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Para que serve o ENEM?

O ENEM nasceu do desejo e da necessidade de avaliarmos as habilidades de nossos estudantes. O tempo foi passando e o…

By Redação , in Brasil Educação e Comportamento NY Times , at 06/10/2016 Tags:

O ENEM nasceu do desejo e da necessidade de avaliarmos as habilidades de nossos estudantes. O tempo foi passando e o indicador se transformou em um balizador utilizado no mercado para avaliar a qualidade das escolas. “Isso é certo. E errado. É certo termos um método instituído de aferição. Errado é utilizarmos esse resultado como verdade absoluta sabendo que há muitas nuances que podem distorcer completamente o resultado, como uso de técnicas questionáveis para selecionar apenas os melhores alunos para participar e na preparação que foca apenas no exame e não no compromisso com a aprendizagem de conceitos que os estudantes levam para a vida”, explica Marco Gregori, especialista em educação e criador da Rede VIAe, método educacional que desenvolve habilidades socioemocionais em escolas de São Paulo. 

Com a lista recém-publicada do ranking do ENEM, os pais a utilizam como referência importante para escolherem o que consideram a melhor escola. Mas, quando um aluno vai excepcionalmente bem na prova, o quanto isso vai interferir na realização desse aluno como indivíduo em um mundo onde o que vai fazer a grande diferença está muito além do conhecimento técnico e do conteúdo pragmático? “Precisamos entender que serão as habilidades socioemocionais bem desenvolvidas que vão leva-lo mais longe. E, a prova disso é, paradoxalmente, o próprio ENEM”, explica Marco.

Outro ponto analisado pelo especialista é que algumas escolas públicas melhoraram suas notas, em condições de extrema dificuldade. O resultado, segundo Marco, é centrado em dois pontos: professores e autoestima, pois escolas onde os professores incentivam os alunos e fomentam habilidades que interferem na capacidade de absorver conteúdos e para ter controle emocional para testes complicados, como a autoestima ou a resiliência, mostrando que é possível obter uma boa nota na prova, têm realmente uma melhor nota média na avaliação.

Pesquisas e dados científicos comprovam que os estudantes que desenvolvem habilidades socioemocionais têm melhor desempenho acadêmico em relação aos demais. Exemplo disso é dado pela aluna Maria Carolina Brambilla, de 15 anos, matriculada há menos de um ano no Colégio Anhembi Morumbi. Neste breve período em contato com o ensino das habilidades sociemocionais, a estudante fez sua mãe Gislaine Brambilla perceber que o estímulo ajudou a filha a melhorar não apenas nos estudos, mas em suas relações dentro e fora da escola. “Minha filha desabrochou. Por conta disso, hoje ela não se vê estudando em outro lugar”, diz Gislaine. “Uma escola que olha individualmente para cada aluno, que empodera as crianças e jovens e que valoriza a família, principalmente na fase da adolescência, faz toda a diferença na formação deles. Isso dá muito mais resultados do que só focar no vestibular, no Enem ou em apontar os erros”, completa a mãe, que agora pretende colocar seus outros dois filhos – gêmeos de 12 anos – no mesmo colégio tão logo cheguem ao ensino médio.

“O foco excessivo em testes, como o ENEM e o vestibular, nos leva a uma educação calcada em respostas únicas e ao conhecimento limitado apenas de fatos e datas. Devemos ser menos conteudistas e olhar sobre os resultados mais coerentes. Estamos excluindo da vida de nossos filhos a possibilidade de pensar, refletir, entender, criticar, analisar e ainda ter a capacidade de interpretar questões e buscar soluções criativas para variadas questões”, explica Gregori. “Trazer temas atuais para a sala de aula, como eleições, preconceito e avaliações do cenário econômico é algo que ajuda no desempenho em testes, porém, de forma mais importante, desenvolve ética, tolerância, colaboração e capacidade de olhar para o futuro. Esse tem que ser o foco. As crianças de hoje devem ser formadas para protagonizarem sua vida e profissão e criarem oportunidades. Se elas forem capazes de entender o cenário, perseverar, achar soluções, serem objetivas, proativas e curiosas, conseguirão sobreviver e ter bons resultados em seja qual for a prova que quiserem”, finaliza Gregori.

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