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O que podemos aprender com a epidemia de sarampo nos Estados Unidos?

“Não levem seus filhos às ‘festas do sarampo’”, alertam os profissionais de saúde da Califórnia, (EUA), exortando os pais a…

By Redação , in Mundo News & Trends Saúde & Bem-estar , at 22/03/2015

Foto: OMS/F. Guerrero
Foto: OMS/F. Guerrero

“Não levem seus filhos às ‘festas do sarampo”, alertam os profissionais de saúde da Califórnia, (EUA), exortando os pais a não expor intencionalmente seus filhos a doenças infecciosas. O comunicado foi emitido após notícias veiculadas na imprensa que grupos anti-vacinação de pais que poderiam estar organizando festas para que seus filhos possam ter contato com crianças com sarampo, visando pegar a doença e/ou ganhar imunidade contra ela.

O Departamento de Saúde Pública da Califórnia advertiu os pais a respeitos desses eventos. “Nos posicionamos fortemente contra a exposição intencional de crianças ao sarampo, uma vez que essa ação desnecessária expõe as crianças a riscos  potencialmente graves e pode contribuir para a propagação do surto”, alerta em nota as autoridades americanas.

Tais festas eram comuns entre as crianças com catapora antes da vacina para a doença ser introduzida nos EUA, em 1995. O pensamento em relação à catapora era o de que era melhor ter a doença mais cedo do que na adolescência, por exemplo (uma inverdade). E o mesmo também não se aplica ao sarampo, que não é uma doença benigna. A criança exposta ao vírus pode ficar muito doente e morrer. “É importante destacar que a vacina contra a catapora foi licenciada para uso em 1995, no Estados Unidos. Já  a vacina para o sarampo foi licenciada em 1963. Por isso é inadmissível que, hoje em dia, alguns pais deliberadamente optem pela doença porque eles não acreditam em vacinas”, diz o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Segundo o médico, “expor intencionalmente uma criança ao vírus do sarampo pode ocasionar problemas respiratórios que podem levar à pneumonia, uma infecção que pode resultar em danos e perda permanente da audição, uma doença fatal do sistema nervoso central, que não se desenvolve até 7-10 anos depois  de a criança ter sido infectada pelo sarampo e também à morte”, diz.

“Dentre todas as formas de prevenir uma doença, essa é a pior iniciativa da qual ouvimos falar em muito tempo. O sarampo pode matar. Eu não posso acreditar que alguém iria enviar o próprio filho para uma festa desse tipo, sabendo disso”, afirma o pediatra. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2013, 145.700 pessoas morreram de sarampo em todo o mundo, principalmente crianças com menos de 5 anos de idade. Isso equivale a cerca de 400 mortes por dia, ou 16 a cada hora.

Surto na Califórnia

O surto de sarampo recente, ancorado na Califórnia, colocou um holofote sobre uma comunidade que cresce a cada dia, em diversos países: pais que são contra a vacinação.

Centers for Disease Control and Prevention (CDC) divulgou recente boletim retratando a epidemia de sarampo entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015. Até fevereiro havia a notificação de 125 casos, sendo que desses 110 moravam no Estado da Califórnia e tinham visitado a Disney uma ou duas vezes em dezembro de 2014.

As estatísticas mostraram que 49 (45%) desses casos não foram vacinados, 5 (5%) tinham recebido uma dose da vacina, 7 (6%) receberam duas doses e 47 (43%) não tinham estado vacinal declarado. Entre os casos não vacinados 12 não tinham idade para terem recebido as vacinas. Dos 37 casos restantes, 28 (67%) não receberam a vacina intencionalmente, por crenças pessoais. Entre esses, 18 eram menores de 18 anos e 10 eram adultos. Houve 17 internações relatadas.

A genotipagem de 30 dos pacientes da Califórnia mostrou o genótipo B3, responsável por uma epidemia recente nas Filipinas, em 14 outros países e em pelo menos 6 estados americanos nos últimos 6 meses. Essa epidemia mostra a importância de se garantir uma alta taxa de cobertura vacinal contra o sarampo nos Estados Unidos.

Surtos de sarampos no Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde, no período de março de 2013 a março de 2014, foram confirmados 224 casos de sarampo no Estado de Pernambuco, dos quais 44,6% (110/224) são menores de um ano de idade. Ocorreu um óbito de uma criança de sete meses de idade, feminino, portadora de doenças imunossupressoras (HIV e sífilis positivos). O genótipo identificado foi o D8.

No estado do Ceará, entre dezembro de 2013 e maio de 2014, foram confirmados 174 casos. Dos 174 casos confirmados 37,7% (65/174) são menores de um ano de idade e não foi identificado vínculo do caso índice com viajante.  Foi identificado o genótipo D8.

Em 2014, foram confirmados sete casos de sarampo no estado de São Paulo com identificação dos genótipos D8 e B3.

Sarampo pode matar

O sarampo é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de cinco anos de idade, sobretudo as desnutridas e as que vivem nos países em desenvolvimento. O sarampo já esteve entre as principais causas de mortalidade infantil no Brasil, nos anos de 1970 a 1980. A vacinação adequada foi o grande responsável pela sua eliminação no país. Em 1992, o Brasil adotou a meta de eliminação do sarampo para o ano 2000, com a implantação do Plano Nacional de Eliminação do Sarampo, cujo marco inicial foi à realização da primeira campanha nacional de vacinação contra a doença.

“Não há justificativa para não se vacinar adequadamente as crianças. O calendário vacinal público, hoje em dia, está muito próximo do calendário vacinal das clínicas particulares. As vacinas são seguras, independente de onde elas sejam aplicadas. É fundamental que os pediatras e profissionais ligados à saúde insistam e estimulem a vacinação”, defende o pediatra, que é membro do membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Estatuto da Criança e do Adolescente, que é uma lei federal (LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990), estabelece no Título II (Dos Direitos Fundamentais), Capítulo I (Do Direito à Vida e à Saúde), artigo 14, Parágrafo único que: É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.”

“Ou seja, temos uma lei prevendo a obrigatoriedade da vacinação. Uma criança não vacinada, por opção dos pais, pode até não adoecer ou adoecer de forma leve. Mas, se essa criança entra em contato com outra que não está com seu sistema imunológico bem estabelecido, pode gerar, para essa criança ou para seus familiares, consequências sérias, graves (malformações em fetos de mães gestantes) e até mesmo a morte. Vacinar é também uma questão de cidadania, precisamos difundir esse conceito”, defende o pediatra.

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