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O mártir, o trabalho e o ego

O mártir, o trabalho e o ego Mártir é aquele que se sacrifica. Pelo outro, ou por uma causa ou…

By Redação , in Coluna , at 03/06/2015

Paulo

O mártir, o trabalho e o ego

Mártir é aquele que se sacrifica. Pelo outro, ou por uma causa ou um ideal. Este é o mártir de fato. Como Gandhi, por exemplo. Martirizou-se por anos em greves de fome, para libertar a índia. e por fim foi realmente martirizado, tendo sido assassinado. A ideia do mártir está conosco sempre, especialmente nas sociedades cristãs.
Ocorre que este arquétipo, esta figura, é idealizada e perseguida, mesmo inconscientemente, por muitos. Assim como a figura do herói, a figura do mártir parece ter um apelo irresistível.
Tão irresistível que, na falta de uma grande causa, ou de grandes ideias, adota-se a postura de mártir por qualquer razão disponível; mesmo que não necessariamente extraordinária. Isso acontece, muitas vezes, com pessoas que determinam-se a trabalhar mais que os outros; mais que o comum. No início pode ser apenas perfeccionismo; ou orgulho. O prazer de um trabalho bem feito, talvez. E se fosse até aí, talvez permanecesse mais saudável. Mas vivemos numa sociedade viciada em comparações. Desde muito novos, aprendemos com essa sociedade viciada em comparar que “seremos comparados”. A partir desta conclusão, naturalmente, o que faz mais sentido é escolher “onde” e “no que” ser comparado. Ser comparado em seus campos de desvantagem não é uma escolha sábia. Conectando essa escolha do campo de comparação àquela famosa frase sobre estratégia de guerra, que diz que “a melhor defesa é o ataque” – chegamos hoje nas empresas mundo afora numa situação extremamente sui generis. Os trabalhadores querem ser mártires e atacam primeiro, atirando-se em comparações as quais eles saibam que podem vencer.
Quando alguém se compara, quase certamente o corolário da afirmação é óbvio. Se escolheu comparar-se, vai escolher o “campo” no qual sairá vencedor.
O mártir do trabalho, entretanto, usa esta comparação, seja ela explicitamente falada ou não, como um infinito suporte para o ego.
Considerar-se mártir é conseguir para o próprio ego uma plataforma avançada de vitória na comparação no trabalho é relativamente simples. O ambiente do trabalho tem regras mais claras que as da vida como um todo. No ambiente familiar, comparar irmãos, pais com filhos e primos com genros é mais complexo. Entretanto, no ambiente do trabalho, estão todos igualados por regras comuns, e pelo fato de que todos estão ali cumprindo um determinado papel em troca de um determinado resultado financeiro.
Simplificando, se alguém trabalha “mais”, pode estar, na verdade, fazendo isso pela própria auto-gratificação egóica de sentir-se melhor que os outros, em sua própria comparação interna. Mártires do trabalho costumam ser indivíduos inseguros em outros aspectos de sua vida, e muitas vezes, emocionalmente imaturos.
Descarregando suas frustrações e o tempo livre diretamente no papel de mártir do trabalho, o indivíduo constrói uma zona de conforto para ele mesmo, na qual pode julgar-se, por critérios relativamente “isentos”(regras semelhantes para todos) acima dos outros, em virtude de seu martírio.
O segundo passo, criador de infinita discórdia e problemas no ambiente de trabalho, é: uma vez feito mártir, passa a ter o direito, por ele mesmo adquirido por esse mecanismo psicológico; de cobrar, fustigar, comparar, incomodar o “outro” seja ele quem for. O mártir dá-se então o direito de sentir-se superior e demonstra isso por dois mecanismos principais:
cobrar, sempre, seja por meio de humor ou palavras ásperas, que os outros “deveriam seguir seu exemplo e trabalhar mais”.
2. Queixar-se ou vangloriar-se como forma de ampliar a visibilidade de sua condição de mártir.
Obviamente, na atual organização do trabalho, colhe-se resultados práticos através desta atitude. A razão deste texto não é questionar esse aspecto que todos conhecemos. É jogar luz sobre o aspecto psicológico e o mecanismo egóico que se desenvolve “subterraneamente”, no mundo da psique do indivíduo; paralelamente ao que ocorre no “mundo lá fora.”
O primeiro aspecto envolvido na busca do ego é poder constatar: sou bom. Em seguida, numa sociedade doentemente comparativa, importa não apenas “ser bom” em algo, mas também ser “melhor” que alguém.
E assim desenvolvem-se disputas infinitas e inimizades no local de trabalho.
Agora pare por um instante para pensar no trabalho que se desenvolve por amor, por prazer, por hobby, por exemplo. Você perceberá rapidamente que todo este conteúdo doentio descrito no texto desaparece. Desaparece numa atitude saudável e criativa; que é onde se chega quando o propósito do que se faz é o amor.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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