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News & Trends

Controle de natalidade x maior risco de glaucoma

em Geral/Saúde & Bem-estar por

Usuárias de longo prazo de contraceptivos são duas vezes mais propensas a desenvolver glaucoma.

Um trabalho da Association Between Oral Contraceptive Use and Glaucoma in the United States – apresentado durante o congresso anual da Academia Americana de Oftalmologia, em Nova Orleans, EUA, revelou que mulheres que tomaram contraceptivos orais por um período de três anos ou mais são duas vezes mais propensas a desenvolver glaucoma, uma das principais causas de cegueira mundial, que chega a afetar cerca de 60 milhões de pessoas no globo.

“Os pesquisadores alertaram ginecologistas e oftalmologistas, destacando que estes profissionais precisam estar atentos para o fato que os contraceptivos orais podem desempenhar um papel importante em quadros glaucomatosos. Estes profissionais devem informar suas pacientes sobre a importância dos exames de visão periódicos e sobre os outros fatores de risco para a doença, visando a prevenção do glaucoma”, destaca o oftalmologista Virgílio Centurion (CRM-SP 13.454), diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

O estudo – conduzido por pesquisadores americanos e chineses – é o primeiro a estabelecer um maior risco de glaucoma em mulheres que usaram contraceptivos orais por um período de três anos ou mais. Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores analisaram dados públicos do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição, administrado pelo Centro de Controle de Doenças, entre 2005-2008, que continham dados de 3.406 participantes do sexo feminino com 40 anos ou mais de todo os Estados Unidos. As participantes responderam a um questionário sobre sua saúde reprodutiva e se submeteram a exames oftalmológicos. Constatou-se que as mulheres que usaram contraceptivos orais, não importa qual o tipo, por mais de três anos, apresentam 2,05% mais chances de também relatar o diagnóstico de glaucoma.

“Embora os resultados do estudo não indiquem claramente de que forma os contraceptivos orais possam ter um efeito causador no desenvolvimento do glaucoma, eles indicam que o uso, a longo prazo, de contraceptivos orais podem ser um fator de risco potencial para o glaucoma. E este dado pode ser considerado como parte do perfil de risco para uma paciente em conjunto com outros fatores de risco existentes já conhecidos, tais como: etnia, história familiar de glaucoma, história de aumento da pressão ocular ou defeitos no campo visual existentes”, explica a oftalmologista Márcia Lucia Marques (CRM-SP 110.583), especialista em glaucoma, que também integra o corpo clínico do IMO.

Estudos anteriores já haviam revelado que o estrogênio pode desempenhar um papel significativo na patogênese do glaucoma. “Este estudo deve ser um impulso para futuras pesquisas para comprovar a causa e o efeito de contraceptivos orais e o glaucoma. Pois, a pílula anticoncepcional hoje é uma grande aliada da mulher moderna e independente. Atualmente, nenhuma doença ocular é contra indicação absoluta ao uso do contraceptivo oral. Neste momento, as mulheres que tomaram contraceptivos orais por um período de três anos ou mais devem ser rastreadas para glaucoma e acompanhadas de perto por um oftalmologista, especialmente se elas têm outros fatores de risco já existentes”, recomenda a médica.

Máquina dos sonhos: diga que não é muito cara

em Geral/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Por Marissa Rothkopf-Bates

Pouco tempo depois que eu comecei a testar a semiprofissional The Oracle, uma máquina de café expresso de luxo da Breville, que custa 2 mil dólares, parei em um café local para comprar alguns grãos de café recém-torrados.

Os grãos que eu tinha em casa foram se transformando em amargas xícaras de café expresso e rapidamente eu estava perdendo a fé na The Oracle e suas promessas de café cor de avelã com um creme perfeito. Na minha pressa de ver a máquina em ação, ignorei o que o manual dizia repetidamente: os grãos frescos são o segredo.

Exatamente o que me levou até o Java Love Roasting Company , um café de Nova Jersey com um nome vagamente rastafári, que serve um dos melhores lattes deste lado de Roma.

Eu disse ao barista gentilmente que estava testando uma máquina de café expresso em casa, que poderia fazer o café como sua Rancilio, uma gigante de 6 mil dólares que agita centenas de xícaras de café por semana, e que eu precisava de grãos mágicos. Ele olhou para mim com piedade e acenou com a mão na direção da casa de café expresso. Enquanto eu pagava, ele comentou de maneira informal dizendo não acreditar que uma máquina em casa poderia produzir alguma coisa digna de uma xícara de café expresso profissional. Ele acrescentou que havia trabalhado no café por oito meses e que lá havia um cuidado especial na moagem dos grãos, buscando a perfeição com devoção quase religiosa. Como eu poderia fazer isso em casa?

Encontrar o ponto de aspereza era a chave, eu dei razão a ele, mas a The Oracle, com o seu moedor da rebarba cônica (preferível a um moedor de lâmina para o grau de moagem), tem 45 configurações para escolher.  Ele balançou a cabeça demonstrando aprovação – mas sabia que precisava de muito mais para uma xícara de café perfeita.

Ele olhou para mim atentamente quando lhe contei que minha máquina ajustava a pressão correta. Como qualquer entusiasta de café dedicado irá te dizer, garantir uma densa borra de café manualmente exige muita prática. A The Oracle mói os grãos, seleciona-os no filtro e compacta-os com precisão.

Ele me ouviu, assim como um médico quando o paciente lhe explica como encontrou seu diagnóstico nas páginas da internet, enquanto eu dizia que sabia sobre o manual da máquina. Cheguei a comentar: “eu te contei a respeito da varinha de vapor de leite, a única no mercado que faz minúsculas bolhas de leite, produzindo espuma – uma habilidade que leva uns bons anos para um barista dominar?” Eu poderia ajustar a temperatura e a textura do leite – de cappuccino espumoso para um latte com pequenas bolhas ou qualquer coisa entre os dois. As caldeiras duplas garantem uma temperatura constante, assim como a sua máquina profissional, o que significa que ela pode fazer o que uma cafeteira normal (e mais barata) com uma única caldeira não pode: a The Oracle pode fermentar o expresso e vaporizar o leite sem demora.

Então, sentindo-me um pouco como um puma estranho, eu o convidei para minha casa para ver a cafeteira. (Suponho que dizer “venha ver minha varinha de espuma” poderia ser mal interpretado.) Já que a minha filha estava lá, ou talvez porque ele estava com medo, ele sugeriu que eu levasse a máquina até o café para mostrá-la. De repente, eu precisava ir para casa e ver se tudo aquilo era verdade. Então peguei meus grãos de café (e excepcionalmente um bolinho de chocolate) e saí rapidamente.

Os grãos mágicos funcionaram de verdade. O expresso fluiu da máquina “como mel quente”, assim como prometido.  Com um movimento da alavanca de vapor automática, eu vaporizava o leite a 150 graus e alguns momentos mais tarde, um café de primeira linha era meu. A limpeza era automatizada, o que quer dizer que eu não precisava fazer muito.

A máquina se adapta ao amante de expresso e que quer uma xícara de café de qualidade profissional, mas não se importa o preço.

Esta não é uma máquina para a pessoa satisfeita com o modelo Nespresso. Ela é para os loucos por cafeína, um grupo que eu faria parte se eu pudesse. (Pelo interesse na divulgação, e para não me fazer parecer mais patética, a Breville me emprestou a The Oracle para fins de revisão. Enquanto você lê isso, eu estou embalando a máquina desejando-lhe um choroso “Ciao, bella”).

Estas são as pessoas que acreditam que para obter uma máquina de fazer doses consistentes, você precisa pagar as quantias mais absurdas. Por 2 mil dólares a Breville parece absurdamente cara, mas não é a máquina de café expresso mais cara de sua categoria. E enquanto eu não consigo acreditar que estou defendendo o preço (e não quero saber quantas crianças refugiadas poderiam estar bebendo macchiati por esse preço), eu também preciso dizer que a The Oracle é a única máquina lá fora que executa todas as partes do processo – desde a trituração dos grãos até o controle de pressão da água – automaticamente e de forma confiável. É como ter um barista pessoal em sua cozinha. Cabe a você completar a experiência e vestir uma camisa xadrez e colocar um chapéu de lã.

© 2014, Newsweek.

Dicas & Pepitas: Mãe Solteira

em Coluna por

Alex

Mãe Solteira

Recebi um e-mail que dizia: “Por favor, escreva sobre o preconceito que os homens têm em namorar com mulheres que já são mães. Eu tenho 32 anos, meu filho 8 e sofro muito com isso”.

Por coincidência, eu vivi boa parte da minha vida com padrasto e sei mais ou menos do que se trata o assunto. Fiz uma pesquisa e o resultado é esse:

A idade é o fator principal. Homens de até 25 anos sonham em conhecer uma mulher sem filhos para não carregar o famoso “chaveirinho” nos lugares que frequenta e, porque nessa idade, o homem quer sair com a sua companheira para diversos lugares ao mesmo tempo, que geralmente são impróprios para crianças.

Outro motivo que faz um homem não se relacionar com mães solteiras é a presença do pai na vida deles, como já disse no tema ciúme, a presença do ex provoca insegurança. E alguns homens ficam com medo de se apegar a criança e sofrer caso o relacionamento termine.

Muitos homens querem seguir o mandamento do casamento: lua de mel de 4 anos e depois ter o primeiro filho homem, com as suas características e todo esse machismo que já conhecemos. E se a mulher já tem um filho, essa etapa é pulada.

Alguns ainda ligam para a parte financeira, acham que vão ter que contribuir com a educação, brinquedos, entre outras coisas que uma criança precisa.

Mas se você é mãe solteira e pensa que tudo está perdido, eu tenho uma boa notícia.

Homens acima dos 30 anos não ligam para isso e até assumiram o filho da sua namorada, além disso, são homens estruturados financeiramente e que estão com o lado paterno no auge.

As dicas para as mães solteiras são:

Procure homens e não garotos para se relacionar.

Mostre que você procura um amor verdadeiro e não um pai para o seu filho.

Demonstre que você é uma excelente mãe, assim seu namorado também vai querer ter outros filhos com você.

Saiba separar os momentos: tem hora para o filho e hora para o namoro, conciliar os dois no começo do relacionamento pode ser constrangedor, principalmente para o seu filho.

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

Publicidade tem que ter paixão

em Brasil/Negócios/Opinião por

Por Agnelo Pacheco* 

Virou moda na nossa publicidade, cada vez menos brasileira. Um diretor de marketing de uma empresa multinacional chama uma agência brasileira, brasileira mesmo, para conversar. Você acha que ele vai passar a conta para você ou dar uma oportunidade? Nada disto. Ele quer desabafar. “Eu não aguento mais esta agência que me atende”. Aí eu pergunto: ”Então por que não troca?”.

Falam que são mal atendidos, que as coisas chegam prontas de fora, que o pessoal não conhece bem o mercado, que estão perdendo espaço, entre outras dezenas de queixas. Quando você acha que vai ter uma oportunidade, tira do bolso o famoso ‘alinhamento’. E explicam que, por razões da matriz, são obrigados a serem atendidos pelas mesmas agências que trabalham para as empresas no exterior. E mesmo que lhe passem um briefing e, no entusiasmo, crie e apresente uma excelente campanha, esqueça. Podem até encaminhar para a matriz, mas a resposta vai ser a de sempre: “Sou obrigado a ficar com a agência ‘X’ por alinhamento internacional”.

O que me incomoda neste ‘alinhamento’ não é a decisão da matriz da multinacional, que está distante do dia a dia do Brasil e dos brasileiros. O que me aborrece é a forma como veem a propaganda. Como se ela fosse uma coisa única, massificada, sem mudanças, que sensibilizasse todo mundo.

O comercial búlgaro que faz o maior sucesso na Bulgária pode passar despercebido no Brasil. A racionalidade dos comerciais alemães, por exemplo, não sensibilizam os brasileiros. E muitas vezes tendo filiais aqui, com bons criativos, os clientes multinacionais, em uma boa parte, preferem colocar suas campanhas feitas lá fora.

Algumas empresas multinacionais estão percebendo isto e começam a dar atenção ao talento local para criar e desenvolver campanhas locais. E, como o século XXI é conhecido como o século da competição de verdade entre marcas e produtos, bem diferente daquela concorrência amistosa do século passado, vamos perceber mais a presença de agências brasileiras em empresas multinacionais.

Boa parte da falta de criatividade que venho sentindo na nossa publicidade vem muita desta pasteurização de mensagens que não nos sensibilizam, que passam como coisa velha, sempre igual.

*Artigo exclusivo para o jornal The São Paulo Times

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Agnelo Pacheco é publicitário, começou a carreira no início da década de 1970, montou a própria agência em 1985 e conquistou, entre outros, os prêmios Clio Awards de New York , Leão de Ouro do Festival de Cannes e foi eleito o Publicitário do Ano pelo Prêmio Colunistas. Ao longo de sua carreira,  construiu inúmeros conceitos para seus clientes que fizeram e fazem história na propaganda brasileira, dentre eles: “Banespa. O Banco de um novo tempo”; “Tomou Doril. A dor sumiu”; “É Mash que eu gosto”; “Banco para quem gosta de banco” e “Caixa para quem gosta de Caixa”, entre outros. Também desenvolve diversos trabalhos voltados ao terceiro setor, como: “Vacinação infantil – Zé

Portrait: Como Barbies, só que não

em Coluna por

Camila

Como Barbies, só que não

Se na semana passada falei sobre o nigeriano que achava que ao comprar o creme dental estava levando para casa a mulher dos seus sonhos, hoje vou inverter o processo. Vamos falar sobre as mulheres que ele achou que compraria. Sinto lhe informar, mas elas compram até hoje a construção de si mesmas, mas não existem.

Quem viveu sua infância a partir de 1960, quando as Barbies foram criadas, sabe do que estou falando. Se você é mulher e sua família teve condição financeira de bancar isso, provavelmente você teve uma Barbie, seu carro, sua casa, suas roupas, e, claro, seu Bob ou Ken. Sendo a boneca a representação da mulher perfeita e infalível, o óbvio aconteceria: seu homem seria o reflexo de si, a tampa da sua panela: lindo, bem vestido, com cara de bem sucedido, tão perfeito tal qual ela.

E se na infância se brincava de mamãe e filhinha e na vida adulta se tornou mãe, se brincava de lojinha e se tornou empresária, a busca por se tornar a Barbie é eterna. Que mulher a partir dos vinte e poucos anos não comprou um creminho antirrugas, não fez ao menos uma drenagem linfática para eliminar gordurinhas, não investe pesado em roupas, sapato e cabeleireiro? Quem nunca fez uma dieta, ou se matriculou na academia em busca de um corpo esbelto e definido, atrás da cinturinha irreal da boneca? Tem as que foram mais longe e recorreram ao botox, ao silicone, à lipoaspiração e à rinoplastia.

Todas, raras exceções, e às vezes sem total consciência sobre isso, buscam ser Barbies: o ícone da mulher perfeita. Campanhas publicitárias endossam o perfil. Raramente uma foto não passa por Photoshop tirando gordurinhas, eliminado manchas, papas nos olhos e espinhas, afinando coxas. Isso quando, à base de maçãs, alface e, certas vezes, bulimia, as modelos não tentam chegar por si mesmas (e algumas, infelizmente, até morrem de anorexia) no resultado que o editor de imagem consegue.

Em qualquer editorial de moda, a plasticidade das imagens, sem defeito algum, inspira o ideal, o glamour, a beleza incessante e irreal. E mais uma vez, se paga caro pelas roupas e se leva para casa a felicidade em sacolas que logo mais viram a frustração na frente do espelho. A roupa, caríssima, não ficou tão boa em você como na modelo. Claro, a vida, em movimento, não é feita de photoshop e nem de alfinetes.

Mulheres reais tem TPM, choram, ficam ansiosas por uma barra de chocolate ao mês, frequentam bares e inflam suas barrigas com chopp, caipirinha e uma porção de pastéis, enquanto discutem com as amigas suas imperfeições angustiantes e as soluções que viram na coluna de beleza da revista ou o novo tratamento que a dermatologista recomendou. Mulheres reais se decepcionam sim por não terem encontrado seus Bobs ou Kens, porque um dia, quando pequenas, sonharam em tê-los como as Barbies.

Ao perceber que nunca seremos como a boneca, passamos a aceitar também as imperfeições masculinas, quem sabe a barriguinha de chopp, algumas uma carequinha, um dente torto, um cara que ainda esteja correndo atrás de sua carreira e está em busca de ser bem-sucedido, o marido que demora a trocar a lâmpada e a arrumar o chuveiro, o que sai naquele dia para jogar bola quando você queria ir ao cinema.

Mulheres reais acordam cedo e vão à batalha. Colocam saia e salto alto, mas o blazer também. Elas estudam, são pós-graduadas, doutoras, tem Ph.D. São mães e assumem todas as tarefas que isso lhes compete. Cozinham, lavam, passam e trabalham fora. Quando não tem tempo para tudo isso, dividem a conta da empregada com o marido ou moram sozinhas e assumem a própria casa.

Mulheres reais são tantas em uma só que dificilmente caberiam no corpo esbelto da Barbie. Só conseguiriam manter a maquiagem como a da revista se não fossem tão ativas. Teriam cabelos perfeitos se não precisassem, rapidamente, amarrá-los em um rabo de cavalo que lhes desse agilidade de vez em quando.

Mas no mundo atual, em que assumimos papéis tão importantes nas corporações contribuindo para o desenvolvimento e a economia do país, ter a Barbie e as lindas e perfeitas modelos como referência, ainda é um alento para nós, mesmo que distantes de nossa realidade. São elas quem nos lembram de nossa delicadeza e feminilidade.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Vazam informações sobre o programa Quantum da NSA

em Mundo/News & Trends/Política/Tecnologia e Ciência por

Edward Snowden revela como os espiões do governo americano monitoram computadores desconectados.

O ex-analista de inteligência americano da Agência de Segurança Nacional e denunciante Edward Snowden, revelou que a NSA utiliza a tecnologia da velha escola para espionar computadores offline. A NSA tem usado o programa secreto, de codinome Quantum, para monitorar cerca de 100.000 computadores desconectados em todo o mundo.

O relatório saiu alguns dias antes do presidente Obama anunciar as novas restrições sobre programas de vigilância que restringem as atividades da NSA.

Com o Quantum, a NSA acessa computadores através de ondas de rádio emitidas a partir de uma variedade de dispositivos personalizados. Apelidado de “Cottonmouth I”, a placa USB é modificada para conter um pequeno emissor-receptor de rádio que transmite e recebe dados do computador secretamente.

A NSA também usou pequenas placas de circuitos instalados em computadores portáteis que transmitem dados à agência, mesmo quando o computador está completamente isolado da Internet. Estas placas de circuito se comunicam com uma estação de retransmissão – que a NSA chama de “cabeceira”. Essas cabeceiras podem atacar um computador a uma distância de aproximadamente 13 quilômetros e inserir pacotes de dados mais rápido do que os métodos tradicionais, permitindo que a NSA entregue falsas informações mais rápido do que o download.

Além da espionagem, o Quantum ajuda a NSA transmitir malwares software destinado a se infiltrar em um sistema de computador alheio de forma ilícita, com o intuito de causar alguns danos, alterações ou roubo de informações (confidenciais ou não) para computadores e lançar ataques cibernéticos coordenados.

O Quantum também tem como alvo iPhones e servidores de rede. Com o tempo, a NSA atualizou a tecnologia para torná-lo mais fácil de acessar os sistemas de computadores sem a necessidade de acesso físico.

O relatados indicam que a NSA tem usado esta tecnologia em ataques contra as instalações nucleares do Irã e para monitorar redes na China, Rússia, União Europeia, Arábia Saudita, Índia e Paquistão, e também os cartéis de drogas.

Quando alguns desses países, especialmente a China, instalaram uma tecnologia semelhante em sistemas americanos, os oficiais de defesa dos EUA protestaram .

Snowden também revelou que os EUA estabeleceram dois centros de dados na China com a tarefa de enviar malwares aos computadores. A NSA tem argumentado que esta vigilância é para a segurança nacional, enquanto a pirataria chinesa visa roubar propriedade intelectual.

A NSA assegurou que o Quantum não tem sido utilizado em computadores dos EUA, mas apenas contra alvos de inteligência de outros países.

Snowden apresentou a um jornal holandês, um mapa que mostra onde o NSA inseriu o software espião, e a revista alemã Der Spiegel publicou um vazamento sobre o hardware que pode secretamente transmitir e receber os sinais de rádio.

O presidente Obama deve anunciar em breve mudanças nas práticas da NSA. As novas regras foram baseadas em recomendações de um painel consultivo que concordou com o Vale do Silício que os programas da NSA minaram a confiança nos produtos tecnológicos norte-americanos. É esperado que o presidente proíba a prática da NSA de explorar falhas de software para espionar americanos, programas concebidos para romper sistemas de criptografia e a criação de vias de acesso secretas em sistemas de computador.

Foto: Divulgação / nsa.gov
© 2014, Newsweek.

Pesquisa revela quais estagiários ganham mais no Brasil

em Brasil/Geral por

Levantamento apresenta valor médio de bolsa-auxílio paga aos estudantes brasileiros.

Foram registradas diferenças entre carreiras, faixa etária e sexo dos estudantes.

Por que homens recebem mais, se comparados às mulheres? Qual curso remunera melhor, Agronomia, Engenharia ou Marketing? Existe diferença entre valores pagos por idade? O Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios detalhou essas e outras estatísticas na “Pesquisa Nacional de Bolsa-Auxílio 2013”. Os números apresentam a média paga por empresas no país.

O estudo, realizado entre os dias 14 de outubro e 25 de novembro, envolveu 23 mil estagiários de diferentes níveis. Todos os participantes possuem contratos de acordo com as regras da nova Lei de Estágio, nº 11.788/08. Os resultados revelaram um aumento de 11,2% em relação a 2012. A média nacional, agora, é de R$ 859,45.

Em análise separada por sexo, a seguinte diferença foi percebida: os rapazes recebem R$ 915,21, uma melhora de 11% comparado ao ano anterior. Já para as moças, o valor alcançou R$ 819,63, um crescimento de 11,7%. O presidente do Nube, Seme Arone Junior, explica os motivos dessa diferença entre os gêneros. “A variação não é gerada por preconceitos ou competêncais desiguais, mas sim pelo fato de existirem mais homens no campo das exatas, uma da áreas mais bem remuneradas”.

Na comparação das modalidades, houve uma alternância também positiva entre todas. Estudantes de nível superior recebem agora R$ 964,81 (antes era R$ 879,14). Quem está no superior tecnólogo também se beneficiou: em 2012 a bolsa era de R$ 821,78 e 2013, atingiu R$ 884,00.

O médio técnico passou para R$ 670,69 (era R$ 623,35) e o ensino médio fecha a evolução nos valores, passando de R$ 486,94 para R$ 513,73.

Seme Arone Junior destaca a importância de o jovem ter uma formação qualificada, para conseguir boas oportunidades profissionais. “Apesar da melhora nas remunerações, ainda há poucas vagas em relação ao número de candidatos. Uma dica básica, mas primordial para quem quer ingressar no mercado de trabalho, é o aprendizado contínuo e o investimento em língua portuguesa, um dos pontos mais cobrados em processos seletivos”.

O presidente do Núcleo Brasileiro de Estágios também reforça as vantagens das empresas ao contratarem estagiários. “Se as organizações recrutam pessoas dedicadas, também saem ganhando, pois poderão formar um colaborador, ainda sem vícios corporativos, dentro da cultura da própria instituição”. Nessa linha, conclui: “Investir no desenvolvimento dos estudantes representa uma ajuda direta para o país formar bons profissionais, nas mais distintas áreas”.

Veja a lista dos cursos mais bem pagos no Brasil, separados por nível:

 SUPERIOR – MÉDIA BRASIL: R$ 964,81

1 Agronomia R$ 1.948,94

2 Economia R$ 1.370,26

3 Física R$ 1.360,83

4 Ciências Atuariais R$ 1.281,44

5 Marketing R$ 1.278,25

6 Ciência e Tecnologia R$ 1.218,46

7 Engenharia R$ 1.211,26

8 Estatística R$ 1.182,26

9 Química R$ 1.147,82

10 Relações Internacionais R$ 1.128,74

SUPERIOR TECNOLÓGICO – MÉDIA GERAL: R$ 884,00

1 Construção Civil R$ 1.240,65

2 Secretariado R$ 1.112,78

3 Polímeros – Plásticos R$ 1.071,86

4 Gestão de Comércio Exterior R$ 979,30

5 Banco de Dados R$ 955,81

6 Análise e Desenvolvimento de Sistemas R$ 947,90

7 Jogos Digitais R$ 937,83

8 Gestão da Qualidade R$ 933,28

9 Processos Gerenciais R$ 922,19

10 Redes de Computadores R$ 911,90

MÉDIO TÉCNICO – MÉDIA GERAL: R$ 670,69

1 Eletrotécnica R$ 817,50

2 Segurança do Trabalho R$ 815,44

3 Automação Industrial R$ 812,37

4 Construção Civil R$ 804,98

5 Edificações R$ 779,75

6 Química R$ 768,77

7 Mecatrônica R$ 750,01

8 Mecânica R$ 748,21

9 Eletromecânica R$ 718,00

10 Eletroeletrônica R$ 702,00

ENSINO MÉDIO: R$ 513,73

Analisando pela faixa etária, foi percebida uma leve diferença de remuneração. Aqueles entre 19 e 23 anos, ganham em média R$ 961,35, enquanto quem possui de 24 a 29 anos, recebe R$ 985,52. Porém, um alerta é necessário, quanto à preocupação excessiva dos jovens diante das bolsas: a vocação do estágio é o desenvolvimento profissional. É preciso pensar nas condições de aprendizado, no desafio, no plano de atividades e até mesmo de carreira, oferecidos pelas organizações. Focar apenas na bolsa pode ser um tiro no pé.

Portrait: Como Barbies, só que não

em Coluna por

Camila

Como Barbies, só que não

Se na semana passada falei sobre o nigeriano que achava que ao comprar o creme dental estava levando para casa a mulher dos seus sonhos, hoje vou inverter o processo. Vamos falar sobre as mulheres que ele achou que compraria. Sinto lhe informar, mas elas compram até hoje a construção de si mesmas, mas não existem.

Quem viveu sua infância a partir de 1960, quando as Barbies foram criadas, sabe do que estou falando. Se você é mulher e sua família teve condição financeira de bancar isso, provavelmente você teve uma Barbie, seu carro, sua casa, suas roupas, e, claro, seu Bob ou Ken. Sendo a boneca a representação da mulher perfeita e infalível, o óbvio aconteceria: seu homem seria o reflexo de si, a tampa da sua panela: lindo, bem vestido, com cara de bem sucedido, tão perfeito tal qual ela.

E se na infância se brincava de mamãe e filhinha e na vida adulta se tornou mãe, se brincava de lojinha e se tornou empresária, a busca por se tornar a Barbie é eterna. Que mulher a partir dos vinte e poucos anos não comprou um creminho antirrugas, não fez ao menos uma drenagem linfática para eliminar gordurinhas, não investe pesado em roupas, sapato e cabeleireiro? Quem nunca fez uma dieta, ou se matriculou na academia em busca de um corpo esbelto e definido, atrás da cinturinha irreal da boneca? Tem as que foram mais longe e recorreram ao botox, ao silicone, à lipoaspiração e à rinoplastia.

Todas, raras exceções, e às vezes sem total consciência sobre isso, buscam ser Barbies: o ícone da mulher perfeita. Campanhas publicitárias endossam o perfil. Raramente uma foto não passa por Photoshop tirando gordurinhas, eliminado manchas, papas nos olhos e espinhas, afinando coxas. Isso quando, à base de maçãs, alface e, certas vezes, bulimia, as modelos não tentam chegar por si mesmas (e algumas, infelizmente, até morrem de anorexia) no resultado que o editor de imagem consegue.

Em qualquer editorial de moda, a plasticidade das imagens, sem defeito algum, inspira o ideal, o glamour, a beleza incessante e irreal. E mais uma vez, se paga caro pelas roupas e se leva para casa a felicidade em sacolas que logo mais viram a frustração na frente do espelho. A roupa, caríssima, não ficou tão boa em você como na modelo. Claro, a vida, em movimento, não é feita de photoshop e nem de alfinetes.

Mulheres reais tem TPM, choram, ficam ansiosas por uma barra de chocolate ao mês, frequentam bares e inflam suas barrigas com chopp, caipirinha e uma porção de pastéis, enquanto discutem com as amigas suas imperfeições angustiantes e as soluções que viram na coluna de beleza da revista ou o novo tratamento que a dermatologista recomendou. Mulheres reais se decepcionam sim por não terem encontrado seus Bobs ou Kens, porque um dia, quando pequenas, sonharam em tê-los como as Barbies.

Ao perceber que nunca seremos como a boneca, passamos a aceitar também as imperfeições masculinas, quem sabe a barriguinha de chopp, algumas uma carequinha, um dente torto, um cara que ainda esteja correndo atrás de sua carreira e está em busca de ser bem-sucedido, o marido que demora a trocar a lâmpada e a arrumar o chuveiro, o que sai naquele dia para jogar bola quando você queria ir ao cinema.

Mulheres reais acordam cedo e vão à batalha. Colocam saia e salto alto, mas o blazer também. Elas estudam, são pós-graduadas, doutoras, tem Ph.D. São mães e assumem todas as tarefas que isso lhes compete. Cozinham, lavam, passam e trabalham fora. Quando não tem tempo para tudo isso, dividem a conta da empregada com o marido ou moram sozinhas e assumem a própria casa.

Mulheres reais são tantas em uma só que dificilmente caberiam no corpo esbelto da Barbie. Só conseguiriam manter a maquiagem como a da revista se não fossem tão ativas. Teriam cabelos perfeitos se não precisassem, rapidamente, amarrá-los em um rabo de cavalo que lhes desse agilidade de vez em quando.

Mas no mundo atual, em que assumimos papéis tão importantes nas corporações contribuindo para o desenvolvimento e a economia do país, ter a Barbie e as lindas e perfeitas modelos como referência, ainda é um alento para nós, mesmo que distantes de nossa realidade. São elas quem nos lembram de nossa delicadeza e feminilidade.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Revigorar as energias entra na rotina dos brasileiros

em Educação e Comportamento por

A busca por bem-estar aumenta e os Spa’s ganham novos frequentadores.

Não é de hoje que os brasileiros estão preocupados com o corpo, a pele e a mente. Essa busca por bem-estar fez com que os Spa´s entrassem na lista de opções para se livrar do estresse do dia-a-dia. O que antes era associado como um espaço simplesmente voltado para o emagrecimento, agora é visto com outros olhos. Os novos frequentadores são de todas as idades e o público masculino já ultrapassa dos 30 por cento. Esse crescimento fez com que os Spa´s inovassem seus serviços, oferecendo desde terapias de bem-estar e relaxamento à aulas de pilates e Yôga.

Apesar da grande quantidade de Spa´s em todo o Brasil, poucos se destacaram como o BUDDHA Spa. Com presença em diversas regiões do Brasil, um dos grandes diferenciais do BUDDHA Spa é a sua experiente e especializada equipe de terapeutas que atendem em uma das várias salas dedicadas e planejadas especialmente para cada tipo de terapia ou de tratamento do Day Spa. Além de proporcionar paz e equilíbrio, o estabelecimento se preocupou em cuidar de todos os momentos especiais, como o casamento. Dentro de um conceito zen e com uma completa infraestrutura, os noivos desde a sua chegada passam por experiências inesquecíveis, que vão do relaxamento com terapias ao preparativos finais antes de entrarem no altar, e tudo isso sem precisar sair do Spa.  A decoração oriental é notada já na entrada. Sala de Chá Japonesa, Pátio Asiático, Decoração Indiana, Jardim e Living Oriental. Tudo desenvolvido para uma jornada de relaxamento, beleza, bem-estar e saúde. E como todo ambiente oriental, os clientes podem se energizar antes ou depois dos tratamentos nas diversas salas de Ofurô, com banhos preparados com sais e produtos de beleza importados do Japão.

Se ter bem-estar é a palavra de ordem do momento, o BUDDHA Spa entendeu o recado. Proporcionando um dos mais completos estúdios de Pilates do país, os freqüentadores conseguem ter em cada aula uma evolução da conscientização corporal (equilíbrio entre corpo, mente e espírito). O Yôga também não deixa a desejar, as salas ambientadas com decorações indianas, faz com que a prática do Yoga remeta aos mais profundos conhecimentos da cultura hindu. Com professores treinados e especializados nessa filosofia, as aulas são ministradas diariamente, individualmente ou em pequenos grupos.  Lembre-se: cuidar de você nunca é tarde, afinal Spa também é cultura.

A despedida é um tweet de tristeza

em Educação e Comportamento/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Durante anos Lisa Bonchek Adams tem documentado sua experiência ao viver com câncer de mama incurável, já em estágio avançado. Ela compartilhou sua história de maneira muito pública, primeiramente no Facebook, depois em seu blog pessoal, e, finalmente, no Twitter. Adams sempre recebeu apoio incondicional até que, recentemente, os editoriais dos jornais The Guardian e The New York Times a criticaram pelo seu uso da mídia social como uma “espécie de automedicação”. O que se seguiu foi um frenesi da mídia, pois cada publicação se apressou para tomar partido.

A histeria é um indicativo de como a mídia social começou a tornar visíveis, muitas dessas coisas preocupantes que eram mantidas ocultas: o câncer, a doença terminal e a morte em si estão sendo reformulados pelos novos meios de comunicação.

Em nenhum lugar isso é mais evidente do que no processo de luto, que tem, para muitos, saído das sombras tranquilas do quarto e acalmado as pessoas mais próximos e queridas, através do grande alcance da mídia social no mundo inteiro. O Twitter transmite um novo discurso fúnebre; os perfis no Facebook viram páginas em memória a algum ente ou amigo querido.

Quando Nora Ephron faleceu em 2012, sua página do Facebook se tornou um ponto de encontro para as pessoas com as quais ela mantinha contato em sua vida pessoal e profissional. O seu perfil está ativo até hoje: os fãs de Nora postam citações em seu mural.

É um novo mundo estranho, onde a vida após a morte é eterna e presente. Mas já que tudo acontece no Facebook, por que ele não seria o lugar no qual as pessoas vão para lamentar?

Quase todo mundo está familiarizado com as cinco etapas do processo de luto descritas por Elisabeth Kübler-Ross em seu livro “On Death and Dying”: negação e isolamento, raiva, negociação, depressão e, finalmente, aceitação.

As quatro primeiras etapas, bastante claras, não são muito divertidas – elas são os passos os quais você tem que enfrentar a fim de chegar a um ponto no qual você consiga viver com a sua perda. E, nos velhos tempos, era fácil ficar atolado na primeira etapa, era necessária a sua iniciativa para chegar até as outras. Mas agora, com o Twitter, Facebook e Tumblr sempre à mão, é quase impossível isolar-se.

Mas talvez essa crítica reflita mais uma divisão entre gerações que uma falha de caráter. Os adultos que sofrem as perdas podem ver adolescentes tirando fotos de si mesmos a caminho de um enterro e marcá-los usando a #sadday e pensar, “que atitude desrespeitosa!”, mas será que o adolescente sabe como lidar com a morte? Não seria um exagero imaginar que esta é a melhor maneira que ele conhece para alcançar e compartilhar a perda com seus amigos. (Embora possa ser um pouco mais difícil perdoar a mesma atitude do presidente Barack Obama.)

“As pessoas querem se sentir parte de alguma coisa”, declara Tamara McClintock Greenberg, professora de psiquiatria da Universidade da Califórnia, São Francisco, à Newsweek. “O Facebook permite que as encontrem sua rede de pessoas que vão lhes ser muito solidárias”, finaliza Tamara.

Ben Nunnery, 34 anos, natural do Kentucky, cuja esposa, chamada Ali, faleceu em 2011 de câncer de pulmão, aprendeu que o excesso de compartilhamento pode levar a cura. Antes de sua esposa morrer, o casal tirou fotos juntos em sua primeira casa; Depois que ela faleceu, Ben recriou as fotografias com a sua filha de três anos de idade, Olivia. Ele compartilhou essas imagens com toda a sua rede social e recebeu uma avalanche de apoio. Nunnery nunca esperou que as fotos teriam um impacto tão grande.

“Eu acho que [a mídia social] permite que as pessoas se conectem mais facilmente e… que não é só uma plataforma para compartilhar nossa dor, eu acho que ela ajuda outras pessoas a suportar a dor”, comentou Nunnery à Newsweek.

Há algumas coisas a serem consideradas antes de você lamentar no SnapChat. Embora você possa sentir como se recebesse toneladas de apoio, expondo-se em mídia social, você poderá enfrentar críticas por parte de estranhos e, pior, a rejeição dos amigos e da família. A exibição pública da tristeza e da emoção vem com os riscos.

Há também o perigo de que as novas tecnologias possam estimular a negação e torná-la mais difícil de lidar. Em 2009, depois que os usuários se queixaram de ver “amigos sugeridos” de pessoas que já haviam falecido, o Facebook começou a desativar os seus perfis e criar “memoriais”, a pedido de seus entes queridos. Os perfis imortalizados não acabam – eles vivem na eternidade (ou pelo menos enquanto dura Facebook) e dão aos amigos e familiares a oportunidade de olhar para trás nos posts, mensagens e fotos antigas.

Esse é o tipo de coisa que pode facilitar a cura, mas, também, pode ir longe demais. Um aplicativo lançado no ano passado chamado LivesOn, por exemplo, oferece a promessa que “quando o seu coração parar de bater, você vai continuar a quitar”. Funciona assim: Você fornece um acesso total para ler tudo o que já disse on-line e ele cria uma “continuação virtual” de sua personalidade depois que você morrer, imitando o seu comportamento.

É uma coisa estranha, a Internet é tanto transitória quanto permanente. É um lugar onde 140 caracteres (# RIP) podem ser de valor para um sentimento significativo e onde selfies fúnebres são postadas por jovens de 14 anos. Também é um lugar onde os serviços funerários assumem um tom de indefinição e a morte pode se estender tanto para frente, quanto para trás. Em última análise, tal como IRL, lamentar on-line é muitas vezes complicado, contraditório e muito pessoal. Quer se trate de compartilhar a alegria ou a tristeza de alguém, sentir-se conectado é uma parte da experiência humana que a tecnologia está tornando mais fácil.

© 2014 Newsweek.

Crômicas: Castigo e Crime

em Coluna por

CarlosCastelo

Castigo e Crime

Recesso de fim de ano.

Hora de abrir os horizontes, fechar as malas e fugir da cidade.

Aos poucos, São Paulo vai ficando cheia de desvãos.

A família de Pires o esperava há uma semana numa pousada.

Ele, esposa e o pequeno Diego passariam as festas numa praia no litoral norte, velho sonho.

Homem metódico, quase jesuítico, Pires começara a se preparar para a viagem com 72 horas de antecedência.

Pagou diarista para deixar casa e roupas em ordem. Separou contas de fim de ano numa pasta. Foi à internet, agendou pagamento.

Só que, ao separar seus pertences para colocar na mala, olhou para o beiral da janela do quarto de Diego e quem estava lá?

Berry, o peixe beta.

Pires teve um sobressalto, uma quase hemiplegia, ao ver o bichinho de estimação do filho ali nadando, em sua felicidade bronca e pisciana.

Passariam uma semana fora de casa. Todos, inclusive empregada, estariam comemorando as festas.

Quem trocaria a água e colocaria aqueles farelinhos amarecelidos para Berry comer? Faltavam ainda 48 horas para a partida e nada lhe ocorria sobre o que fazer com o animalzinho.

Foi à chopada do escritório. E mesmo ali, entre os colegas, não lhe saía da mente o maldito peixe.

“Sim, talvez só restasse mesmo parar de alimentá-lo a partir dessa madrugada. Não trocar a água o forçaria a entrar em pré-coma morrendo antes da viagem. Porque se ele morre durante a semana em que estivermos na pousada o cheiro dentro de casa fica insuportável. Diego voltando no comecinho de janeiro. “Cadê o Berry, cadê o o meu peixinho lindo e querido, papai?” E o bicho podre e esfacelado dentro do aquário. Não! Tudo menos isso. É mesmo o caso de ir assassinando Berry ao poucos. Sem comida hoje, água suja amanhã e um abraço”.

Chegou embriagado em casa e foi direto ao beiral. Berry nadava alheio a tudo.

Sua cor estava ainda mais bonita, as manchas vermelhas contrastando com o lombo azul.

“Vamos ver amanhã o dia inteiro sem refeição”, pensou Pires.

Deitou-se.

Vieram direto a seu subconsciente pesadelos terríveis onde se afogava num rio barrento. Na manhã seguinte saiu direto do quarto para o escritório, sem nem olhar para o peixe.

Procurou se enfiar na rotina de final de ano, voltando apenas às suas reflexões quando estava no trânsito, já de noite, voltando do escritório.

“Deve ter morrido. Mas o que é para o universo a eliminação de um estúpido peixe beta? Um animal que vive num vidrinho diminuto de 15 X 10 centímetros? E não me venham com o discurso clássico de que o bater das asas de uma borboleta na Amazônia provoca um terremoto no Arizona. Física quântica, essa balela toda. Berry morreu, antes ele do que eu. Não mereço um castigo desses depois de ter ralado 355 dias no ano”.

Abriu a porta, correu ao beiral e, ao contrário das expectativas, Berry estava vivinho da silva. E ainda por cima com uma carinha pidona de “quero raçãozinha”.

– Desgraçadoooo! – berrou – eu vou te mostrar quem manda nessa birosca!

Pegou o aquariozinho com brutalidade e, mesmo sabendo que as trocas de água não devem ser feitas direto na torneira – para evitar um choque térmico – jogou o líquido frio sobre Berry. Este nadou em desespero até que o jorro parasse de fazer redemoinho.

Pires gritava:

– Morre! Morre! Morre!

Largou tudo sobre a pia do banheiro, caiu exausto na cama e roncou até de manhã.

Chegara o dia da partida.

Pires pegou a mala e foi até o banheiro lançar os restos mortais de Berry no lixo.

Mas… de novo a carinha de “me dá comida”, agora na água limpa e oxigenada.

Céus, só podia estar pagando um grande pecado. E o pior era que a chave se invertera. Imaginar-se jogando Berry vivo na privada, como chegara a tramar ontem, era algo que lhe dava engulhos.

Um sentimento de piedade se acercou dele. Era preciso dar o peixe, símbolo do cristianismo primitivo, a quem pudesse assegurar seu destino.

Foi o que fez.

Colocou a bagagem no porta-malas e saiu, aquário de Berry numa das mãos, caçando quem pudesse abrigá-lo.

Rodou com o carro cerca de meia hora. Até encontrar um menino sujo e maltrapilho no semáforo.

– Quer esse peixinho, filho? O nome dele é Berry.

– Berry? – os olhos do pivete se encheram de alegria – Deixa eu ver?

– Toma, fica com ele – disse Pires, voz embargada.

O menino pegou o presente com enorme satisfação. E, sem perda de tempo, meteu os dedinhos na água, puxou Berry pelas nadadeiras e o comeu.

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Carlos Castelo. Escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. © 2013.

Armazenar dados no Brasil não significa maior segurança

em Brasil/Negócios/Tecnologia e Ciência por

O Marco Civil da Internet, projeto ainda em discussão na Câmara dos Deputados que pretende regular a rede mundial de computadores aqui no Brasil, estabelece as regras do jogo para todos – sejam pessoas físicas, jurídicas ou instituições governamentais.  A proposta é que a partir de sua aprovação e posterior sanção presidencial, o País passe a contar com um conjunto de leis para regular o uso da Internet por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres de quem usa a rede, além da determinação de diretrizes para a atuação do Estado.

Já são quase quatro anos de discussão em torno de sua votação, mas o debate em torno deste projeto se intensificou bastante depois da revelação de casos de espionagem por parte da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos aqui no Brasil e em outras nações.

Na esteira das denúncias do monitoramento feito pelos norte-americanos, surgiu uma proposta que tem gerado bastante controvérsia. Defendida pelo Governo para que seja incluída no texto do Marco Civil, ela prega a obrigatoriedade do armazenamento de dados no Brasil por empresas de TI e Internet. Mas seria esta medida realmente eficaz, ao ponto de proporcionar maior segurança e combater a espionagem?

A obrigação de hospedagem de dados é uma medida inócua para confrontar este tipo de ação, uma vez que a localização dos data centers não impedirá que as empresas aqui instaladas continuem colaborando com a NSA.  Além disso, circula a tese jurídica de que o fator que define a jurisdição é a nacionalidade da companhia que controla os dados, e não o local em que eles estão armazenados.

Pelo ponto de vista da segurança do cidadão, o balanceamento entre custo e viabilidade é outro fator que complica esta regra. O impacto financeiro às empresas seria enorme, já que as despesas para a implantação de um data center custariam no mínimo o dobro do que, por exemplo, nos Estados Unidos ao avaliar o custo de importação de tecnologia.

Se considerados os gastos com terreno, construção civil e mais a cadeia de distribuição, o custo seria triplicado, podendo atingir proporções ainda maiores. Há ainda que se ponderar a mão de obra – enquanto no Brasil ela incide 60% sobre o orçamento, nos Estados Unidos fica em torno de 10%. E todo o investimento deve ser minuciosamente estudado e muito bem feito, pois o perfeito funcionamento exige robusta infraestrutura de telecomunicações, englobando a tecnologia empregada e o material humano.

Levando-se em conta todos estes aspectos, a única vantagem de se estabelecer o armazenamento de dados de empresas no Brasil residiria na redução da latência, ou seja, no tempo de resposta para o acesso às informações por parte dos usuários. Mas ainda assim, é importante ressaltar, a infraestrutura disponível teria de ser igual, ou melhor, àquela presente nos países de origem de empresas estrangeiras, especialmente as norte-americanas.

Em todo este debate, deve-se imperar o bom senso e pensar a possibilidade de migrar esta exigência para dados específicos. Na Coreia do Sul, por exemplo, os dados bancários de coreanos não podem ser armazenados fora do país; na Austrália, há projetos para evitar que o armazenamento de informações e dados de saúde de seus cidadãos saia de suas fronteiras.

O Marco Civil da Internet é o primeiro passo na direção de uma rede mais segura no Brasil e, portanto, é fundamental que seja rapidamente aprovado e sancionado para que sejam feitos todos os reparos necessários no futuro.

O que não se pode admitir é que seja usado como mera resposta às acusações de espionagem, por meio da criação de subterfúgios inócuos. Já existem inúmeras formas e tecnologias eficazes para proteger empresas – públicas ou privadas – de monitoramentos e fiscalizações inapropriados. Nenhuma delas é por decreto.

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Rogério Reis é Vice-Presidente de Operações da Arcon Serviços Gerenciados de Segurança.

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