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Roupa de Baixo: filme recebe Coelho de Ouro pelo prêmio de melhor curta-metragem brasileiro

Muitos daqueles que vivem em grandes metrópoles passam seus dias acreditando que a intolerância e o preconceito são batalhas vencidas…

By Redação , in News & Trends , at 27/11/2015

Screen Shot 2015-11-27 at 11.35.34 AMMuitos daqueles que vivem em grandes metrópoles passam seus dias acreditando que a intolerância e o preconceito são batalhas vencidas em grande parte do mundo. Isso não passa de ilusão. Em comunidades mais afastadas, principalmente as de âmbito rural, a tradição ainda se confunde com preconceito.

Relatar essa realidade, e mostrar como ainda estamos longe de tempos mais iluminados é justamente a proposta do documentário curta-metragem Roupa de Baixo, produzido pela Lira Filmes. A obra conta a trajetória de Suely, e como ela passou a vida inteira sendo uma pessoa totalmente diferente do que seus vizinhos e familiares entendiam ou aceitavam. Por muitos anos, ela usou roupas de mulher por baixo das roupas de homem, até se assumir definitivamente como mulher.

O fato de viver em uma cidade do interior, ter um trabalho braçal dentro da zona rural, torna tudo muito mais complexo e difícil. Não há uma total compreensão dos familiares e moradores, existe uma falta de informação e esclarecimento em questões simples. Um exemplo disso é a exigência da apresentação de um RG que não representa a pessoa como ela realmente sabe que é. Suely não consegue trabalho, não é tratada como mulher (a chamam de “o” Suely). Existem diversas histórias e lendas sobre ela, ao invés de existir uma aceitação natural da decisão feita por ela.

O documentário teve sua estreia no 23º Festival Mix Brasil e recebeu o Coelho de Ouro pelo prêmio de melhor curta-metragem brasileiro, o Prêmio Canal Brasil de Curtas e ainda o Prêmio CTAV – Centro Técnico do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

Enredo – Nascido como Benedito Justo, a vida desse trabalhador braçal é contada através de depoimentos de seus familiares, e dos moradores da cidade de São Luiz de Paraitinga. O passado e a realidade, as dificuldades de se assumir como mulher no meio rural e em uma cidade pequena, é o foco do curta.

A proposta é contar a delicada e complexa história de Suely, com um olhar subjetivo e feminino. Ela, que nasceu ele, passou muitos anos usando roupas de mulher por baixo das roupas de homem, algo que se mistura à metáfora de que, conforme a própria Suely diz, o que conta é o que está por baixo, o de cima não vale nada. Ou seja, não importa se você nasceu em um corpo de um homem ou de uma mulher, o que importa é como você se sente por dentro, daí a inspiração para o nome do documentário. “A história dela nos revela os sofrimentos mais profundos de alguém que não se encontra em seu próprio corpo”, conta Juliana Lira, fundadora da Lira Filmes e produtora executiva do curta.

O filme propõe uma estética que mistura imagens realistas, fixas e claras, com planos oníricos, foco instável e momentos mais sombrios. A dualidade é constantemente apresentada ao longo das cenas, dialogando com a temática do curta e com as divergências entre as histórias dos depoentes.

Preconceito – Com tema polêmico e atual, a obra revela a realidade de muitos brasileiros. “A condição em locais afastados acaba sendo muito pior do que a condição nas metrópoles, porque soma-se ao preconceito, a dificuldade do acesso à informação”.

Roupa de Baixo retrata um problema que afeta centenas de pessoas ao redor de todo mundo: a dificuldade em ser aceito como é, com sua identidade de gênero correta. Somado a isso, ele levanta questões que levam a reflexões como a do acesso à informação, que permitem que a pessoa entenda que não é, ou está, errada por se sentir diferente, algo que muitos ainda não compreendem, principalmente em lugares onde não há  tanta globalização de ideias.

A maneira como a história foi contada, longe de sensacionalismos e exposições desnecessárias, rendeu um grande feito. Foi a 1ª vez que o mesmo filme ganhou o Coelho de Ouro e o Prêmio Canal Brasil. O reconhecimento marca a entrada da Lira Filmes no segmento, já que esse é o primeiro curta da produtora e o primeiro curta documental dirigido por Lara Dezan. “Quisemos mostrar que as pessoas são muito mais profundas, que existem muito mais camadas do que apenas o que está por fora, em que corpo nascemos e como os outros nos veem. O que importa é o que está por dentro, o que temos por baixo”, conta a diretora.

Atualmente, Roupa de Baixo está concorrendo ao Grande Prêmio Canal Brasil e está sendo inscrito em outros festivais nacionais e internacionais.

Ficha técnica:

Título Curta-metragem: Roupa de Baixo

Nome oficial do filme em inglês: Underclothes

Cidade/Estado de produção: São Luiz do Paraitinga, SP

Ano: 2015

Duração: 13’40”

Produtora: Lira Filmes

Co-produção: Pontocom

Apoio: uPmix

Direção: Lara Dezan

Produção Executiva: Juliana Lira

Roteiro: Alexandre Gennari

Depoentes Documentário: Suely, Júlia, Dita, Antônia, Flávia, Fátima, João Ribeiro, Geraldo Tartaruga e José Afonso

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