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Era início da década de 90 e Zetti, apesar de ainda no auge, entrava naquela idade em que os atletas…

By Redação , in Esporte The São Paulo Times , at 11/12/2015

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Era início da década de 90 e Zetti, apesar de ainda no auge, entrava naquela idade em que os atletas planejam a aposentadoria. Um acidente tinha matado nosso promissor reserva, Alexandre (não sei se você lembra mas, além de bom goleiro, ele também era bem habilidoso com os pés). Ou seja: a possibilidade de ficarmos sem um substituto à altura do Zetti apavorava qualquer são paulino.

Eu e meus dois irmãos sentamos em frente à TV para ver um jogo do Tricolor. Não era um jogo importante e o time titular estava jogando algum campeonato de peso (não lembro se Libertadores ou Brasileirão). Por isso, entramos com o Expressinho. Sim, graças ao preciosismo do Mestre Telê, tínhamos dois times competitivos.

Para você ter uma idéia, nosso time B era dirigido por Muricy e contava com caras como Denílson, Juninho, Catê e Caio Ribeiro, por exemplo. E, naquela noite, tinha também um goleiro que eu e meus irmãos nunca tínhamos visto ou ouvido falar: um tal de Rogério. Rogério o que? Sei lá, não falaram o sobrenome. Não sei se era a estréia dele, mas era o primeiro jogo que eu o veria atuar. Lembro de nós três preocupados com aquele novato que ia catar no gol. Mas vamos ver, né? Todo mundo precisa de uma primeira chance.

Para nosso alívio, o moleque era bom. A cada defesa que ele fazia, a desconfiança ia desaparecendo. Por outro lado, era só um jogo, não podíamos nos precipitar com empolgações vazias. Ou seja, a sensação era a de que tínhamos um bom goleiro, mas ainda era cedo para cravar que seria o substituto do ídolo Zetti.

Até que, numa bola dividida com o atacante adversário, Rogério levou um chute no nariz – que, em poucos segundos, dobrou de tamanho e passou jorrar sangue feito um vulcão. Pronto: é só aparecer um goleiro que joga direitinho, que acontece isso. Puta azar. Agora ele vai ficar afastado algumas semanas e, quando voltar, vai estar tão traumatizado que nunca mais divide bola nenhuma.

O goleiro reserva já estava aquecendo, quando levanta do campo um sujeito com dois chumaços de algodão no nariz, como se tivesse saído de um caixão. E mais: o cara sai andando e se posiciona embaixo do travessão. Como assim? Ele tá com o nariz destruído e vai continuar em campo? Vai ser um gol atrás do outro.

Para nosso desespero, o reserva voltou para o banco e Rogério continuou em campo. Para nossa felicidade, ele continuou fechando o gol. Parava para trocar de algodão de vez em quando, porque o sangue era muito. Mas agora, nossa sensação era outra: não tínhamos apenas um novo goleiro, tínhamos um mito.

Foi a primeira das milhares de vezes que gritei: Rogééééééééééééério

Por Zé Luiz Martins, Roteirista e tricolor.

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