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O Ocidente e o espírito russo

O Ocidente e o espírito russo Há tempos o pensamento ocidental perpetrado pela cultura e pela mídia, cultua o maniqueísmo…

By Redação , in Coluna , at 05/03/2015

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O Ocidente e o espírito russo

Há tempos o pensamento ocidental perpetrado pela cultura e pela mídia, cultua o maniqueísmo nas relações internacionais, validando ações bélicas e intervencionistas de norte-americanos e europeus pelo comportamento do outro.

A mídia, seletiva e arbitrária, veicula apenas uma versão da história, tergiversando sobre os fatos e estabelecendo correlações fantasiosas entre os acontecimentos, impetrando o ódio ao outro como forma de justificativa de sua existência. Por isso, uma análise crítica de política internacional depende de uma consideração preliminar dos fatos que antecedem um acontecimento.

A escalada política e militar observada nas fronteiras da Rússia nos últimos meses, foi amplamente ventilada como uma aspiração imperialista de Vladimir Putin. Este supostamente tenta retomar o território perdido com a queda do Muro de Berlim, mas na realidade, as motivações de Putin vão além dos interesses imperialistas da plutocracia russa.

O país, assolado pelo colapso da economia soviética, passou a década de 1990 reformando suas instituições em busca de recuperação política e econômica. O povo russo perdeu prestígio, e o avanço da OTAN em países vizinhos e antigos aliados da URSS isolou politicamente o país. Mesmo diante de apelos aos países aliados à aliança militar, o Ocidente continuou a avançar no entorno geográfico dos russos, engessando-os economicadmente, acuando-os em suas fronteiras enquanto a força da economia americana penetrava o restante do mundo.

Nesse contexto, a ascensão de Vladimir Putin devolveu ao povo russo parte de seu prestígio. É sim também certo que o sistema profundamente corrupto e de ranço imperialista que domina as instituições públicas do país não apenas corrompe o desenvolvimento da nação, como coloca em xeque as aspirações de seu presidente.

Entretanto, assim como nos mostrou a História, muitas vezes o surgimento de lideranças políticas extremistas ou autocráticas ocorre somente porque há uma conjuntura favorável. Desmoralizado, o povo russo optou pelo ex-agente da KGB para liderar seu país em busca de seu destino êxitoso e glorioso. Como todo político ardiloso, Putin soube se aproveitar do vácuo de poder existente para dar lugar a seu projeto de poder. Ato contínuo, hoje sabe que retroceder em suas ações na Ucrânia resultaria num recrudescimento ainda maior da influência político-econômica russa na Ásia, Oriente Médio e União Europeia.

Em meio a tudo isso, o recente assassinato do líder de oposição, Boris Nemtsov, independentemente de a responsabilidade ser ou não do governo russo, forma uma cortina de fumaça que paralisa qualquer avanço no processo de estabilização da região. Se o ato de covardia de matar Nemtsov pelas costas ocorreu a mando de conspiradores, radicais ou por ordem de lideranças ligadas ao presidente, isso dificilmente se provará. Mas o retrocesso político causado pelas ações e pelas reações dos principais atores envolvidos é evidente.

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Luiz Renato Arietti Nais é publicitário, e bacharelado em Relações Internacionais. Amante dos livros e do conhecimento. Dois-correguense, corinthiano, mochileiro e inventor de apelidos. © São Paulo Times.

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