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Lego bate recorde no mercado brasileiro e cresce 61% em 2013 

em Brasil/Negócios por

Líder mundial de brinquedos de montar teve excelente desempenho no varejo de todas as regiões do País.

A LEGO teve um crescimento recorde no mercado brasileiro em 2013. Com alta de 61% em comparação com o ano anterior, este excelente desempenho ocorreu sobre uma base considerada alta à medida que a marca já havia crescido 50% no País em 2012. A informação é de Robério Esteves, diretor de operações da LEGO no Brasil. Segundo ele, alguns dos principais fatores para este bom resultado foram o grande volume de lançamentos, os investimentos em comunicação e a conquista de novos clientes no varejo, além do fortalecimento das parcerias que mantém com as lojas especializadas em brinquedos. “Até 2011, a LEGO cresceu ao ritmo de 25% ao ano no Brasil. Em 2012, deu um impulso ainda maior e registrou 50%, chegando ao recorde de 61% em 2013”, conta Esteves.

Em âmbito regional, todas as regiões apresentaram crescimento significativo. No mercado do Nordeste, a LEGO registrou uma alta de 111,18%; no Norte, de 85,06%; no Sudeste, 72,12%; no Centro-Oeste, 47,18%; e no Sul de 36,15%. Entre as muitas linhas da marca dispõe para as lojas brasileiras de brinquedos, Esteves informa que a City, que retrata o dia a dia das cidades, foi a que mais vendeu. Ele também destaca as linhas Chima, que foi o grande lançamento mundial da LEGO em 2013, e a Friends, que é voltada às meninas.

No mundo, a LEGO manteve a liderança entre os “brinquedos de montar”, categoria do setor que se mantém como a de maior crescimento.

Com o resultado do seu último balanço, divulgado em 2013, o faturamento mundial de US$ 4,1 bilhões em 2012 (17% a mais que no ano anterior) colocou a LEGO na segunda posição global entre as fabricantes de brinquedos; os números de 2013 devem ser divulgados pela empresa nos próximos meses.

Ritmo acelerado no Brasil

Ao citar o volume de lançamentos como fator importante para o sucesso no mercado, Esteves lembra que, em 2013, a LEGO dispôs ao varejo nacional um total de 299 produtos, sendo 237 novidades, que representam uma renovação de 84% do sortimento da marca no País em relação ao ano anterior. “A criação de linhas novas e com temas distintos, peças e funções variadas, além do uso de tecnologia, garantem a qualidade e o alinhamento com a expectativa das crianças da nova geração. Para elas, a LEGO oferece desde simples peças de montar até conjuntos sofisticados, com funções robóticas, para proporcionar muita diversão e aprendizado”, comenta.

Neste cenário, Esteves ressalta o fato de os conjuntos da marca apresentarem excelente desempenho nas prateleiras das lojas de brinquedos. Segundo ele, este fato, inclusive, contribui para o aumento contínuo do número de lojas que vendem os produtos por todo o território nacional. Além disso, o executivo chama a atenção para a estratégia de ampliação da oferta de conjuntos com custos mais acessíveis ao mercado nacional, que chegam ao varejo com preço a partir de R$ 11,90. “No Brasil, 70% dos produtos da LEGO são de conjuntos com preço de até R$ 100,00”, ressalta.

Outro ponto marcante que contribuiu para o bom desempenho comercial da marca no País foi o investimento em comunicação. Entre os exemplos, Esteves destaca os anúncios em canais de TV a cabo e ações promocionais e de merchandising em pontos de venda, além da realização de um grande número de eventos, como as Oficinas de Criação. Além disso, cita a parceria com a Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, para uma promoção especial em 2,7 mil postos de combustível, pela qual os clientes podem adquirir miniaturas exclusivas da Ferrari feitas totalmente com LEGO.

Lojas conceito estimulam o varejo de brinquedos em regiões estratégicas

A abertura de duas lojas conceito da LEGO também estiveram entre os pontos altos da marca em 2013. No Rio de Janeiro (RJ), a LEGO Store chegou ao Rio Barra Design no primeiro mês do ano; em Curitiba (PR), a loja abriu as portas no momento da inauguração do Shopping Pátio Batel, em setembro. “Abrimos as lojas com o objetivo de criar uma referência de grife e do conceito da marca na região e, com isso, estimular a venda de produtos em todo o varejo”, conta Esteves. O executivo ressalta que este fator é comprovado pelos resultados da LEGO Store em São Paulo (SP), inaugurada em 2010, que impulsionou as vendas dos brinquedos e acessórios em todas as lojas clientes.

Internacionalização do Brasil: cenário e ação

em Brasil por

O recente desaquecimento dos mercados emergentes, a ameaça de consagração da Aliança do Pacífico, que inclui a formação de um bloco econômico e comercial entre México, Peru, Colômbia e Chile, assim como a conclusão de um acordo de comércio entre Estados Unidos e Europa, ameaçam empurrar o Brasil para o ostracismo comercial, o que poderia configurar uma situação calamitosa para o país.

Dentro desse contexto, a atual crise na Argentina causa tensão sobre a política internacional, pois a depreciação elevada de seu câmbio frente ao dólar deixa a indústria doméstica argentina vulnerável, o que pode paralisar a aproximação birregional entre Mercosul e União Europeia.

A conjuntura internacional, que há alguns anos tem impulsionado as exportações brasileiras – vide a elevação de exportações para mercados emergentes, como China e Índia– hoje parece não mais colaborar com nosso projeto de potência econômica. A baixa competitividade da indústria doméstica, assim como as recentes dificuldades encontradas no combate a inflação e manutenção de competitividade internacional, também contribuem para o enfraquecimento do país no cenário externo. Seria pessimismo demais dizer que as perspectivas para 2014 são péssimas, e otimismo demais dizer que as expectativas para este ano são boas.

A reação precisa ser imediata e medidas precisam ser tomadas em conjunto com diversas esferas do governo e do empresariado. É primordial alavancar acordos internacionais – seja por meio de uma retomada do Mercosul ou acordos bilaterais, com o intuito de diversificar fornecedores e compradores. Isto é, diversificar a pauta de produção. Para tanto, é necessário investir em diplomacia comercial e política internacional, agora não com o intuito de promover o país, mas com um foco mais pragmático no sentido de atrair parcerias economicamente viáveis.

Além disso, reformas estruturais no sistema fiscal e tributário – questões que há muito estrangulam a indústria doméstica – ainda estão em pauta e precisam de ação para se transformarem em resultados. Caso contrário, o país poderá continuar seguindo em direção a um reesfriamento de suas expectativas de desenvolvimento, apenas observando a recuperação dos países desenvolvidos e de seu isolamento comercial.

Planejamento deve ser a ordem do dia. Estabelecer diretrizes e prioridades de governo, e o mais importante, confeccionar um projeto fundamentado em nossas mazelas e virtudes, econômicas e políticas, que defina uma direção e um objetivo que queremos alcançar. Então, com o cenário doméstico preparado, buscar novos mercados e alcançar maior competitividade internacional se tornariam consequências naturais de um país bem estruturado, capaz de enfrentar os desafios da abertura dos mercados.

Por Luiz Renato Nais

Concussão. A doença comum do Super Bowl

em News & Trends por

Durante o Super Bowl deste domingo, existe uma boa chance de pelo menos um jogador  ter a sua cabeça esmagada com força suficiente para ferir seu cérebro. Os jogadores de futebol têm concussões quase tão frequentemente como os salva-vidas ficam bronzeados por ficarem muito tempo expostos ao sol.

Curiosamente, com toda a tecnologia médica de hoje e todo o dinheiro aplicado em pesquisa sobre as lesões do cérebro, não há como ter certeza que um jogador que saiu tonto da partida devido a uma batida de cabeça esteja com concussão. Um dos “testes”, da NFL, por exemplo, pede para o atleta ficar equilibrado com apenas um pé e com as mãos no quadril.

Portanto, se é determinado que o jogador teve uma concussão, não há como saber quando ele estará bem o suficiente para entrar em campo novamente.

Mas isso está prestes a mudar, graças a uma fertilização cruzada de neurociência, matemática e tecnologia. A neurocirurgiã da Universidade de Nova York, Uzma Samadani, parece ter descoberto uma nova forma de acompanhar os movimentos dos olhos e correlacionar esses resultados a lesões cerebrais, como contusões. Ela acabou de fundar uma empresa, a Oculogica, para comercializar a descoberta. E também apresentou quatro patentes e tem dois artigos científicos.

Há excitação que gira em torno da Oculogica é por causa do EyeBoxCNS, que pode ser construído como pequenos dispositivos e com baixo custo, permitindo que cada equipe tenha o aparelho em seu vestiário. Há uma chance de isso virar um aplicativa de smartphone, permitindo que até os treinadores de futebol americano do subúrbio identifique uma concussão a qualquer hora se os jogadores baterem a cabeça.

O co-presidente do comitê de concussão da NFL, olhou para a Oculogica e acha que ainda é preciso ter um otimismo cauteloso, porque ainda se trata mais de um projeto de ciências do que um tecnologia comprovada. No entanto, a partir do que ele viu, ele pensa que a Oculogica possa dar dados objetivos sobre lesões cerebrais, o que ainda não tem no momento.

No ano passado, a NFL fez um acordo de 765 milhões dólares decorrente a uma ação sobre lesões cerebrais apresentadas por membros da família de 4.500 ex-jogadores. A National Hockey League tem os seus próprios problemas com contusões, e um recente relatório disse que as equipes perderam centenas de milhões de dólares pagando aos jogadores que ficaram fora dos campos por causa de lesões cerebrais. Além do esporte, quase 4 milhões de americanos por ano sofrem abalos – de acidentes de carro, quedas e, em certas profissões (como a escrita), batendo a cabeça contra a parede.

Os danos causados pelas batidas são medicamente invisíveis, por isso que ouvimos os jogadores voltando ao campo mesmo com os cérebros alinda lesionados, o que pode causa danos ainda piores. Os abalos não aparecem em exames de ressonância magnética ou de quaisquer outros testes de diagnóstico, explica Sean Grady, chefe do departamento de neurocirurgia da Universidade da Pensilvânia. Qualquer outro teste  utilizado de hoje em dia envolve julgamento subjetivo de um médico e deixa em aberto a possibilidade de que o paciente poderia enganar, dando respostas falsas .

“Então trabalhar com acompanhamento visual é muito importante”, diz Grady . “É um teste repetitivo que não é sujeita a interpretação . Você não pode fingir.”

Um grande esforço está indo para colocar sensores em capacetes para medir a força e o número de golpes na cabeça, mas também indicar aqueles golpes que não podem ser uma concussão. Dano potencial não é igual ao dano real. Seria como dizer que alguém teve um ataque cardíaco com base exclusivamente em quantos Big Macs a pessoa comeu.

Como acontece nos em vários avanços da medicina, a Oculogica também aconteceu por acidente. Samadani, como parte de seu trabalho na Universidade de Nova York, queria encontrar uma maneira de medir o nível de danos em pessoas que tiveram lesões cerebrais tão graves que não podiam seguir as instruções normalmente dadas para avaliar uma concussão. Ela e seus colegas decidiram experimentar com TV.

Curiosamente, as pessoas com lesões cerebrais têm dificuldade em assistir televisão. “Nós pensamos, se é que podemos quantificar o quão bem eles podem assistir TV, poderemos chegar a um resultado”, diz Samadani .

Sua equipe criou uma câmera e colocou na frente dos pacientes para controlar os movimentos dos olhos durante 500 vezes por segundo, enquanto eles olhavam à tela.

Ela trabalhou com o departamento de matemática da Universidade de Nova York para escrever algoritmos que poderiam classificar o movimento de cada olho de forma independente e comparar os dois conjuntos de dados.

O objetivo da contagem foi feita no paciente que estava focado na tela da TV. E a surpresa foi: em todos os pacientes, o nível e tipo de lesão cerebral correlacionada com um conjunto de métricas mostrou o quão bem os dois olhos se moviam em sincronia. Quanto mais ferido o cérebro, mais fora de sincronia os micro-movimentos dos olhos.  As diferenças entre os movimentos dos dois olhos é também minúscula para qualquer médico observar. Mas a tecnologia pode vê-lo.

Em 10 de fevereiro de 2012, Samadani peneirou os dados de seus testes e teve sua epifania. “Eu quase desmaiei”, diz ela . “Eu não podia acreditar. Eu não consegui dormir por dois meses pensando que talvez estava errada.”

Mas, até agora, após ensaios repetidos e apresentações aos colegas, os dados provam estar certos. Ele ainda precisa passar por uma revisão federal e científica, mas a tecnologia parece conseguir diagnosticar concussões, medir se alguém está melhorando, e mostrar se a lesão está curada o suficiente para retomar a atividade.

Samadani diz que o plano da Oculogica é fazer parceria com empresas para desenvolver um produto comercial. O único financiamento, que a empresa tem até agora veio de NYU. A próxima etapa será a de contratar uma equipe e buscar investimentos. Nesse meio tempo, a tecnologia está sendo testada em hospitais de Nova York e Filadélfia.

Quanto mais ampla esta promissora tecnologia puder alcançar, mais a sociedade será beneficiada. Então vamos esperar que os parceiros da Oculogica seja empresas de tecnologia de movimento rápido, que poderia construir uma versão de baixo custo e fácil de usar. Um iPad poderia funcionar como uma plataforma: mostrar um vídeo na tela enquanto uma câmera de rastreamento ocular ligada ao relógio correlacionado os dados  dos movimentos dos olhos.

© 2014, Newsweek.

5 dicas para tornar São Paulo mais sustentável

em Brasil/Saúde & Bem-estar por

Com quase meio milênio de idade, São Paulo, uma das maiores do mundo, acumula uma série de desafios que precisam ser vencidos para se tornar ecologicamente correta, socialmente responsável e economicamente equilibrada. A consultora da Keyassociados, Isabel Santos, apontou alguns caminhos para cinco áreas críticas da capital paulista.

1.Mobilidade

A sexta maior cidade do mundo em população, com 11,8 milhões de habitantes, possui um dos piores índices de congestionamento e uma das menores malhas metroviárias entre as grandes metrópoles do mundo (74,3 km ante 202 km da Cidade do México, por exemplo – dados do site Mobilize).

As faixas de ônibus criadas pela Prefeitura são iniciativas positivas e podem incentivar o uso menos assíduo do automóvel. Mas, é preciso ir além. “A saída é investir, principalmente, na periferia e na ampliação das linhas de metrô. A utilização da tecnologia BRT (Bus Rapid Transit) também é uma boa opção para as grandes cidades. Conforme dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), ela chega a transportar três vezes mais passageiros que os ônibus comuns”, diz a consultora.

Para a especialista, é preciso reestruturar a cidade, permitindo que cada bairro seja autossuficiente, e fazendo com que as pessoas não precisem percorrer grandes distâncias para trabalhar, estudar, praticar esportes ou lazer.

2.Áreas verdes

Segundo dados de 2012 da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a cidade de São Paulo possui 12,43 m² de área verde por habitante. Considerando apenas a mancha urbana da capital paulista, o município tem somente 2,6 m², em média, de área verde pública de lazer por pessoa. “O problema está na distribuição espacial dessas áreas verdes e na falta de manutenção das áreas já existentes. Boa parte desses espaços está mal cuidado e não há frequência de manutenção em seus equipamentos de lazer, corte e poda de árvores, além da falta de segurança”, comenta Isabel. Uma saída é criar áreas verdes onde há concentração maior de pessoas, investindo na revitalização de grandes avenidas e nas margens dos corpos d’água que cruzam o município.

3.Poluição

Grande parte da poluição atmosférica da cidade de São Paulo é causada por veículos automotores. O último Inventário Municipal de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa de São Paulo (GEE), divulgado em 2013, mostra que 82% das emissões de CO2 são geradas pela queima de combustível e pelos gases que escapam dos dutos que transportam gás natural. Cerca de 60% do item “queima de combustível”, por sua vez, está relacionada ao sistema de transporte.

“Para reduzir esses indicadores de poluição, é preciso incentivar o uso de metrôs, trens e bicicletas, e diminuir a frequência das viagens em veículos individuais, como motocicletas, que emitem 3 vezes mais monóxido de carbono do que os carros”, afirma.

A poluição também é um problema social. Pelo menos 4.655 pessoas morreram em decorrência da poluição do ar no município em 2011, conforme estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade. O estudo aponta também que se morre mais em São Paulo por causa da poluição, por ano, do que em acidentes de trânsito. A poluição da capital mata também três vezes e meia mais do que o câncer de mama e quase seis vezes mais que a Aids.

4.Água

Água e saneamento básico são essenciais para uma sociedade que pretende ser mais sustentável. No Brasil, o assunto é crítico e São Paulo não é exceção. Do total do esgoto produzido na cidade, 92% são coletados, sendo que desse volume somente 75% são tratados – o que corresponde a 69% do total gerado -, conforme dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). “Esses números nos alertam para dois pontos importantes: é preciso que 100% do esgoto coletado seja tratado e que a coleta atenda a todos os domicílios”, afirma a consultora da Keyassociados.

Outro problema está relacionado à disponibilidade de água na capital. Quase 50% da água consumida em São Paulo vêm do interior, por meio do Sistema Cantareira, do Rio Piracicaba e seus afluentes. “E isso tem gerado uma disputada acirrada entre os Comitês das Bacias Hidrográficas da região”, comenta Isabel. A especialista explica, por exemplo, que a cidade de Campinas deixa de receber empresas que utilizam muita água em razão da falta do recurso hídrico no município, visto que boa parte da água produzida na região vem para a capital (33 m³ de água por segundo).

5.Resíduos Sólidos

Aproximadamente 18 mil toneladas de lixo são produzidas diariamente na cidade, segundo dados da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb). “Para lidar com o lixo é preciso desenvolver ações em diferentes frentes: reduzir a produção de resíduos, o que envolve educação ambiental; incentivar e implantar ações de reciclagem; coletar 100% do lixo produzido; dar uma destinação correta a cada tipo de material descartado, além de promover capacitação e dar apoio aos trabalhadores das cooperativas de reciclagem”, afirma a consultora.

A especialista destaca a importância de educar as pessoas e de criar medidas que incentivem o descarte correto do lixo. Parte dos resíduos produzidos na capital acaba indo parar nas ruas e rios, o que provoca enchentes, o que, por sua vez, pode causar danos econômicos, como a perda de bens materiais, e até mesmo problemas de saúde, com a proliferação de doenças. A título de curiosidade, apenas uma única ação realizada no dia 21 de setembro de 2013 recolheu pelo menos dez toneladas de lixo das margens do rio Tietê, entre Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo, e Porto Feliz, região de Sorocaba.

A pensão por morte do menor sob guarda: proteção ou restrição social?

em Cultura e Entretenimento/Educação e Comportamento/Geral por

O Colendo Superior Tribunal de Justiça, conhecido também como Tribunal da Cidadania, dentro de suas destacadas incumbências jurisdicionais, comporta, em duas específicas Turmas Julgadoras, a análise sempre pontual das relações previdenciárias, sendo um verdadeiro interpretador de toda celeuma advinda da Seguridade Social, que apesar de ganhar na Lei Excelsa, capítulo e estruturação própria, ex vi do artigo 194 e seguintes do Texto Político, por certo que é na legislação hodierna que suas diretrizes se consolidam.

No presente e singelo estudo, visou-se a análise pontual de uma prestação previdenciária por excelência, quer seja a Pensão por Morte, mas não em toda a sua extensão e abrangência.

Com efeito, mister delimitar aqui o cerne de toda a vertente discussão, sobretudo para demonstrar o acerto ou não da interpretação conferida pelo STJ, nesta reflexão não só jurídica, mas sim, a social que se é esperada, quando a abordagem envolve o pacote previdenciário.

O Sistema de Seguridade Social trabalha com regimes jurídicos, para que seus preceitos basilares, aliás, de dimensão constitucional se convalidem para os seus sujeitos protegidos.

Assim, há necessidade de alocação constitucional e sistemática, por conta da exigência de que um instrumento jurídico de suma importância seja estruturado a ponto de ser harmônico e eficaz.

Logo, não há como ventilar relação previdenciária em si, divorciada de um planejamento constitucional sistemático e protetor por excelência.

Portanto, evidente que qualquer prestação previdenciária conferida dentro de um regime específico, detém nítido lastro protetivo e social, tendo em vista que o Legislador Ordinário elegeu os benefícios previdenciários como verdadeiros direitos sociais, conforme reza o artigo 06º, caput do Texto Maior.

A Pensão por Morte, atualmente alocada nos artigos 74 a 79 do Plano de Benefícios, Lei 8.213/91, bem como, nos artigos 105 a 115 do Regulamento Geral, Decreto-Lei 3.048/99, se trata de um benefício previdenciário de prestação continuada, que não depende de contribuições mínimas, mas, em regra, prescinde da qualidade de segurado e filiação do instituidor da pensão.

Pode assim ser originária, ou seja, advinda da plena relação previdenciária do falecido, quando integrante de uma das categorias de filiação ao sistema, ou derivada, quando advinda do gozo, pelo falecido, de um benefício previdenciário.

Entretanto, seus requisitos basilares nem sempre foram assim.

É que a Lei Eloy Chaves, de 1923, exigia-se do segurado mais de dez anos de efetivos serviços à empresa para os dependentes adquirirem o direito à pensão. Também, na Lei Orgânica da Previdência Social de 1960, a conhecida LOPS, a pensão somente se justificaria se houvesse comprovadamente a existência de doze contribuições mensais do falecido segurado.

Atualmente, como prenunciado, inexiste esta obrigação legal, de quantia mínima de contribuição do falecido, mas sim, em regra, apenas a demonstração de sua filiação ao Sistema, ou seja, sua qualidade de segurado.

Trata-se assim, de um benefício de risco, sendo desnecessário e não razoável exigir a carência, pois a morte, ao contrário da maternidade, por exemplo, se trata de um verdadeiro risco social e não contingência, sendo incerto e imprevisto o seu acontecimento, razão de que sua ocorrência, não programada por todos, deve estar inserida dentro de um pacote de proteção, para que os dependentes do falecido, se encontrem devidamente amparados.

Neste ponto, necessário o seu exaurimento para o enfrentamento do objeto central da presente reflexão.

Ocorre, que a pensão por morte atinge, é óbvio, os dependentes do falecido. Entretanto, este relacionamento jurídico não é direito com o Regime Jurídico Previdenciário em questão, mas sim reflexo, ou seja, mediante a relação previdenciária do falecido instituidor do benefício é que os dependentes são tutelados.

Trata-se, assim de relacionamento previdenciário indireto ou reflexo do dependente com o sistema previdenciário. Aqui, a diferenciação clara entre Segurado e Dependente.

De todo o modo, são ambos beneficiários da proteção, pois o artigo 01º do Plano de Benefícios não realizou nenhuma distinção a respeito.

Da mesma forma a legislação previdenciária vigente disciplina quem são esses dependentes, verdadeiros beneficiários não só da relação jurídica do instituidor, mas sim, de todo o sistema de proteção.

Com efeito, o atual artigo 16 da Lei de Benefícios e seus incisos, após sensíveis alterações legislativas, oriundas das Leis 9.032/95 e 9.528/97, objetivamente traz o rol de dependência e seus espectros legais.

Pois bem, além da adequação jurídica aos pressupostos de convalidação desta necessária dependência previdenciária, que não é automática em regra, devendo, em outras situações ser comprovada, outro ponto de partida se mostra notório dentro do campo de abrangência do benefício, aquecendo os debates e fomentando, pela jurisprudência o próprio melhoramento de modais jurídicos, quer seja, o marco inicial de observância normativa.

Aqui, o motivo central que move divergentes pontos de reflexão e estimula o aprimoramento dos estudos.

O MENOR DESIGNADO. GUARDA JUDICIAL. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA.

Especificando a reflexão, uma abordagem intrincada do campo de atuação da pensão por morte ganha relevo, sobretudo nos Tribunais.

Dentro da análise da dependência jurídica e previdenciária, a Lei de Benefícios, em sua redação original, trazia um outro rol de dependência.

Assim, o que dispunha o artigo 16 em seu parágrafo segundo: “Equiparam-se a filho, nas condições do inciso I, mediante declaração do segurado: o enteado; o menor que, por determinação judicial, esteja sob a sua guarda; e o menor que esteja sob sua tutela e não possua condições suficientes para o próprio sustento e educação”.

Ao que se vê, havia uma maior possibilidade de se ampliar os dependentes previdenciários, mediante deliberação do instituidor conforme os requisitos legais da época. Neste aspecto, o menor designado ou indicado, quando inserido no instituto da guarda judicial.

Pois bem, ocorreu que tal previsibilidade não se perdurou por muito tempo, tendo em vista que a partir de 14 de outubro de 1996, data da publicação da Medida Provisória nº 1523, reeditada e convertida na Lei 9.528/1997, o menor abrangido por guarda judicial, deixou de integrar a relação de dependentes para as finalidades do sistema, cuja exclusão se dá até a presente data.

Entretanto, citada exclusão legal, não foi bem aceita, tampouco comemorada por expressiva parcela da doutrina.

Tal defesa, aliás, lúcida e arrazoada, encontrando claro arrimo constitucional, em especial no artigo 227, § 3º da Lei Excelsa.

Ainda, a própria legislação específica ao instituto da guarda, abrangeu e estendeu esta previsibilidade constitucional.

Neste prisma a literalidade do artigo 33 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): “a guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários”.

O Professor Wagner Balera, uma das vozes doutrinárias mais respeitadas no âmbito previdenciário, se manifestou a respeito:

“É estranhíssima a exclusão de menor sob guarda do rol de dependente, consoante dispunha a primitiva redação do § 2º do art.16. O pretexto utilizado pelo Poder Executivo para propor a exclusão foi o comum em todas as distintas fórmulas de redução de direitos sociais: a existência de fraudes”.

Dando azo ao entendimento de expressivo Jurista, aliás, Mestre, Doutor e Livre-Docente pela PUC/SP, verdade que o Ministério Público Federal aforou diversas ações civis públicas em toda a federação, porém, após os esperados embates judiciais, tão somente em Minas Gerais e em Tocantins, o menor sob guarda judicial continua inserido no rol de dependentes previdenciários, por força de decisões ainda vigentes na ACP nº: 1999.38.00.004900-0 da 29ª Vara Federal da Circunscrição Judiciária de Minas Gerais e na ACP nº: 1999.43.00.000326-2 do Estado de Tocantins.

Ademais, perfilhou o entendimento esposado pelo STJ de que o contido no artigo 33 do ECA não pode ser aplicado aos benefícios mantidos pelo Sistema de Seguridade Social, em especial do Regime Geral, pois há lei de benefícios específica que trata da matéria.

Em que pese uma certa pacificação atual sobre o assunto, não se pode desnaturar os combativos argumentos contrários a exclusão, que fazem uma análise racional, harmônica e axiológica da proteção social conferida ao menor e adolescente, que dentre vários direitos, primou-se também, pela extensão aos previdenciários.

A ANÁLISE DO STJ E O REQUISITO TEMPORAL DE INCIDÊNCIA. EQUIPARAÇÃO.

Passadas essas preambulares e conceituais lições, de todo necessário ao fim deste breve estudo, oportuno demonstrar o posicionamento do Colendo STJ acerca da temática.

Tal fato, aliás, ganha relevo ao que vem assentando o Tribunal da Cidadania nesta seara, conforme o seguinte e recente aresto a respeito:

“A pensão por morte a ser paga ao menor sob guarda deve observar a lei em vigor na data do óbito do segurado, pois esse é o fato gerador para a concessão do benefício previdenciário: se o falecimento ocorreu antes da edição da Medida Provisória 1.523, de 11/10/96, o recebimento está assegurado; se a morte ocorreu depois, o menor não tem direito ao benefício. A conclusão é da 05ª Turma do STJ, que definiu também que o menor sob guarda não pode mais ser equiparado ao filho de segurado para fins de dependência”.

Do citado julgado do Colendo Tribunal, afere-se duas vertentes a respeito, sendo uma, no tocante a data do óbito, como ponto principal do marco temporal da incidência legislativa e de outro lado, ratifica a posição do guardião da lei federal acerca da impossibilidade da equiparação do menor sob guarda tão somente pela existência desta e da previsibilidade constitucional.

No tocante a primeira premissa, se mostra acertada a análise do Sodalício, que vai de encontro com o posicionamento doutrinário.

Logo, para a pensão previdenciária, o evento morte determina a legislação a ser observada.

Neste sentido, o caminho trilhado pelo próprio STJ:  “…é a data do óbito, em se tratando de pensão por morte, que assinala a lei de regência do benefício”. 

Pois bem, evidente que em uma singular análise, fácil detectar a data do óbito, como fato gerador da incidência da proteção previdenciária ao beneficiário, desde que observados os ditames legais, pouco importando então se o requerimento do benefício se deu em datas posteriores as várias mudanças legislativas, ou mesmo, se o instituidor do benefício já percebida aposentadoria em épocas distintas de textos legais alterados no tempo.

Entretanto, intrincada e tormentosa o estudo no que pertine ao menor sob guarda judicial.

Ao que se vê, a mais recente jurisprudência do STJ reputa qualquer equiparação, mas, nem sempre foi assim.

De fato, por vários anos, mesmo em períodos posteriores a mudança na legislação que excluiu o menor sob guarda do rol de dependentes previdenciários, analisou o Superior Tribunal a questão, de forma harmoniosa e consentânea aos postulados constitucionais.[4]

Pela análise até aqui esposada, fácil conferir que grande área ainda há para percorrer a respeito, não sendo de todo unânime o entendimento exarado pelo guardião da legislação federal pelos anos.

Por certo, que há aqui um aparente confronto de normas, premissas, valores e princípios, cabendo as fontes do direito alicerçar a ciência jurídica de argumentos consolidadores, para a proclamação ou não da equiparação.

Situação inusitada é a previsibilidade do menor tutelado, continuar a ser dependente legal para efeitos previdenciários em contra-ponto ao menor sob guarda, já excluído.

Por este ângulo, preferiu o legislador privilegiar a tutela do que a guarda judicial, advinda por um pronunciamento do Estado, não se sabendo ao certo, os motivos da diferenciação de dois institutos de direitos civis de aproximada índole e finalidade comum, quer seja, da proteção aos interesses do infante.

Assim, por exemplo, dois menores, um tutelado e outro, submetido a uma guarda judicial, para a mesma relação previdenciária terão tratamentos díspares, em frontal ataque ao princípio isonômico, sem falar do dever público, inserto na Lei Maior que anseia pela proteção dos interesses de todos os menores.

Sabido que toda a mudança legislativa deve atingir uma finalidade específica, uma adequação social relevante, de forma a tornar o fenomênico em adequação legal, condensando em normas, valores ou princípios reputados imprescindíveis de toda a ordem jurídica.

Em que pese a atual e mais recente posição do STJ a respeito, nítido o disparate legislativo, frente a outros postulados no tocante ao menor sob aguarda.

De todo o modo, a legislação não se apresenta como única luz no fim do túnel, mas conduz o intérprete do direito ao esperado raciocínio jurídico da questão posta para análise.

Pensar friamente nesta questão, pela simples literalidade normativa, é encontrar a possibilidade de fraude, como isolada razão para o legislador operar a exclusão da equiparação.

A harmonia dos sistemas jurídicos também passa pela harmoniosa junção de normas, que devem condensar os anseios de toda uma coletividade, o que foi feito, com as premissas calcadas no texto constitucional pelo Poder Originário.

Pensar exclusivamente na fraude, como óbice para a equiparação do menor sob guarda, é reprimir e retardar sobremodo o dever de cuidado e proteção do Poder Público com o próprio menor, negando vigência ao comando constitucional específico, além de, dentre outras várias razões, confessar a fragilidade total do sistema de fiscalização do próprio Estado, mostrando sua vulnerabilidade em tempos de vultuoso crescimento da era digital e mecanismos de controle, fazendo a regra, virar a exceção.

Verdadeiramente, essa intrincada questão merece profundo debate, já que não sedimentada de vez no cenário jurídico.

Independente das correntes existentes, cabe aqui ressaltar a grande contribuição que o STJ tem conferido não só a esse assunto, mas a várias outras questões previdenciárias de alto relevo. Por isto, denominado Corte de Superposição.

Assim, em havendo plano de proteção, como antes demonstrado, alocado, aliás, em arcabouço sistêmico constitucional, razão há para que todos os destinatários desta vontade protetiva devam ser tratados de forma igual e em harmonia com as próprias premissas condensadas em normas, cujos preceitos, derivam da própria vontade dos sujeitos protegidos.

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Sérgio Henrique Salvador – Pós-Graduado em Direito Previdenciário pela EPD/SP. Pós-Graduado em Processo Civil pela PUC/SP (COGEAE). Professor do Instituto Brasileiro de Estudos Previdenciários (IBEP). Professor da FEPI – Centro Universitário de Itajubá.

Dependência da internet é vista como doença do século por especialistas

em Educação e Comportamento/Mundo por

Problemas familiares, depressão e baixa autoestima fizeram Lucélia Cristina Paes, de 26 anos, tornar-se uma dependente da internet. Isto mesmo: o mundo virtual a fez perder 30 kg, em apenas um ano, além de perder o emprego, o casamento e, ainda, deixar de cuidar dos filhos e da própria vida. Este tipo de dependência recente, até então, sem local específico para tratamento, agora recebe atenção especial em clínicas de tratamento das diversas dependências, sejam elas físicas, comportamentais ou emocionais. Especialistas apontam a dependência da internet, como é o caso de Lucélia, como a “doença do século”.

A psicóloga especializada em comportamento Ana Leda Bella, do Centro Terapêutico Araçoiaba, em Araçoiaba da Serra (SP), explica que o uso excessivo da internet faz a pessoa perder a percepção do mundo real e viver as mesmas fantasias que constrói no espaço virtual, algo que pode ser comparado ao uso de drogas. “Tudo é droga, quando se trata de dependência. Por problemas familiares, a Lucélia acabou direcionando a frustração que sentia para a internet, mas poderia ter sido para as drogas. Foi a fuga que ela encontrou dos problemas do mundo real”, explica.

Ana Leda comenta que os sinais da dependência, apresentados pela jovem que, hoje, está em tratamento na clínica, são semelhantes aos de um usuário de drogas. “Ansiedade, irritação, depressão, calafrio e tremedeira. Os mesmos sentimentos de um dependente químico, quando sem a droga”, fala.

Os problemas de Lucélia tiveram início quando, ao ver o computador quebrado, resolveu comprar um telefone celular que a permitisse ter conexão à internet, de qualquer lugar onde estivesse. A partir daí, seu tempo conectada à rede aumentou progressivamente e ela não se dava conta do que estava fazendo. “Eu não dormia, não tomava banho e ficava sem comer. Tudo para continuar conectada.”

Lucélia, que pesava 80 kg, emagreceu 30, após a dependência pela web. Os filhos, uma menina de 6 anos e um menino de 2, viram a mãe se afastando do convívio familiar para se dedicar às fantasias virtuais. “Minha filha ficava pedindo para eu desligar o celular, mas eu nem ligava”, relata. Atualmente, Lucélia completa quatro semanas internada no Centro Terapêutico Araçoiaba e está confiante no sucesso do tratamento. Ela diz que toda a lição que está aprendendo servirá também para seus filhos e sua família. “A internet é necessária, mas é preciso ter cuidado, pois vicia, sim!” Pelos próximos três meses, a jovem participará das atividades terapêuticas na clínica. “Ficar sem meus filhos é muito ruim, mas eu preciso deste tratamento. Quero sair daqui com foco, por mim e por eles.”

Os riscos da dependência da internet

Com base no caso de Lucélia, a psicóloga Ana Leda enfatiza que é preciso ficar atento ao uso excessivo da internet, seja para a interação nas redes sociais, como em sites de compra e outros. “O isolamento da pessoa, o estilo de vida que ela leva, o ambiente familiar e a falta de diálogo dentro do lar levam muitas pessoas a buscar fugas, e uma delas pode ser a internet. Isto acarreta na dependência e se torna um problema muito grave.”

A especialista aponta que a tecnologia vem se tornando o principal atrativo para as crianças, que, com a permissão dos pais, passam horas na frente do videogame ou do computador, sendo, muitas vezes, presenteadas com telefones celulares e tablets. “Um dado alarmante é que muitos filhos, hoje, estão sendo criados mais com convívio da internet do que dos pais. Se os responsáveis não souberem introduzir esta tecnologia no dia a dia das crianças, elas terão problemas com dependência no futuro.”

Uma dica da psicóloga é o estímulo dos pais às brincadeiras externas. “As crianças precisam jogar bola, praticar esportes e brincar com os colegas. Organizar o horário do filho para cada atividade é primordial”, conclui.

Escolha a sua Distopia

em Educação e Comportamento/Geral/News & Trends por

A utopia é uma piada. A palavra vem do grego ou topos, que significa nenhum lugar, sugerindo a impossibilidade da sociedade ideal que a palavra sugere. A noção entrou no nosso léxico em 1516, quando Thomas More publicou o livro Utopia que imaginava “o melhor estado de um bem público”, uma sociedade de cortesia religiosa e do bem comum.

Escrevendo três séculos mais tarde, Karl Marx advertiu que “o homem que elabora um programa para o futuro é um reacionário”. Que ironia, então, que sua escrita levasse tanto derramamento de sangue em nome do progresso.

A utopia é ilusória, mas a distopia é muito real, um futuro ainda mais assustador do que o presente triste. Um gênero distintamente moderno, a ficção distópica tem um propósito corretivo que lembra as pinturas medievais de condenação (o fogo do inferno, diabos, etc), que deveriam chocar o pecador frente a probidade da fé em Deus. O romance distópico é uma paisagem de Bosch (pintor holandês dos séculos XV e XVI) para o homem moderno.

Provavelmente, o primeiro grande romance distópico do século 20 foi o de Yevgeny Zamyatin, em 1921, chamado We, o qual foi concluído na iminência da ascensão de Joseph Stalin e previu seu modelo totalitário, em que a vontade humana é subordinada às forças que assustam a mente enquanto domina os impulsos carnais do corpo. Os livros 1984, de George Orwell, e o Brave New World, de Aldous Huxley, imaginaram a malignade decorrente da busca por aquilo que Zamyatin chamou de “felicidade irrepreensível”, uma frase que se torna mais ameaçadora quanto mais sua mente permanece nela.

Os romances distópicos de hoje parecem menos preocupados com os sistemas políticos repressores do que com a tecnologia digital. Haverá cerca de 10,9 bilhões de pessoas na Terra em 2100. Alguns viverão em torres de vidro onde os sensores de rastreamento de retina irão ajustar a temperatura ambiente, muitos viverão em comunidades lotadas, tanto quanto eles fazem hoje em Bombaim (Índia), Lagos (Nigéria) e em Los Angeles (EUA). Eles vão beber a mesma água suja que os pobres sempre beberam. A Grande Porção de Lixo do Pacífico crescerá, assim como o buraco na camada de ozônio.

Não é nenhuma surpresa que três de nossos melhores romancistas – Margaret Atwood, Chang-rae Lee e David Eggers – publicaram recentemente romances distópicos que advertem contra um mundo que é divido entre bolsões de tecno-luxo e vastas extensões do vintage, a miséria pura. Com as particularidades respeitadas, cada um desses romances sugere que estamos cegos para o que estamos fazendo a nós mesmos, uns com os outros e com a Terra.

O livro Maddaddam, de Margaret Atwood, é o culminar de uma trilogia (com o mesmo nome), que começou com Oryx e Crake (2003) e continuou com The Year of the Flood (2009). Uma boa parte da paisagem recorda as imagens icônicas da moderna Detroit, com seus campos semeados com decadência e grandes edifícios antigos que se parecem bocas sem dentes.

Esse futuro é sombrio, com certeza, mas Atwood diz que o otimismo sobre a condição humana não se justifica pela história. Enquanto Maddaddam é a mais plena realização de Atwood que o futuro poderia obter, ela espera que os mocinhos ainda possam prevalecer ou, pelo menos, lutar decentemente.

“Nós não chegamos lá ainda”, diz Atwood secamente. “Aleluia. Estou feliz com isso.”

O mais recente romance de David Eggers, The Circle, é um espelho no qual poderíamos vislumbrar nossos eus dispersos se não estivéssemos tão ocupados tirando mais uma selfie. Embora Eggers dizer que não ter visitado os campi de empresas de tecnologia, como o Facebook ou o Google para pesquisa, ele parece ter abatido os elementos mais assustadoras do Vale do Silício para a empresa que ele chama de círculo. O protagonista, Mae Holanda, torna-se um inquestionável de sua utopia digital sufocante e é tão fielmente retratado, que uma ex-funcionária do Facebook, Kate Losse, acusou Eggers de roubar sua autobiografia, chamada The Boy Kings: A Journey Into the Heart of the Social Network.

Eggers disse ao The Telegraph no final do ano passado que a maior ameaça à nossa liberdade é o nosso “sentimento de que temos o direito de saber tudo o que quisermos sobre qualquer um que desejarmos”. O autor diz, com absoluta convicção, que a humanidade gloriosamente entrou em uma “época em que nós não permitimos que a maioria do pensamento da ação humana e da realização aprenda a escapar de um balde furado”.

O novo romance de Chang-rae Lee, On Such a Full Sea, é mais surpreendente do que seus pares distópicos. Escrito na primeira pessoa do plural, é elegantemente ameaçador e agudamente ao contrário de outros romances de Lee, que em grande parte focam na experiência asiática na América, com as gêmeas constantes: a alienação e assimilação.

Lee, em sua obra, chama a “experiência do pensamento”, que pode muito bem descrever todos os romances, mas os distópicos em particular, uma vez que não têm o luxo de habitação no passado e geralmente tem que se aventurar muito longe do presente. On Such a Full Sea é um romance das desigualdades suprimidas que voltam com força redobrada assim como no filme distópico Elysium.

Mas que outra escolha temos? Mesmo que o futuro pareça um mau presságio, as espécies se movem em direção ao desconhecido. Só nos resta rezar para que ele não seja tão ruim quanto nossas imaginações mais escuras e distópicas. Esses romances sombrios nos servem como uma espécie de catarse. Você fecha o livro e diz para si mesmo: o futuro não vai realmente ser tão ruim assim… Eu espero.

(C) 2014, Newsweek.

Medicina brasileira é destaque na Alemanha

em Brasil/Saúde & Bem-estar por

Armando Lobato leva técnica de cirurgia endovascular criada e aperfeiçoada no Hospital Santa Catarina para evento internacional.

O Hospital Santa Catarina será palco de duas cirurgias endovasculares, procedimentos desenvolvidos pelo cirurgião Armando Lobato, pioneiro na técnica Sandwich – uma operação menos agressiva e invasiva para resolver aneurismas aórticos. As intervenções serão transmitidas ao vivo no Leipzig Interventional Course (Linc 2014), no dia 29 de janeiro.

A técnica desenvolvida por Lobato, em 2008, revolucionou o tratamento de aneurisma no mundo e é utilizada em outros centros clínicos, inclusive na Universidade da Califórnia (Ucla). “O trabalho que desenvolvi no Hospital Santa Catarina destaca-se pela rápida recuperação do paciente, além de reduzir o risco de morbidade e mortalidade, quando comparada aos procedimentos convencionais”, comenta o cirurgião.

Em sua décima edição, o congresso é referência mundial em cardiologia e contará com a participação de mais de 5 mil cardiologistas, angiologistas e cirurgiões vasculares de 70 países entre 28 e 31 de janeiro. O especialista brasileiro, o único convidado da América Latina, ainda estará em duas mesas de discussão sobre as técnicas que criou e aperfeiçoou na instituição.

Além da transmissão do centro de hemodinâmica do hospital, outras 11 instituições foram convidadas para expor suas técnicas para os congressistas, a maioria da Europa. “O destaque para a técnica Sandwich é conseguir promover tratamento para o aneurisma do arco aórtico, toracoabdominal e aortoilíaco, reduzindo o risco de morte em 25%, comprovando a confiabilidade e segurança da técnica”, salienta Lobato.

O aneurisma da aorta é caracterizado pela dilatação desse vaso sanguíneo, em mais de 50%, causada por doenças degenerativas ou como complicação da dissecção dessa importante artéria – podendo ocorrer em outras regiões do corpo. A doença mata mais de 6,5 mil pessoas anualmente. A maior parte dos pacientes está na região Sudeste e ligada à hipertensão e ao tabagismo.

Os 7 principais erros de um líder

em Negócios por

Um dos assuntos mais comentados e estudados dos últimos tempos é a questão da liderança e de como ela pode ser aplicada nas empresas.

São diversos pontos que permeiam como ser um bom líder, como ser um líder que as pessoas se espelhem, como ser um gestor respeitado e etc.

Baseando na vasta literatura que podemos encontrar sobre esses assuntos, nos deparamos com a seguinte pergunta: existe realmente uma fórmula ou uma receita de como ser um bom líder de uma equipe?

Cada vez mais as situações do dia a dia nos colocam para lidar com uma diversidade tão grande de pessoas vindas de culturas, valores, histórias de vida e com percepções de mundo tão distintas das nossas, que talvez nos façam perceber que você deva se adequar a cada situação e a cada pessoa usando diferentes estilos e traços de liderança. Partindo dessa premissa é mais fácil pensar no que NÃO fazer, e que com certeza lhe ajudará a ter sua equipe mais engajada, comprometida e porque não, mais feliz.

1.TRATE TODOS DA MESMA MANEIRA

As pessoas são diferentes, pensam de formas distintas, tem preferências e gostos variados, então por que deveríamos tratá-las de formas iguais? O jeito que uma pessoa prefere ser comunicada, elogiada e criticada com certeza é diferente de outra da mesma equipe, portanto, você líder, deve saber “mapear” os estilos de cada pessoa da sua equipe para ser cada vez mais assertivo em suas comunicações e interações. Com certeza isso trará resultados muito positivos na produtividade de sua equipe e na forma que eles o veem.

2.AJA DIFERENTE DO QUE FALA

A equipe é o reflexo de seu líder e de suas atitudes e não do seu discurso. Portanto crie uma coerência entre suas ações e o que fala, seja para se espelharem em suas atitudes como para criticá-las posteriormente. Lembre-se: você está sendo observado a todo momento por sua equipe. Não cobre um comportamento de sua equipe que você não demonstra no seu dia a dia.

3.GUARDE CONHECIMENTO

Guardar conhecimento é uma coisa que você deve fazer caso queira demonstrar insegurança, inexperiência e instabilidade emocional, passando a todos que se sente ameaçado pela sua própria equipe. Agora caso não deseje que as pessoas tenham essa imagem de você, faça de seu conhecimento um patrimônio público. Você se surpreenderá com o canal que acabará criando com uma pessoa quando você a ajuda a resolver um problema, ou a ensina a realizar algum procedimento que você domina.

4.SUBESTIME A INTELIGÊNCIA DE SUA EQUIPE

Não seja objetivo e seguro em suas comunicações, seja prolixo, redundante e tente passar uma imagem não coerente com o momento que a empresa está passando. Esse é um ótimo caminho para manchar sua imagem como líder. Um exemplo é que muitos gerentes conduzem e manipulam reuniões para dar a falsa sensação de que tudo está sendo decidido em conjunto, sendo que a decisão já foi tomada previamente, ou até mesmo antes da reunião começar. As pessoas poderão perceber essa manobra e se sentirem ofendidas, além de você cair em descrédito. Seja transparente, fale a verdade, jogue limpo, lembre-se que sua equipe poderá te cobrar de todas as suas ações.

5.NÃO DÊ IMPORTÂNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL DE SUA EQUIPE

Todas as pessoas querem e precisam de crescimento profissional, e você como um líder tem a obrigação de fornecer as ferramentas necessárias para desenvolver sua equipe e ajuda-las nesse percurso. Crie com cada membro de sua equipe um PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) contendo objetivos pessoais e profissionais de desenvolvimento no início do ano. Feito isso agende encontros recorrentes para realizarem o acompanhamento desses objetivos e monitorarem se estão progredindo da forma esperada. Se mostre disponível e interessado no desenvolvimento de sua equipe e lembre-se, que uma vez líder, você passará a ser avaliado pelo desempenho de sua equipe, portanto invista na evolução deles.

6.NÃO EXPLIQUE O PORQUÊ

Aquela história de “porque sim” não existe. Isso mostrará a todos que você está inseguro quanto ao seu conhecimento e ao cargo que ocupa, além de passar um ar de superioridade que não te trará bons frutos. Sempre explique todo o contexto de uma atividade, o porquê daquela ação, o impacto que elas terão no todo e se colaborador possui alguma sugestão de como realizar aquilo de uma outra forma. Isso trará um sentimento de real importância para sua equipe, que um líder não vai querer ignorar.

7.FALE MAIS DO QUE ESCUTE

Quando estamos em uma função operacional, ouvimos nosso superior sempre dar a última palavra, ser a voz ativa da reunião, aonde a maioria das pessoas o escuta. Agora, você na posição de liderança quer aproveitar e falar tudo o que não lhe deram oportunidade. Errado!

Um bom líder não perde a chance de ouvir sua equipe, demonstrando real interesse no que estão dizendo, sempre aberto para opiniões, criando e estabelecendo juntos um canal aberto para que todos se sintam importantes e parte do todo.

Por outro lado, utilize o tempo enquanto escuta para refletir e falar no momento certo, dando a todos um exemplo onde você utiliza a contribuição dada por todos para criar realmente uma posição final.

Que tal lembrar desses pontos no seu dia a dia? Faça um teste, comece a evitar essas situações praticando as dicas acima, e prepare-se para ser visto de uma forma diferente.

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Roberto Medeiros é pós graduando em gestão de serviços e Gerente de Serviços da SOU.

Onde a bola quica – Pirraça

em Coluna por

Gui

Onde a bola quica – Pirraça

Em época de Copa do Mundo, surgem muitas histórias de personalidades do futebol. Casos de jogadores que saíram dos cantos mais improváveis do planeta e chegaram ao status de ídolos mundiais. Mas e os verdadeiros artistas da bolas, onde ficam?

Essa história quem me contou foi mais um desses artistas. Artistas mesmo, estilo circense, que rodam pelos campos do interior, onde a bola mais quica do que rola. Onde o cara do escanteio sente até a respiração do torcedor do seu time, ou seja lá o que for, quando o corner é no canto da torcida adversária.

Era a final do campeonato regional semiprofissional de futebol. Depois de 32 anos de fila, o glorioso Nacional de Birigui chegava à decisão. Pela frente, a forte e bem armada equipe Sociedade Atlética de Guararapes, defensora do título e, nos balcões dos bares da região, grande favorita ao título.

Vem o primeiro jogo da decisão e mesmo segurando heroicamente o 0x0 na casa do adversário, os torcedores do Nacional saem do jogo com o sentimento de quem sofrera uma goleada. O seu craque, um talentoso e rabiscador meia canhoto, se contundiu durante o jogo e sua ausência na finalíssima foi confirmada ainda em campo, por Clésio Mãos de Fada – massagista/preparador físico/auxiliar técnico e motorista de ônibus do time.

De volta à Birigui, uma reunião para encontrar uma solução milagrosa, foi convocada pelo presidente Aurélio “Pé de Moça” (apelido que ganhou por ser um grande empresário do setor de calçados femininos).  Na tensa reunião se ouvia mais o silêncio do que as vozes. Todos só falavam da falta que  o camisa 10 faria no último jogo, até que Clésio (que também era um perspicaz estudioso dos estatutos dos campeonatos) gritou: Raí.

Todos olharam para ele, e as perguntas se sucederam: como assim Raí? Raí, irmão do Sócrates? O tricolor? Quer chamar o Raí para o lugar do Meiinha?

– Não!  – Respondeu o Clésio

– Campeonato Paulista de 1998 (Clésio também tinha uma memória colossal sobre dados e estatísticas de futebol, parecia até um comentarista alto, magro, da tv a cabo, cujo nome me escapa agora) e continuou o seu raciocínio – o São Paulo conseguiu inscrever o Raí para jogar só a final do campeonato, achou uma brecha no estatuto e pronto. Deu tão certo que o Raí não só jogou, como ainda marcou um gol e deu uma assistência. Vamos fazer isso, vamos buscar o nosso craque e inscrevê-lo para final.

Sim, até nos campeonatos semiprofissionais, existem profissionais em burlar o regulamento.

Passada a euforia, todos começaram a buscar “o nome” capaz de levantar a taça para o Nacional de Birigui. O nome que seria o responsável pela inauguração da sala de troféus do centenário clube do oeste paulista.

Willian, Patrício, Leleco Roque Brita, Galego e mais algumas dezenas de nomes foram sendo falados, até que alguém citou um, capaz de novamente silenciar a sala: Pirraça.

Pirraça: veterano no futebol de várzea, tido por todos como o novo Pelé, quanto atuava na base de um grande time paulista. Durante e a sua juventude, fora apelidado de Mara, Roma, Fenômeno e muitos outros apelidos devido ao seu talento, mas ficou marcado pela alcunha que descrevia o seu temperamento: Pirraça.

Após outras horas gastas discutindo a opção, foi decidido. Iriam atrás do Pirraça.

No dia seguinte o presidente do Nacional e o treinador viajaram 125km para contratar o craque. Chegaram na porta de sua casa, respiraram fundo e bateram.

De regata, boné, óculos escuros na testa e cordões dourados no pescoço o jogador os recebe.

Pirraça, estamos aqui pra te chamar pra disputar a final do regional pelo Nacional. Um jogo e a chance de ser campeão. – Falou firme o presidente do clube, mas que por dentro tremia diante da fama do boleiro.

Surpreendendo a todos, ele respondeu: onde assino.

Presidente – Então vamos pra cidade, pra vc já se integrar ao elenco.

Pirraça – O que, nesse carro? Vou não, só chego na cidade se for de importado.

Presidente – Mas Pirraça, o jogo é amanhã, tá todo mundo te esperando pro treino e a concentração hoje.

Pirraça – Traz o importado ou pode rasgar o contrato.

Começando a entender o porquê do apelido, o dirigente solicita um carro importado.  E ironicamente pergunta: mais alguma coisa.

Pirraça – Apresentação no estádio, com pelo menos 5 mil pessoas me esperando.

Presidente – Pirraça, 5 mil pessoas é o que conseguimos colocar no estádio em jogo importante. A nossa média é de 1.200 torcedores.

Pirraça – Então não vou.

O Presidente já desesperado fala para o assessor: liga para a organizada e veja quantas pessoas conseguem levar.

Presidente: Pronto, Pirraça, vamos então.

Eles chegam na cidade, todo mundo de bandeira na mão e faixas de incentivo, entrando no estádio, Pirraça é ovacionado pelo público: Pir-ra-ça, Pir-ra-ça…

O presidente pede pra ele falar e lhe entrega o microfone, todo mundo esperando as suas palavras e as primeiras foram:

–  Só falo hora que todo mundo estiver escutando.

Acaba a apresentação à torcida e o “diferenciado” é apresentado aos colegas, cumprimenta todo mundo, pega as suas coisas e sai.

O presidente e o treinador, logo o questionam, pra onde você vai?

– Vou me concentrar no puteiro.

Como assim no Puteiro? Questionou o presidente.

– Ou é lá, ou em casa. Pode escolher. E se for em casa, eu não jogo.

Já cansado das vontades do jogador, o presidente nem rende assunto e aceita.

No dia seguinte o Pirraça vai direto para o estádio e encontra os seus companheiros no vestiário. O treinador volta a se animar e começa a preleção.

De cara, escala Pirraça na armação, jogando solto e sem obrigação de voltar. Acreditando estar agradando a sua estrela, ele é surpreendido com o balançar negativo da cabeça do jogador.

Treinador: O que foi Pirraça, não gostou do esquema?

Pirraça: Gostei, mas só entro no segundo tempo.

O treinador chama o presidente, todos argumentam, ameaçam cancelar o contrato, mas o jogador está irredutível, ou é no segundo tempo ou não joga.

E assim foi.

Os times entram em campo, se perfilam, estádio lotado, hino nacional tocando e a cidade inteira esperando a esperança entrar em campo. Logo que notam a ausência dele começam a gritar: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!

Começa o jogo, e favorito Guararape pressiona o time da casa. Bola na trave, bola raspando, bola tirando tinta… A torcida desesperada, percebe Pirraça no banco e em coro solta o grito: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!

O treinador, que desesperadamente acompanha o jogo da beira do campo, olha para o banco como que suplicando para o seu craque, que calmamente o responde com gesto de mão dizendo “calma”.

A torcida não entende e não perdoa o treinador: bur-rô! Bur-rô! Mostrando solidariedade com o comandante, Pirraça se levanta do campo e repete o gesto para com as mãos para a torcida “calma”.

Segue o primeiro tempo, o placar não se altera e, para o desespero de todos os biriguenses, nem a pressão do time visitante.

Finalmente os times vão para o intervalo, saem os times, o apitador, os bandeiras e para o delírio da galera, ele: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça! Que agradece o carinho da torcida com o seu gesto de “calma”.

O treinador, nervoso e ansioso por contar com o craque, praticamente repete a preleção do início. E praticamente tem a mesma surpresa. Pirraça avisa que só vai entrar aos 40 da etapa complementar. Com os olhos cheios d`água, o treinador nem discute, nem chama o presidente, nem o papa.

Os times voltam, a torcida empolgada: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!…

E o Pirraça: “calma”.

O segundo tempo começa como o primeiro, aos 10’ o treineiro olha para o banco, meio que pedindo um favor ao jogador e ele: “calma”. Aos 20” a 7ª bola na trave, o 10º olhar do treinador e mais uma vez as mãos do boleiro: “calma”.

A torcida não se cala, a cada perigo solta o grito de Pir-ra-ça! Pir-ra-ça! e a cada grito era “acalmada” pelos gestos do jogador.

Aos 37 ele se levanta, o primeiro que vê grita: é agora! Em delírio a galera, o estádio, a cidade, região grita em uma só voz: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!

Repetindo o irritante grito ele começa a se aquecer e aos 40 em ponto, ele está pronto na linha de lado, ao centro do campo, esperando apenas o companheiro que sai para cumprimentar.

Aos 43 recebe a primeira bola no círculo central, sem tocar na pelota leva os dois volantes num jogo de corpo.

Corre com a bola colada aos pés (lembrando um argentino que joga na Espanha, até pela sua altura) atravessando a intermediária, o primeiro zagueiro vai pro bote e leva uma meia lua, a sobra cai sentado depois da caneta.

Agora é ele, o goleiro e o gol. Com a mesma velocidade, invade a área, a torcida se levanta e o goleiro desesperado não sabe se sai do gol ou se defende as metas.

Não tem mais jeito, o Pirraça chegou.

O goleiro sem ter o que fazer, nem tempo pra pensar, se joga nas pernas do craque e leva um drible desconcertante. Está lá estirado no chão.

O quase herói da cidade está pronto para entra com bola e tudo no gol, sem a menor humildade, quando para em cima da linha.

Todo mundo para junto com ele, os colegas, os adversários, a torcida e até um quero-quero que corria atrás do gol.

O goleiro por reflexo ameaça se mexer em direção a bola e escuta do jogador com o dedo em riste: se mexer eu faço.

Um torcedor não se contém e solta o grito: faz logo essa merda de gol. Pirraça o procura na arquibancada e responde com o mesmo dedo apontando: se pedir eu não faço.

O goleiro tenta tirar a bola com os olhos e escuta: se mexer eu faço.

E para os gritos da torcida ele respondia: se pedir eu não faço.

Quanto terminou o jogo?

Se perguntar eu não falo.

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Guilherme Lemos. Mineiro, marido, dono da Berê, cruzeirense, publicitário e fã de futebol. Mais ou menos nessa ordem. Ah, eu ainda aprendo a surfar. © 2014.

Depressão ainda é tabu entre os homens

em Educação e Comportamento/Saúde & Bem-estar por

Falar de depressão e tratá-la ainda é um tabu no universo masculino. Há estudos que indicam que é uma doença predominante do sexo feminino, mas há outros que apontam que os homens procuram menos auxilio quando apresentam um quadro depressivo.

A teoria de que eles evitam procurar ajuda é retratada no Centro de Pesquisas, que seleciona pacientes com idade entre 18 e 65 anos com interesse de fazer parte de um programa de estudo de medicamentos antidepressivos.

De cada 40 pacientes inscritos no programa gratuito, apenas um é homem. “Há uma certa resistência em aceitar a depressão por entender que é algo que atinge valores morais, por achar que perdeu-se a capacidade de lidar com os problemas ou porque simplesmente é uma fraqueza”, explica Luiz Fernando Petry  que é médico psiquiatra do Centro de Pesquisas Dr. Hamilton Grabowski.

Petry lembra que a intenção do programa é comparar o resultado entre dois antidepressivos já existentes no mercado há mais de 15 anos. Segundo ele, pacientes podem apresentar um diagnóstico feito por clinico ou fazer uma consulta no centro de pesquisas para saber se apresenta quadro de depressão ou não. “O diagnóstico é feito com sintomas centrais e acessórios: os sintomas centrais são a alteração na qualidade de humor, quando a pessoa começa a sentir tristeza, melancolia, com uma frequência muito grande e sem um motivo, além da diminuição de ânimo para fazer as coisas.  Já a insônia, diminuição de apetite e alterações de libido são sintomas acessórios”, detalha o psiquiatra.

O médico lembra que o tratamento com os antidepressivos testados são seguros e eficazes, mas destaca que mudanças de hábitos e outras terapias auxiliam no desaparecimento dos sintomas. “Terapias de motivação comportamental e atividade físicas são importantes durante o tratamento”, conclui.

A educação que se deseja

em Brasil por

Nosso país tem objetivos e prioridades. Nosso povo tem esperanças. A nação brasileira vive acreditando em seu futuro e sonhando com o momento em que contradições sejam minimizadas e melhores condições de vida sejam, de fato, realidade. Neste enamoramento pela felicidade que há de vir, a política surge como o caminho mais óbvio a ser percorrido até o dia em que o sol redentor passe a iluminar a nossa pátria. E, como pano de fundo dessa visão paradisíaca, aparece a EDUCAÇÃO. Meio e fim da obra política mais suprema, está nos discursos bem comportados de todos nós. E parece ser a solução para tudo. Os bons políticos são ou serão aqueles que nos derem mais e melhores escolas, acabarem de vez – e de verdade – com o analfabetismo e nos tornarem pessoas mais preparadas para os desafios do mundo. Mas, será que é isso mesmo?

Será que, alguma vez, já tivemos a curiosidade de perguntar às pessoas por que ou em quê essa tal “educação redentora” pode nos trazer o jardim encantado escondido em algum lugar do futuro? É fato que aquilo que é consenso geralmente não merece questionamentos.

Então, para que discutir o óbvio? Mas, talvez esteja aí justamente a razão pela qual esse dia pareça ficar cada vez mais distante. Um conceito tornou-se clichê e ninguém mais pensa no que é reclamado ou afirmado. E, dentro dessa perspectiva, vem uma outra questão ainda mais forte: será que o brasileiro, de um modo geral, deseja a Educação para si e seus filhos?

O desejo é algo bem maior que o querer. Desejar é mais poderoso que projetar ou planejar alguma coisa. E não se deseja racionalmente. Está presente em nós, ou não. O velho Freud dizia que o desejo é reminiscência de um prazer primordial; uma busca psíquica de situações em que possamos gozar de novo, como da primeira vez. Cada vez que desejamos, estamos caminhando em busca de algo etéreo, que não cabe necessariamente em palavras fortes ou discursos articulados. Pensando nisso, é possível afirmar que nós, brasileiros, desejamos realmente essa tal Educação?

Posso estar muito enganado, mas nossos desejos parecem passar bem longe de situações de aprendizado, ou em que constatemos que dominamos algum conhecimento. Enquanto palavras vazias e bem comportadas nos tranquilizam, desejamos ardorosamente tantas outras coisas, que a visão de uma nação educada vai se esmaecendo até desaparecer por completo.

O carro do ano, a casa a ser apresentada aos amigos, as roupas, as marcas, os cargos a serem invejados: tudo isso é parte de um rol de desejos que se confundem com a felicidade a ser construída – também lá na frente, afinal, o futuro abriga o que quisermos. E como falamos nessas coisas todas! Não nos saem do imaginário e desabam a cada conversa. É raro, muito raro, tomarmos nossos cafés discutindo sobre o salário aviltante dos professores – no máximo, nos lembramos disso quando a TV mostra que estão em greve, atrapalhando o trânsito da Paulista. Não é comum criticarmos nossos filhos pela sua preferência por filmes que colocam o jovem estudioso como idiota – ou nerd.

Chegamos a passar anos sem discutir, uma única vez que seja, o fato de termos escolas públicas tão sucateadas e em estado de quase indigência. Não quero ser chato, mas a maioria das pessoas costumam não trocar um passeio ao shopping por uma leitura, uma ópera ou um museu.

Então, EDUCAÇÃO não será apenas figura de retórica? Ou estarei exagerando? Nós a desejamos mesmo ou apenas torcemos para que apareça magicamente e resolva todos os nossos problemas? Às vezes, sinto que a ideia de Educação parece cumprir um papel secundário na vida do País. Uma bela palavra, sem dúvida. Sonora, estridente. Mas, pode ser só aquela reza diária – necessária – que nos purifica do triste descaso com o presente. Ou, quem sabe, um belo tesouro perdido no futuro distante e pronto para ser descoberto quando os desejos todos já estiverem realizados.

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João Luiz Muzinatti é  Mestre em História da Ciência. Engenheiro. Professor de Matemática, Filosofia e Ciências. Professor universitário em graduação e pós-graduação e de ensinos fundamental e médio. Diretor do ABC Dislexia – atendimento a alunos, consultoria, cursos e palestras em Educação. Consultor do MEC em Filosofia, na TV Escola – programas “Acervo” e “Sala de Professor”.

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