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Real é a terceira moeda mais desvalorizada do mundo

Hoje os mercados internacionais tiveram um dia de briga entre as forças que veem a economia global desacelerando de forma…

By Redação , in Brasil The São Paulo Times , at 17/08/2015

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Hoje os mercados internacionais tiveram um dia de briga entre as forças que veem a economia global desacelerando de forma sistemática e as expectativas do mercado, no sentido de que o Federal Reserve conseguirá segurar o mundo com suas taxas de juros. Os mercados abriram em queda, primeiro na Ásia, depois na Europa, por conta da queda do PIB do Japão, de 1,6% anualizados. A queda de suas exportações evidenciou que a quarta maior economia do planeta está sucumbindo à desaceleração da China. E essa percepção vai se disseminando por todas as economias que dependem fortemente da demanda da China. O mercado de matérias primas está em depressão e o petróleo é uma de suas vítimas. Hoje a cotação do barril WTI atingiu US$ 42 com a forte percepção de que a oferta global em alta não terá contrapartida no crescimento cada vez mais fraco da economia global. As estimativas de crescimento feitas pelo FMI e pelo Banco Mundial estão com uma taxa que é a menor desde 2009.

Ao dependerem das exportações, os países emergentes acabam por entrar na “linha de fogo” dos mercados, já que as suas vulnerabilidades estão aumentando à medida que a economia global derrete com seus saldos externos em queda, as suas moedas se desvalorizam contra o dólar. Somente o Real desvalorizou 53,94% nos últimos 12 meses. Veja o gráfico abaixo, com a desvalorização das principais moedas globais em relação ao dólar, no período de 12 meses:

Em 2013, por ocasião do anúncio de que o Federal Reserve  dos EUA começaria a reverter as ações de estímulo no âmbito do Quantitative Easing (relaxamento monetário), emergiu a tese de que alguns emergentes seriam duramente afetados pelo aumento das taxas de juros globais. Destacavam-se os cinco frágeis: Brasil, Turquia, África do Sul, Índia e Indonésia, que poderiam ter dificuldades para enfrentar um forte fluxo de saída de capitais de seus países. Hoje o banco Morgan Stanley aumenta o leque dos prejudicados e altera as razões: são pelo menos dez e a causa é a desaceleração da economia global.  Países dependentes das exportações têm seu risco percebido aumentado, seja porque é mais difícil sustentar déficits externos, seja porque suas economias desaceleram fortemente piorando os indicadores. O gráfico abaixo é o do índice de mercadorias calculado pelo FMI e mostra a forte queda de preços, que inclui o petróleo:

 

Apesar do índice ainda estar acima do patamar pré-ciclo das commodities, ele caiu 50% em relação ao seu patamar máximo. Parte importante desses movimentos de preços está relacionada incessante movimentação do dólar em relação à outra s moedas do mundo. Quanto mais o dólar se aprecia, mais ascommodities têm seus preços reduzidos em dólar. Mas quando o dólar estava se desvalorizando, as commodities viram seus preços explodir. Os máximos atingidos no gráfico foram nos anos de 2008 e 2010. Veja o comportamento do dólar em relação a uma cesta de moedas dos seus principais parceiros globais?

 

De 2002 a 2008 a moeda americana se desvalorizou fortemente e isso explica, em parte, a forte alta das commodities. Após o vai e vem de 2010 até o ano passado, o dólar recuperou apenas parte de seu valor. Ainda há um longo caminho para que ele chegue aos patamares de 2002. Se o Federal Reserve decidir elevar as taxas de juros a partir desse ano, ele pode disparar  um forte movimento de aceleração da valorização de sua moeda. Com isso, a economia global que já está devagar, pode cair ainda mais, levando os próprios EUA a um novo ciclo de queda do PIB.

É difícil, sem dúvida nenhuma, entender até que ponto as moedas afetam os preços das commodities ou, ao contrário, até que ponto a queda dos preços das commodities faz com que as moedas se desvalorizem frente ao dólar. A única coisa clara é que o FED está diante de um enorme dilema: se subir as taxas de juros, poderá dar início a um novo ciclo de derretimento global; se ficar onde está, poderá deixar as coisas piores no futuro. Tudo indica que o mercado continua a apostar em um caminho intermediário, onde as commodities caiam, os juros subam e as maiores economias se beneficiem. Mas é difícil ver essa conta fechar.

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