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OMS vê queda de 91% no número de pessoas em risco de contrair tracoma

O número de pessoas em risco de contrair tracoma – doença que é a principal causa infecciosa de cegueira no…

By Redação , in Brasil News & Trends ONU , at 28/06/2019

O número de pessoas em risco de contrair tracoma – doença que é a principal causa infecciosa de cegueira no mundo – caiu de 1,5 bilhão em 2002 para pouco mais de 142 milhões em 2019, afirmou na quinta-feira (27) a Organização Mundial da Saúde (OMS). A redução representa uma queda de 91%.

O tracoma é uma doença ocular causada por uma infecção da bactéria Chlamydia trachomatis. A transmissão ocorre por meio do contato com secreções infecciosas dos olhos e nariz, particularmente em crianças pequenas. Também é propagado por moscas que estiveram em contato com os olhos e narizes de pessoas infectadas.

O sistema imunológico pode eliminar um único episódio de infecção, mas em comunidades endêmicas para a doença, a bactéria é frequentemente readquirida. Após anos de infecções repetidas, o interior da pálpebra pode ficar tão cicatrizado que se volta para dentro e faz com que os cílios se esfreguem no globo ocular, fenômeno conhecido como triquíase tracomatosa. O problema resulta em dor constante e intolerância à luz. Essa e outras alterações do olho podem levar a cicatrizes na córnea. Se não for tratada, a condição leva à formação de opacidades irreversíveis, com consequente deficiência visual ou cegueira.

As novas estimativas de risco para a doença foram apresentadas pela OMS durante a 22ª reunião da Aliança para a Eliminação Global do Tracoma até 2020. As estatísticas da agência das Nações Unidas mostram ainda que o número de pessoas que precisam de cirurgia para a triquíase tracomatosa – o estágio tardio do tracoma – caiu de 7,6 milhões em 2002 para 2,5 milhões em 2019. A diminuição foi de 68%.

“A eliminação do tracoma contribui para a saúde ocular e a qualidade de vida das pessoas mais pobres e vulneráveis em todo o mundo e, assim, nos aproxima do alcance da cobertura universal de saúde”, disse Mwelecele Ntuli Malecela, diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS.

“Livrar o mundo dessa doença dolorosa e debilitante está sendo possível graças a doações generosas do antibiótico azitromicina, a contribuições sustentadas de uma rede de agências e parceiros de financiamento dedicados e aos esforços de centenas de milhares de profissionais da linha de frente, que trabalham incansavelmente para envolver as comunidades e fornecer intervenções”.

O tracoma permanece endêmico em 44 países. Estima-se que a doença tirou ou prejudicou a visão de cerca de 1,9 milhão de pessoas em todo o mundo. O mapeamento da infecção foi concluído para identificar onde estão sendo aplicadas as medidas de distribuição e controle das metas de saúde pública da estratégia SAFE — um plano da comunidade internacional para combater o tracoma.

Os objetivos incluem avanços no oferecimento da cirurgia para triquíase e na disponibilidade de antibióticos para a infecção, bem como ações de limpeza facial e melhoria ambiental para reduzir a transmissão.

“A eliminação do tracoma tem um benefício imediato na preservação da visão das pessoas em risco. Mas o trabalho contra o tracoma exigiu a criação de parcerias inovadoras, que ajudarão a garantir que as pessoas mais vulneráveis, que moram em locais remotos, não sejam deixadas para trás à medida que serviços de saúde mais abrangentes sejam fortalecidos”, disse Scott McPherson, presidente da Coalizão Internacional para o Controle do Tracoma.

Somente em 2018, 146.112 casos de triquíase foram administrados e quase 90 milhões de pessoas foram tratadas com antibióticos para o tracoma em 782 localidades.

Desde 2011, oito países foram validados pela OMS como tendo eliminado o tracoma como um problema de saúde pública. Ao menos um país em cada região endêmica para a doença já atingiu esse marco. Isso demonstra a eficácia da estratégia SAFE em diferentes contextos.

“Este é um grande progresso, mas não podemos nos dar ao luxo de nos tornarmos complacentes”, disse Anthony Solomon, oficial médico responsável pelo programa global de eliminação do tracoma da OMS.

“Devemos ser capazes de relegar o tracoma aos livros de história nos próximos anos, mas só o faremos redobrando nossos esforços neste momento. Os últimos poucos países provavelmente serão os mais difíceis.”

De acordo com a OMS, a redução significativa na prevalência global de tracoma foi fruto do aumento da vontade política em países endêmicos. A diminuição também é atribuída à expansão de medidas de controle e à geração de dados de alta qualidade. Ainda segundo a agência da ONU, a eliminação do tracoma é barata, simples e altamente custo-efetiva, gerando uma alta taxa de retorno econômico líquido.

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