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Sala de aula: quatro dicas para não perder a atenção dos alunos para os Pokemons

Acabo de ganhar mais um concorrente de peso para disputar a atenção em minhas aulas, monstrinhos Pokémon espalhados por diversos…

By Redação , in Brasil News & Trends Tecnologia e Ciência , at 12/08/2016

Acabo de ganhar mais um concorrente de peso para disputar a atenção em minhas aulas, monstrinhos Pokémon espalhados por diversos Pokéstops ao redor do Campus. Não bastassem as curtidas nas redes sociais e as mensagens no WhatsApp, agora Pokemon Go chegou para tomar a atenção dos estudantes.

Engana-se quem pensa que sou professor do ensino fundamental ou médio, atuo em uma universidade particular de renome em São Paulo. Muito possivelmente, este tema será novamente assunto na próxima reunião de professores. Como bloquear, proibir ou cercear celulares ou aplicativos.

Em meu ponto de vista isso é pura bobagem, assim como o fato de ainda existirem professores que proíbem universitários de tirar fotos de matérias do quadro branco, fazer pesquisas em sala de aula ou até mesmo, utilizar o aparelho celular.

Que tal voltar no tempo e se lembrar de quando escrevíamos bilhetes, fazíamos desenhos, jogávamos STOP e batalha naval ou simplesmente viajávamos? Lembro-me de várias repreensões por minhas idas à lua, presenteadas por professores chatos e suas aulas maçantes.

Estava outro dia ministrando uma palestra para alguns professores e fiz um paralelo temporal entre o médico e o professor. Imagine a seguinte cena: voltemos 150 anos, ou seja, para o final do século XIX, trazendo estes profissionais imediatamente do passado para seu lugar de trabalho. Um cirurgião pensaria ter aterrissado em outro planeta, contemplando a quantidade de equipamentos, gráficos, luzes e monitores. Já o professor levaria alguns poucos minutos para trocar o quadro verde pelo branco, isto é, se a escola já tiver abolido o giz e o apagador.

Gostaria de fazer um parêntese. Tenho sido homenageado com frequência, não só pelos alunos de graduação, assim como por estudantes de MBA, executivos seniores em posições de liderança e literalmente sem tempo, os quais utilizam seus smartphones a trabalho e não para lançar Pokébolas, pelo estilo de minhas aulas. Desta maneira, gostaria de compartilhar quatro dicas que tenho utilizado com sucesso.

  1. Gerencie o tempo – Em épocas que mensagens cruzam o mundo em segundos, fazer com que seus alunos achem que estão perdendo tempo é fatal. Escreva um roteiro prévio com a duração de cada atividade, teste sites, deixe vídeos pré-gravados e faça uma simulação prévia. Um ou dois minutos de vacilo são suficientes para perder sua audiência.
  2. Seja breve – Irritam-te os discursos de deputados e senadores nas comissões de ética? Imagine então o que se passa na cabeça da nova geração. Especialistas dizem que 20 minutos é o prazo máximo de atenção. Tenho percebido que após 10 minutos ou menos, mãozinhas já começam a tremer de abstinência. Em suma, resuma o resumo. Acha impossível. Assista a alguns vídeos do TED.
  3. O aluno é quem faz o show – Já se foi o tempo em que alunos eram plateia e professores protagonistas. Colocar os alunos para trabalhar é a melhor estratégia. Deixe-os discutir e aplicar seus conhecimentos práticos ao resumo do resumo da 2ª dica. Facilitar, dirigir e orientar as discussões é novo papel do mestre. Tenho percebido que o uso de celular diminui sensivelmente durante atividades interessantes.
  4. Crie e inove – Vá além do Power Point, incorporando dinâmicas, jogos, casos e simulações. Design Thinking e Storytelling são algumas técnicas interessantes que tenho utilizado, fazendo com que lancem mão do lado direito do cérebro. Cores, desenhos e histórias ajudam a despertá-lo, tirando o foco da telinha. Todos conhecem minhas salas na universidade, cujas paredes estão cheias de POST ITS, infográficos e quadros, disponíveis no dia da prova.

Desta maneira, concluo dizendo que foi, é e sempre será, obrigação do professor trazer à atenção do aluno a matéria e ao conteúdo, criando estratégias de ensino interessantes, envolventes e participativas. Ontem batalha naval e STOP, hoje Facebook, WhatsApp e Pokémon e amanhã, nem Pikachú e sua turma saberão dizer. E aí, vai encarar ou continuar reclamando? O desafio está lançado.

Por Marcos Morita é um executivo de negócios sênior da área comercial.

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