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O quanto sabemos sobre câncer

O quanto sabemos sobre câncer Apesar de todos os avanços das últimas décadas, o câncer continua sendo uma das doenças…

By Redação , in Coluna , at 14/05/2015

Sonia

O quanto sabemos sobre câncer

Apesar de todos os avanços das últimas décadas, o câncer continua sendo uma das doenças mais enigmáticas e temidas pela humanidade. A simples menção da palavra ‘câncer’ ainda assusta muita gente. Infelizmente a maioria vê no diagnóstico da doença, sinônimo de morte. Isso acontece devido à falta de informação. Sabe-se que apenas cerca de 5 a 10% de todos os casos de câncer são consequência de alteração genética hereditária, ou seja, transmissível de pais para filhos e os casos da doença, em sua maioria, são diagnosticados em estágios já avançados. Mesmo os tumores menores são resultado de manifestações malignas que tiveram início muitos anos antes. Já é sabido que o câncer de mama, por exemplo, leva de dois a 15 anos para atingir um cm de diâmetro.

Sabemos que danos no DNA das células causam câncer; sabemos que existem diferentes formas da doença, pois há diferentes tipos de mutação em diferentes células. Recentes pesquisas têm sido muito úteis para conhecer a doença. A mais importante é a do oncologista britânico Sir David Lane, atualmente cientista-chefe do Cancer Research UK, maior instituto de pesquisa do setor no Reino Unido, que descobriu, além do processo silencioso que ocorre pela falha de uma proteína, o organismo é capaz de guardar cânceres no corpo, por muito tempo até serem descobertos. O resultado desta pesquisa comprova a possibilidade do câncer ser detectado cada vez mais cedo, além de entender melhor como o sistema imunológico pode eliminar o câncer. Tudo isso vai com certeza auxiliar também a descoberta de novas drogas que possam ajudar o sistema imunológico a acordar e combater a doença.

Que distintos tumores apresentam diferentes fatores de risco como o cigarro e o álcool, também são sabidos. Temos consciência de que estes podem ser controlados, já outros, como a predisposição genética, dificilmente. Um fator de risco é uma característica pessoal ou acontecimento que aumenta o risco de desenvolver câncer. O fato de ter um ou mais fatores não é necessariamente uma condição para o aparecimento da doença. Muitas pessoas possuem vários fatores de risco e não desenvolvem a doença, mas outras podem apresentar tumores graves. Impossível saber com precisão. Ainda que raramente algumas pessoas possam nascer com um defeito genético herdado, diversos cânceres surgem de maneira espontânea.

É errado dizer que não existe nada que se possa fazer para prevenir. Se existe um risco muito alto de câncer, como foi o caso de Angelina Jolie (que fez uma mastectomia preventiva devido ao alto risco de desenvolver o câncer de mama), é bom pensar sobre o assunto, consultar um médico, eliminar dúvidas. Apesar de muito raro, e ainda que se tenha um parente com a doença, não significa que o câncer vai se desenvolver. Cada situação é uma situação. Cada organismo é único. O que podemos fazer é a prevenção com pequenos atos saudáveis, que incluem alimentação e combate ao sedentarismo, além de consultar um médico sempre que sintomas diferenciados e insistentes surgirem.

O screening (diagnóstico do câncer na fase pré-sintomática, como a mamografia), pode salvar muitas vidas, porém, não é preciso se preocupar muito. É provável que qualquer pessoa tenha futuramente um ou mais parentes que morrerão de câncer, simplesmente porque uma em cada três pessoas morrem da doença. Caso exista na família um ou dois parentes muito jovens diagnosticados, ai sim deve ser feita uma investigação, pois existe um risco hereditário. Mas, para muitos de nós, não haverá esse risco e não seria certo fazer uma intervenção radical como a que fez Angelina Jolie. No caso dela, que veio de uma família com um risco grande (a mãe morreu de câncer de ovário e uma tia materna morreu de câncer de mama), existia uma mutação muito particular e de alto risco. A decisão que ela adotou foi com certeza corajosa e não é possível avaliar se foi ou não correta. Embora seja uma circunstância incomum, o errado é pensar que esta  seja a única solução para quem está na mesma situação, o que é extremamente raro.

O que sabemos é que um dia, será possível a descoberta de uma cura única para todos os diferentes tipos de câncer, ao invés do tratamento personalizado que existe hoje. Até lá, o ideal é a prevenção e ficar alerta com os fatores externos, para que seja possível detectar a doença em sua fase inicial.

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Sonia Nascimento é jornalista, Pós-Graduada em Direção Editorial pela ESPM. © 2014.

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