um bicho emocional, gregário, que precisa de calor, carinho e todas essas coisas que acabaram tão “fora” de uma equação cujo objetivo é meramente transformar gente em maquininha de produção e consumo.
Hoje, vejo cada dia mais gente comentar, declarar e constatar que nada parece mais decadente e despropositado do que a glamourização dos excessos, seja de carros, objetos, todo consumo excessivo e impensado. Cada dia mais claro que ao “ratinho na roda”; às pessoas que vivem focadas principalmente em dinheiro e resultados materiais, falta algo, ou, na verdade, falta muito. Falta inteligência emocional. Falta sentido interno, falta equilíbrio. E sobra superficialidade; e, talvez sobretudo, sobra medo e fuga de si mesmo.
Num mundo de imenso desequilíbrio ambiental e de um desequilíbrio social talvez ainda mais descabido; uma sensação de “vergonha alheia” se apodera de muitos ao testemunhar demonstrações de excessos materialistas.
Ao mesmo tempo, o mundo pensante, no planeta inteiro; das mais “oficiais e institucionalizadas” organizações (da NASA e ONU à Harvard) até as mais alternativas, bate cada vez mais na tecla do rever, reajustar, realinhar, tirar os excessos, focar o essencial, manter o indispensável. O mundo dos excessos e do consumismo que teve seu auge no século passado é claramente insanidade e megalomania, e hoje, não fazer a sua parte para tornar as atividades humanas no mundo mais sustentáveis é sinônimo de passar vergonha até frente ao trabalho de escola do seu filho de 8 anos.
No âmbito individual, essa tendência a estreitar o foco e ficar com o essencial, faz com que se abandone as ilusões e enganos como “fazer mil coisas ao mesmo tempo é ótimo”; idéias nesta linha devem sumir no horizonte até que sejam apenas uma vaga lembrança de um século maluco e que ainda vai ser famoso como bastante embaraçoso para a história humana. E é dolorosamente claro para qualquer um que está cada vez mais inviável dar conta dos excessos solicitados à atenção humana, e é EXATAMENTE assim que deve ser: cada vez mais foco, com cada coisa a seu tempo e ocupando o seu devido espaço; viver uma coisa de cada vez, e colocar todo o seu coração nela.
A alternativa para quem ainda prefere esquecer-se disso acaba sendo uma vida “tarja preta”; a “terceirização dos filhos”; escolhas que significam, na verdade, vender a vida por ilusões consumistas que não estarão lá para cuidar de você no futuro, não terão adicionado vida aos seus anos, nem anos à sua vida.
Cada vez mais é sobre comprometer-se em profundidade, com idéias e coisas cuidadosamente escolhidas. Apenas aquelas que realmente são relevantes para você e os seus, e de preferencia nas quais efetivamente você possa fazer a diferença. Cada vez menos genérico, cada vez mais especificamente desenhado para “a pessoa em questão”.
Este é o rumo que mais e mais pessoas dão-se conta nos últimos anos, realinhando suas vidas e prioridades, redefinido suas rotas. A tarefa de cada um é encontrar as suas respostas específicas ao realizar este ajuste. Uma resposta que é única, pessoal e intransferível, e que justamente por isso escapa às rasas recomendações coletivas características dos manuais “como fazer”.
E se não há receita, há ao menos uma dica que considero útil: quanto mais tempo se passa tentando “girar todos os pratos”, mais difícil, desgastante e estressante a experiência se torna. Indicando justamente que é hora de escolher os pratos essenciais.
Nesse processo, alguns pratos deixam de girar, caem e quebram. Sim, este é o fato. Por isso mesmo, o foco deve estar apenas nos pratos que efetivamente são indispensáveis, fundamentais. Aqueles que você, simplesmente, não pode viver sem.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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