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Sirene

Sirene O farol fecha, aquele trânsito chato de todo dia, que a gente já não sabe se é chato mesmo…

By Redação , in Coluna , at 13/04/2015

MONO

Sirene

O farol fecha, aquele trânsito chato de todo dia, que a gente já não sabe se é chato mesmo ou se a gente não gosta só porque acontece todo dia. É quando você começa a escutar a sirene de uma ambulância.
Esse barulho sempre me deixou nervoso. Sirene é a certeza de que alguma coisa ruim está acontecendo, ao mesmo tempo em que é o sinal de que a salvação está chegando.
Você não tem pra onde ir, enquanto alguém está desesperado para chegar a outro lugar, sua vontade é desparecer, ou que eles sejam capazes de voar, as pessoas se apertam, empurram, buzinam, avançam, mas não há pra onde ir. E a sirene é como um metrônomo do desespero, ecoando sem parar.
Quem será que está lá dentro? Quem está esperando pela chegada do socorro? Será que foi um ataque cardíaco? Uma criança que se machucou no portão? Um bebê, engasgado, com poucos minutos restando para a chegada do médico? Quem ligou para chamar a ambulância? O marido? A mãe? A filha? Há quanto tempo? O que fazer enquanto se espera a chegada? Como se controlar? Qual o tamanho da torcida para que o trânsito se abra, num mar vermelho de carros, por onde passa toda aquela esperança?
Tudo isso é despertado por aquele som.
E a cada centímetro a mais que você anda, liberando o espaço, cada lugar onde você consegue se espremer, dá a sensação de dever cumprido.
E continuamos esperando o farol abrir, torcendo para não ter nada a ver com aquela ambulância.

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Diogo Mono. Redator publicitário, tenta ser escritor, será pai de família e continua sendo um observador das coisas do cotidiano. © 2014

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