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Portrait: A mulher que cambaleava no salto 15

em Coluna por

Camila

A mulher que cambaleava no salto 15

A mulher cambaleava. De um lado pro outro como se estivesse na corda bamba, enquanto comentava inconformada com as amigas: “O saltinho desta sandália caiu na semana passada”. Fui obrigada a olhar para os pés dela. O salto longo e fino compunha o figurino que tentava ser corporativo e destoava do resto de sua roupa e corpo, um pouco rechonchudo. Equilibrar-se com aquele porte, naquele salto, não é para qualquer um.

Foi então que me dei conta de que todos nós, quando nos vestimos para sair, nos olhamos no espelho antes para aprovar ou não o que escolhemos. E fazemos isso, óbvio, parados. No máximo, damos aquela voltinha básica para ver se está tudo em ordem, se tem alguma etiqueta pra fora, pra colocar a calça e as mangas no lugar. Feito o check up, rua!

Mas depois de um tempo, quando as horas passam e os pés incham, quando, na hora do almoço, o restaurante fica a três quarteirões de distância do escritório, quando o sapato começa a apertar, viramos um pouco “Valdirene” (personagem de Tatá Werneck em Amor à Vida).  Sim, eu me incluo nisso depois de horas de barzinho ou balada com meus amigos. Brinco com eles que preciso ir embora porque a Valdirene chegou. Não dá certo uma mulher se equilibrando no salto como se estivesse escalando um morro numa trilha cheia de pedras, cambaleando. Toda a elegância e feminilidade que o sapato poderia proporcionar caem por água abaixo.

É aí que se percebe que a elegância está no andar e não no sapato, no porte e não na altura, na atitude e não no vestir. Mais elegante uma rasteirinha em um andar delicado, do que um salto alto em um passo pesado. E pra isso, não precisa ter sobrepeso, basta estar com um dedinho apertado, uma bolha no pé, uma dor a mais que te incomode.

Eu sou baixinha, estilo mignon mesmo, e, apesar de já ter passado por isso inúmeras vezes, uso e abuso de saltos, principalmente à noite. Quando estamos com pessoas mais altas (o que no meu caso não é raro), ou se põe o salto, ou se senta pra conversar, ou inevitavelmente, amanhã será um dia de torcicolo. O ideal é perceber quando não dá mais e cair fora, voltar para o conforto dos pés no chão ou, no máximo, nas pantufas dentro de casa.

Cheguei ao ponto de ter que pedir ajuda: “Me dá a mão pra eu não cair nestes buracos das calçadas de São Paulo”, para não ter que virar Valdirene à luz do dia. É chato, preferia a elegância de um salto menor, que não machucasse, cansasse e inchasse os pés, que não me colocasse em perigo (sou desastrada e um entorse não pode ser descartado), mas acontece. Lógico, sempre depois de nos vermos no espelho, acreditarmos que está tudo lindo e…. rua!

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

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