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Portrait: Jogo da Vida

Jogo da Vida “Sou guardião de um anjo”. Assim se definiu Marcos Mion ao falar sobre Romeo, seu filho especial…

By Redação , in Coluna , at 29/01/2014 Tags:,

Camila

Jogo da Vida

“Sou guardião de um anjo”. Assim se definiu Marcos Mion ao falar sobre Romeo, seu filho especial de oito anos, diagnosticado com distúrbio de desenvolvimento. Em sua página no Facebook, escreveu sobre a criança, contou sobre o esforço da família em procurar um tratamento eficiente para sua adaptação (sem tom de lamúria), mesmo que em outro país e declarou-se apaixonado pelo menino. Mais que isso: grato por ter sido escolhido por ele para ser seu pai.

Como preparar esta criança para viver uma infância feliz e ser um adulto satisfeito? Como prover bem-estar à pessoa? Como construir isso diariamente com a menor possibilidade de se cometer erros? Este é o grande desafio da vida de Mion e de sua esposa. Talvez o que possamos chamar de “a grande lição, o grande aprendizado”.

E sem desmerecê-lo – reconheço e admiro seu mérito e dedicação – quantos de nós não passamos por percalços tão grandes quanto este? Se não for com ou por alguém a quem amamos, por nós mesmos? Quantas situações delicadas você já vivenciou ou presenciou junto a parentes e amigos próximos?

Há quem perdeu um grande amor, há quem teve que se virar sozinho desde cedo. Tem o menino que perdeu a mãe com AIDS e, apesar de pular de casa em casa quando ainda era criança, batalhou e conseguiu ganhar seu próprio pão. Tem o cara que quando pré-adolescente fugiu de casa, conheceu o melhor e o pior da vida, se meteu com bebidas e drogas, mas deu a volta por cima e criou uma família linda e equilibrada.

Tem também os que precisam aprender a conviver com uma doença e os que perderam filhos, mas que mantém o sorriso no rosto. Os que para cuidar dos pais velhinhos deixam de viver a própria vida, às vezes por opção, outras não, mas seguem em frente. Tem os que correm atrás do grande amor e deixam a carreira de lado. Tem os que deixam o país por isso.  Também tem os que largam o amor pela carreira. E tem os que deixam tudo pra trás e focam no futuro.

Os que foram traídos e deixaram de acreditar no amor, os que deixaram de confiar nas pessoas a sua volta porque nem sempre estas (ou outras) foram boas com eles. Há os que confiam desconfiando.

E para todos eles, o que deve importar, realmente, não é o que lhes aconteceu, mas como reagiram a isso. É esta a diferença. É assim a vida: a gente passa a ser “dono” dela à medida que aceitamos as curvas de seu caminho. A vida não é como um jogo, em que ganha quem chegar primeiro ao fim do tabuleiro. Ela é o contrário disso: é sobre manter-se no tabuleiro. É jogar os dados, quando ela te dá a chance de escolher, torcendo para sempre tirar o número “um”, para que possa ser lentamente saboreada.

Para as melhores conquistas, às vezes é necessário ter paciência. Um bom trabalho, uma promoção, um bom salário não vêm depois do estágio, mas após anos de ralação. Tem gente que dá sorte e encontra o grande amor logo de cara, ainda na escola, e se casa com ele assim que se forma na faculdade. Tem os que vão conhecer muita gente bacana, mas que não os completam. Os que vão se machucar, insistir e quase desistir até quem sabe, encontrá-lo, ou, quem sabe, esperar o jogo do tabuleiro mandar voltar três casas e reencontrar o carinha da adolescência na hora certa.

Por isso insisto: o que mais importa na vida não é o que acontece, mas como reagimos às situações que se impõem. É isso, inclusive, que nos faz crescer, amadurecer, evoluir. É isso que transforma o que muitos diriam serem “pais de garotos problemas” em “guardiões de um anjo”.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

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