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Ciência

Brasileiros sobem ao pódio na Olimpíada Internacional de Química

em Educação e Comportamento/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Todos os estudantes brasileiros participantes conquistaram medalha durante a 50ª Olimpíada Internacional de Química. Os alunos Ivna de Lima Ferreira Gomes (de 17 anos), Vinícius Figueira Armelin (16 anos), João Victor Moreira Pimentel (16 anos) e Orisvaldo Salviano Neto (17 anos), conquistaram as medalhas de ouro (dois primeiros), prata e bronze, respectivamente, durante a competição, realizada na República Tcheca e Eslováquia. A participação dos estudantes nessa disputa conta com o patrocínio da Dow, empresa do setor químico.

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As marcas de uma nova ciência

em Coluna/Tecnologia e Ciência por

Paulo

As marcas de uma nova ciência

Cientistas, pesquisadores, doutores e PhDs muitas vezes são vistos como seres à parte da humanidade em geral. Seja porque estudam campos incomuns do conhecimento, seja porque especializam-se em assuntos que as pessoas sequer sabem que existem. Mas o fato é que, convivendo com muitos deles, logo se percebe que, assim como você e eu, essas pessoas tem um lado humano comum, o qual compartilham com suas famílias, vão ao mercado e saem para passear seus cachorros. Além disso, seus familiares também adoecem, seus cães e gatos também ficam velhinhos. E muitas vezes, é pelo lado humano que a visão mais integral e holística invade a vida dos super-especialistas; os mesmos que, na academia ou no laboratório, executam pesquisas com o máximo rigor e saudável ceticismo científico. E o que acontece quando um pesquisador se depara com resultados inegáveis, e ao mesmo tempo inexplicáveis pela sua própria lógica estrita? Uma parte deles resolve “não misturar” os assuntos. Outros sentem-se compelidos a buscar respostas e realizar pesquisas, e não são poucos os casos de pesquisadores que tiveram suas linhas de trabalho impactadas por sua vivências pessoais. Como poderia um médico, ou um biólogo, testemunhar a melhora inexplicável de sua própria mãe; a salvação da vida do seu filho; ou até mesmo de um animal de estimação muito querido, e continuar “imune” a questionar-se; e eventualmente trabalhar para expandir este conhecimento e oferecer a mais pessoas a oportunidade do mesmo benefício?

No convívio com muitos desses especialistas, percebo que este fator cumulativo de experiências constituiu-se talvez no mais importante elemento de abertura e transformação da ciência em tempos recentes; ajudando mais que qualquer debate téorico na aceitação de novas técnicas e a incorporação conhecimentos e práticas ancestrais.

No terceiro e último artigo da série sobre o 4o Seminário Internacional de Medicina Tradicional e Práticas Contemplativas promovido pela UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo e a Associação Palas Athena, que contou com especialistas de vários países e linhas de pesquisa; unindo cientistas, biólogos, médicos, reikianos e diversos especialistas ligados à espiritualidade, vou destacar essa nova atitude científica; mais aberta e holística, mais interessada em descobrir novos caminhos do que em repetir cegamente velhos dogmas.

Pluralidade

Esta me parece uma marca muito clara desta atitude científica contemporânea. A origem de uma prática não precisa estar necessariamente num laboratório ou na academia clássica. A nova visão de ciência inclui fontes tão diversas quanto as praticas indígenas, os rituais afro-brasileiros e a meditação tibetana. E, claramente, há aqui a influência das experiências de vida de cada um. Porque vivenciaram e experimentaram resultados, seja em si mesmos, seja em alguém de seu círculo direto de relacionamentos. Como citei no primeiro artigo desta série, mais da metade do auditório levantou a mão e declarou “meditar freqüentemente”, quando esta pergunta foi colocada pela Dra. Elisa Kozasa (Hospital Albert Einstein e UNIFESP). São experiências diretas, pessoais, que modificam o modo de vida dessas pessoas. Assim como a meditação entrou na vida de muitos no mundo todo nos últimos anos, algo semelhante ocorreu com o Reiki, com os rituais afro-brasileiros ou as práticas xamânicas. E em muitos casos, foram os resultados insistentes e consistentes que levaram as pesquisas até a academia e os laboratórios. Neste sentido, foram preciosos os relatos de Kaká Werá (ele mesmo tendo recebido um tratamento tradicional indígena que evitou seqüelas posteriores a um atropelamento) e dos representantes da tradição da umbanda e candomblé que trouxeram os conhecimentos e experiências das práticas afro-brasileiras ao evento.

Tanto quanto é o caso dos cientistas indianos e tibetanos, por exemplo: Nascidos numa cultura da qual a meditação é parte incorporada há milhares de anos, é apenas natural que trouxessem esse saber para suas pesquisas; como acontece no caso do Geshe Lobsang Tenzin Negi, ou da Dra. Tenzin Lhumpo, ambos de origem Tibetana; um estilo de vida ensinado desde o berço a lidar com os desafios da vida de um modo muito diferente do ocidental. Claro que isso não significa que não exista estresse. Mas nessas culturas, ele é tratado de um modo muito diferente: não há espaço para a aceitação de que viver constantemente estressado seja parte “natural” da vida. Isso preserva um distanciamento diferente, que permite dizer coisas como “a inflamação é um forte efeito de resposta à presença crônica do estresse, que está tornando-se epidêmica” ou “na sociedade atual, nós superestimamos o perigo.” (Geshe Lobsang Negi). Uma de suas pesquisas, por exemplo, determina que a meditação da compaixão (mesmo separada de qualquer aspecto religioso) tem efeitos interessantíssimos sobre a amígdala (uma glândula do cérebro): Ela aumenta a reação ao sofrimento e aos sentimentos negativos; mas, ao mesmo tempo, isso não prejudica ou deprime os praticantes. Porque? Como a prática meditativa está desenvolvendo a compaixão pelos outros seres; ela aumenta a sensibilidade; ao mesmo tempo em que protege os praticantes de sentirem neles mesmos aqueles efeitos depressivos. Trocando em miúdos: pensar compassivamente no outro cria o bem estar para si mesmo; ou, como diz uma mestra da tradição tibetana: “Cuidar do outro é cuidar de si”. O interessante é uma pesquisa com marcadores químicos cerebrais demonstrar isso exatamente da forma descrita há mais de dois mil anos.

Dr. Tenzin Lhumpo
Dr. Tenzin Lhumpo

A Dra. Lhumpo, especialista em medicina preventiva na cidade indiana de Dharamsala (sede do Governo Tibetano no exílio; e onde vive o Dalai Lama) palestrou sobre como a medicina Tibetana se utiliza das práticas contemplativas como parte essencial da prevenção em saúde, e diz: “divulgar isso é muito importante, com tantos resultados claros a favor dessas práticas simples e de baixíssimo custo, as pessoas no ocidente em geral, (e no Brasil em particular, que necessita tanto de medicina preventiva) deveriam estar fazendo fila para aprender esse tipo de prática”.

Resultados

Essa observação, leva à outra marca que creio essencial no sentido da aceitação de uma visão mais integral da ciência: funciona. Por todos os critérios científicos, de publicações e universidades do mundo todo, muito simplesmente, funciona. É curioso imaginar que justamente a atitude pragmática e voltada para resultados objetivos tem aberto cada vez mais as portas para as práticas tradicionais e contemplativas. Anteriormente associadas apenas a crendices ou inocência; hoje a comunidade científica mundial convive com tamanha enxurrada de dados e resultados positivos que não pode simplesmente ignorar sua eficácia. Especialmente num tempo em que tantos questionam abertamente a abordagem às vezes reducionista da medicina medicamentosa, onde um remédio indicado para resolver um problema cria tantas vezes uma série de outros.

Esta nova visão parece buscar a eliminação do preconceito para com as origens tradicionais e simplesmente estudar essas práticas de modo direto. A maioria delas tem custos reduzidíssimos, desonerando o sistema de saúde e tratando pacientes sem criar efeitos colaterais. Comprovados os resultados; qual poderia ser a razão para não aplicá-las?

A resposta que parece emergir é que faltam apenas imensos orçamentos de marketing como os das indústrias farmacêuticas e os seus poderosos lobbies.
E governantes mais preocupados com a saúde da população do que com esses dois itens.

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Paulo Ferreira é escritor, coach e consultor em desenvolvimento organizacional do bem estar humano; conselheiro e representante do Nikola Tesla Institute em SP. © 2014.

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