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Stand Up Crônicas: Bate a bunda no vapor

Stand Up Crônicas: Bate a bunda no vapor São Paulo já foi conhecido como terra da garoa. Mas com o…

By Redação , in Coluna , at 10/02/2014

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Stand Up Crônicas: Bate a bunda no vapor

São Paulo já foi conhecido como terra da garoa. Mas com o calor que tem feito nas últimas semanas, só cai garoa em cima da gente quando alguém chacoalha o cabelo suado.

O mais insuportável desse verão extremo não é o calor em si, mas as reclamações do pessoal no Facebook. Até então, eu achava que as indiretinhas para amigas e namorados eram o pior estágio que um post poderia atingir. Mas é impressionante o nível de chatice que um ser humano pode chegar quando a temperatura passa dos 30o C.

E pode anotar o nome das pessoas: são exatamente as mesmas que vão reclamar do inverno daqui uns meses. Aliás, o paulistano sempre reclamou que São Paulo tinha 4 estações no mesmo dia. Agora que tem só uma, continua reclamando.

Eu até entendo o pessoal reclamar tanto do calor. Está demais mesmo. Dia desses, vi uma baiana vendendo acarajé na rua, só de biquini. Algumas horas depois, soltei um peido numa reunião. Todos na sala agradeceram, porque deu uma refrescada.

Eu ouvi dizer que este é o verão mais quente dos últimos 71 anos. Ou seja, não faz tanto calor desde quando a Dercy Gonçalves tinha 36 anos. PQP, como faz tempo. Ouvi também que a culpa é do aquecimento global. Pode ser, mas acho que o aumento do número de cachimbos acesos na cracolândia também deu sua contribuição para elevar a temperatura da cidade.

Por outro lado, tem gente que adora o verão. Vá lá, tem mais decotes, mais coxas, mais pernas à mostra. Mas também tem mais axé music, mais pernilongos e mais cecê. Aliás, o verão é a estação mais democrática do ano, em que a Gisele Bundchen fica tão cecezuda quanto uma tia gorda cuidando da churrasqueira.

Outra vantagem da estação dos infernos é o horário de verão. Durante três meses, temos sol até quase oito da noite. É uma hora a mais para curtir o dia, fazer uma caminhada no parque ou tomar uma cervejinha. Mas nós, paulistanos, acabamos usando esse tempo para trabalhar mesmo.

Agora, quem ganha com o calor são os papos de elevador. Com esse clima, as viagens entre o 1o e o 20o andar nunca são silenciosas. Completos desconhecidos comentam que passaram a madrugada virando para lá e para cá na cama, sem roupa e ensopados de suor. Depois saem com caras de sérios, como se merecessem algum respeito depois de falarem todas essas coisas.

Mas o que fica mesmo aquecido nesse calor é o mercado de piadas ruins. Até cachorro na bunda sua. As galinhas já estão botando ovo cozido. Fui beber água no bebedouro e saiu vapor. Parece que o mundo, de uma hora para a outra, se transformou num enorme Zorra Total. Só há uma explicação: todo esse calor acabou derretendo alguns cérebros.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo.
© 2014.

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