fbpx
Saturday, August 8, 2020
-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-


O novo gigante chinês: conheça o Alibaba

No verão de 2006, a guerra pelo controle do comércio eletrônico no país mais populoso do mundo foi mais intensa….

By Redação , in Mundo Negócios News & Trends , at 20/09/2014 Tags:

No verão de 2006, a guerra pelo controle do comércio eletrônico no país mais populoso do mundo foi mais intensa. A companhia então conhecida como Alibaba-Taobao, foi formada em 1999 no apartamento de seu fundador, Ma Yun (conhecido fora da China como Jack Ma), para concorrer com o eBay, a empresa do Vale do Silício que queria uma parte de todos os mercados do mundo, inclusive o da China, por razões óbvias.

Foto: reprodução

Durante a sua recente expansão econômica, a China permitiu que empresas estrangeiras ocupassem mais espaço para competir com outras economias, contribuindo com o “milagre” do Leste Asiático. E não surpreendentemente, muitos estavam fazendo bem: a General Motors, Procter & Gamble, Walmart e uma série de outras 500 empresas.

Praticamente todo mundo achou que o eBay não podia perder em uma economia que levanta dezenas de milhões de novos consumidores, por meio das vendas pela Internet.

Esta suposição estava completamente errada. A Newsweek prontamente entrevistou Jack Ma para tentar descobrir o que ele estava fazendo para que os negócios fluíssem tão bem.

Ao falar com jornalistas sobre o seu rival corporativo mais amargo, a maioria dos CEOs de todo o mundo tem o cuidado de não falar muito. Você ganha bastante quando usa o jargão dos esportes nos negócios: “Ambos os lados jogam pra valer, os dois jogam duro…”

Exceto Jack Ma. Uma figura leve, com orelhas largas e um contagiante sorriso, que obstinadamente aprendeu inglês sozinho em sua cidade de Hangzhou, cerca de 140 quilômetros ao sul de Xangai, e foi professor de Inglês por um curto período. O empresário estava ansioso para cortar a onda do eBay.

Jack adaptou seu dois sites principais, o Taobao – o site para o consumidor – e o Alibaba – um modelo de negócios B2B – para servir a China. O empresário afirma que o eBay estava tão preocupado em perder na China que Meg Whitman, a CEO do eBay formada em Harvard, se instalou em um apartamento de luxo no centro de Xangai para fortalecer a estratégia do eBay.

[blocktext align=”left”]Meg não foi capaz de conter a maré. Em 2006, a cota de mercado do Alibaba passou a frente do eBay na China. A empresa chinesa afetou tanto o eBay que até o final daquele ano, a empresa norte-americana havia fechado seu site chinês.[/blocktext]

Essa vitória foi o momento crucial para a empresa chinesa. Os analistas preveem que o Alibaba possa ser avaliado entre 150 e 220 bilhões de dólares, tornando-a a quarta maior empresa de tecnologia em valor de mercado no mundo, atrás apenas da Apple, Google e Microsoft.

Há uma abundância de métricas, como dizem os analistas, para justificar esse tipo de avaliação. Hoje, 80 por cento das compras online da China passa por plataformas do Alibaba. No final do ano passado, o Alibaba tinha 231 milhões de usuários ativos. Esse mercado valia 295 bilhões de dólares em dezembro de 2013 e é projetado por analistas da CLSA, a corretora asiática, para chegar a 713 bilhões de dólares em 2017.

Os pontos fortes são bastante reais. Mas também há alguns riscos daqui em diante para o Alibaba. As entrevistas com analistas e concorrentes, bem como uma revisão dos documentos oficiais da empresa para uma abertura de capital, já emitem algumas bandeiras de advertência.

Em apenas 15 anos, o Alibaba tornou-se uma empresa extraordinária, mas não será necessariamente um bloqueio de suas ações que irá fazê-la seguir o mesmo caminho, digamos, da Amazon e do Google, desde suas respectivas IPOs (Inital Public Offering – Oferta Pública Inicial, em inglês).

“Há espaço para um crescimento significativo, mas também existem riscos lá fora, que o mercado pode não estar reconhecendo”, diz um executivo do Alibaba.

Um deles é o simples fato de que a grande maioria dos negócios do Alibaba é feita na República Popular da China, e mesmo com todo seu crescimento econômico, a China continua a ser um país autocrático, com um ambiente regulatório que pode ser, digamos, opaco.

O Alibaba, ao contrário de muitas empresas de Hong Kong, desde a abertura econômica da China, há mais de 30 anos, é de propriedade privada. Ou seja, o governo não possui nenhuma participação na empresa.

Em relação à abertura de capital, alguns fãs do Alibaba enxergam isso como uma coisa boa, pois os analistas acreditam que para a próxima fase de crescimento na China deve haver mais impulso por parte do investimento privado, além do consumo, e menos dominação pelos gigantes estatais do governo chinês. Estes, por sua vez, querem que a abertura de capital do Alibaba possa servir como um poderoso estímulo para pequenas e médias empresas em todo o país, como a frase: “Olha o que esse cara fez, você também pode fazer!”.

Não é tão simples assim, no entanto. Porter Erisman, o ex vice-presidente do Alibaba e o criador do Crocodile in the Yangtze – um documentário que traça a ascensão do Alibaba – diz que nenhuma empresa pode fazer negócios com a China, seja ela estatal ou privada, sem tentar cultivar o governo para manter os burocratas e os funcionários a par de quase tudo que a empresa pretende. E se você cruzar o governo (como o Google, entre outros), você está ferrado.

“Se você não está esbarrando no governo, você não está se esforçando o bastante”, Erisman diz, “e Jack passou muito tempo batendo nas portas do governo”.

Outro risco significativo é o cenário em constante mudança no próprio negócio e-commerce na China. Os dias de glória em torno do intruso eBay estão muito longe. O Alibaba agora está no desenrolar em um novo mundo de e-commerce, onde as operações não ocorrem em computadores pessoais, mas em telefones.

A Tencent Holdings Ltd., empresa líder em mídia social na China, e a gigante de buscas Baidu estão se movendo agressivamente para diminuir as forças do Alibaba no espaço e-commerce.

Essa ameaça não é necessariamente iminente, pois quase 90 por cento das transações de comércio eletrônico ainda é feita através de computadores e o Alibaba entrou em sua IPO descontroladamente rentável.

No último trimestre, a empresa obteve lucros de 1,4 bilhões de dólares – mais que o dobro do último quadrimestre de 2013 – sobre a receita de 3,1 bilhões de dólares. Sua margem de lucro bruto foi impressionantemente de 78 por cento: a maior que a empresa já registrou desde que começou a divulgar os resultados financeiros em 2009.

Então qual é problema em potencial para o Alibaba? O WeChat está pisando no Weibo – uma plataforma semelhante a do twitter, muito popular na China – ilustrando o quão rapidamente a Internet e os espaços de mídia social podem mudar na China.

A boa notícia para o Alibaba é que ele conhece o e-commerce muito melhor do que qualquer Tencent ou Baidu.

Os analistas naturalmente comparam a transição do Alibaba para dispositivos móveis com o desafio semelhante a ser confrontado pelo Facebook. E os otimistas do Alibaba notam que as ações do Facebook, pós-IPO, sofreram um duro golpe em tal ceticismo, que só diminuiu após a empresa mostrar que poderia habilmente navegar no universo móvel.

O ex-executivo Erisman observa que “este é um grande espaço de crescimento rápido na China. Mesmo que uma empresa não domine completamente, isso não significa que o Alibaba não vai ganhar grandes quantias de dinheiro. Eu não acho que há muita dúvida de que a empresa triunfe, mesmo que a concorrência se intensifique”.

Newsweek © 2014.

Comments


Deixe uma resposta


O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *