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Rabisco

Rabisco Tem gente que rabisca o corpo e chama de tatuagem. Tem quem rabisque o papel e o transforme em…

By admin , in Coluna , at 19/11/2014

Camila

Rabisco

Tem gente que rabisca o corpo e chama de tatuagem. Tem quem rabisque o papel e o transforme em poesia. Tem rabisco nas paredes, em telas e grafites. Tem rabisco na panela, cheio de cheiro e tempero. Tem quem seja expert em rabiscar números. Tem o cara que faz um traço e chama de parede. E outro, e outro e desenha uma casa. E o pior (ou melhor): funciona! A casa sobe e vira lar, capaz de abrigar e guardar gente e sonhos tão queridos, tão amados. Quase como quem rabisca o papel e constrói histórias.

Tem aqueles que se apaixonam um pelo outro e tiram os sonhos do papel. Aí arrumam outra folha, no cartório, e rabiscam. Com aquele rabisco, dizem que não são mais solteiros, agora são “meu” marido e “minha” esposa. Sim! Agora rabisco tem pronome possessivo.

Tem gente que rabisca o caderno enquanto o chefe fala na reunião. Os que rabiscam o que ele fala e outros um mundo paralelo. Tem rabisco sem sentido. Tem aqueles que só a gente entende.
Tem rabisco que sai solto, outros demoram a brotar. Rabiscos, por mais rabiscos que sejam, exigem inspiração. Tantas vezes são momentos de expiração, de colocar pra fora um sentimento, uma ideia, um nervosismo. De sair por um minutinho do mundo, um teco de criação. Uma pontinha de saudade de alguém, uma lembrança, uma intuição.

Rabisco pode ser bagunça, mas também definição. Rabisco um bilhete, mas não mando. Rabisco uma careta, mas não mostro. Rabisco uma crônica: a 50ª aqui na Portrait.

E meu rabisco me divide e se multiplica com cada leitor que chegou aqui comigo. Se constrói, como a casa do engenheiro, como a poesia da escritora, como o comprometimento do casal apaixonado que decidiu assumir, em um rabisco, o que sentia para o mundo.

Aqui guardo, e ao mesmo tempo espalho, os meus rabiscos. Como uma caixinha: de brinquedos para as crianças, de jóias para as mulheres, de músicas para a vovó. Aqui compartilho, e mais uma vez agradeço, a oportunidade de poder rabiscar um pouco de mim e dos outros. Um pouco para mim e um tanto a mais para tantos outros.

Fica aqui o desejo de um dia, um tempo, uma vida cheia de rabiscos: dos definitivos aos que podem ser apagados, não importa. O que realmente vale é que tenham a oportunidade de ser vividos. Que saiam do papel. E que sejam divididos, espalhados, compartilhados. Afinal, a vida é assim: um rabisco em cima do outro. De mãos dadas, de preferência.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2014 – Contador de visitas

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