fbpx

-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-

Stand Up Crônicas: PARABÉNS POR QUÊ?

em Coluna por

ze

PARABÉNS POR QUÊ?

Ontem foi meu aniversário. Mas não foi um aniversário qualquer, ontem eu completei 40 anos. E existe um ritual que todo ser humano tem que passar quando chega aos 40: ouvir todas as piadinhas sem graça com sua idade. E não adianta tentar escapar, é uma tradição milenar e a você só cabe ficar calado e tentar passar por ela. Para um homem, só existe uma coisa pior que fazer 40, fazer 24.

A primeira coisa que todo mundo fala é que a vida começa aos 40. E esse clichê não vem sozinho, ele vem sempre acompanhado de uma expressão triunfal de quem fala, como se estivesse dizendo aquilo pela primeira vez na história da humanidade.

Mas se a vida realmente começa aos 40, é uma baita de uma crueldade da natureza. Veja só que desperdício, a vida só começar quando você está acima do peso, calvo e sem o apetite sexual dos 18.

É óbvio que isso tudo é só uma mentira para consolar a gente. A única coisa que comprovadamente começa aos 40 é o exame de próstata.

É, amigos: é chegada a hora da dedada. E como se trata de algo inevitável, pelo menos vou procurar um médico especialista, preparado, pós-graduado no exterior e, principalmente, que tenha a mão pequena.

Além do proctologista, agora vou ter que fazer checkups anuais – ou seja: vou ter que ir ao hospital muito mais vezes e ter que aturar o proctologista dando aquela piscadela toda vez que passar por mim na sala de espera.

Mas se a saúde já não é mais a mesma, pelo menos a memória fica uma porcaria. Lembro que, aos 25, eu costumava saber decor todas as minhas senhas, o número do cartão de crédito, CEP, RG e CPF. Hoje eu preciso consultar a identidade toda vez que me perguntam o nome da minha mãe.

Menos cabelos, menos saúde e menos memória. Alguma coisa tinha que aumentar quando você chega aos 40: o mau-humor. É natural, meu amigo: você é mais rabugento aos 30 do que era aos 20. É mais rabugento aos 40, do que era aos 30. E já fico num mau-humor desgraçado só de imaginar o quanto eu vou ser rabugento aos 50.

Como tudo tem seu lado bom, eu tenho pelo menos um motivo para comemorar. Agora, finalmente, eu posso estufar o peito com orgulho e dizer:

– No meu tempo é que era bom.

O que era bom? Sei lá: qualquer coisa. Eu passei a vida inteira ouvindo meu pai e meu avô falando isso e agora é minha vez.

Afinal, ter 40 anos é fazer parte de uma geração muito especial, que provou Dip’n Lick, usou mullets, cantarolou Engenheiros do Havaí e viu a Era Dunga dominar o nosso futebol.

Ter 40 anos é ter tido suas primeiras fantasias sexuais olhando para catálogos de lingerie, porque a porcaria de internet só chegou depois de você ter perdido a virgindade.

Ter 40 anos é não ser digno de receber um “parabéns”. No máximo um “liga não, a vida é assim”.

_______________________________________________________________________________________
 
José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2013.

loading...

O The São Paulo Times® traz matérias e notícias, além de identificar tendências por meio de uma equipe de jornalistas e colunistas especializados em diversos assuntos.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

*

Últimos de Coluna

Dia de Reis

 Olha: agora você é o pai. Você, que sempre foi o filho

Como todo Natal

Família grande é a tal coisa. No Natal, isso fica ainda mais
Voltar p/ Capa