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Thursday, August 13, 2020
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Tempestade perfeita na Fifa?

A prisão de dirigentes “de peso” da Fifa, nesta manhã, mostra que a complexidade do atual sistema capitalista. Se ao…

By Redação , in Brasil Esporte Mundo News & Trends , at 27/05/2015

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A prisão de dirigentes “de peso” da Fifa, nesta manhã, mostra que a complexidade do atual sistema capitalista. Se ao mesmo tempo, chegamos a isso tudo por causa da forma altamente mercantilizada com que os cartolas tratam o futebol, esse mesmo sistema não está mais tolerando os modelos “tradicionais” de gestão dos clubes e entidades esportivas: sem transparência, patrimonalista e exuberantemente permeável a múltiplas formas de corrupção.

Apesar de ser o início de uma investigação e ainda sem certeza de culpas e de eventuais punições, a notícia do dia é um fato que dá esperança. Sim, é algo que pode ser visto como positivo, pois mexe com a estrutura atual do futebol mundial e mostra que a modelo precisa de mudanças urgentes.

A diferença do fato atual em relação aos sucessivos escândalos que já vinham sendo feitos ao Sistema Fifa e parceiros é que, desta vez, as denúncias levaram a um processo nos EUA com a aplicação das atuais e bem rigorosas leis anticorrupção de lá. Isso realmente é um fato novo e pode gerar desdobramentos surpreendentes nos próximos dias.

É importante lembrar a pressão sobre a Fifa vem num crescendo há bastante tempo. A entidade saiu do Brasil com a imagem extremamente arranhada, pois a gestão da Copa de 2014 só foi benéfica para ela. O Brasil ficou com a conta para pagar. Os protestos não perdoaram a entidade.

Em nível internacional, a péssima imagem acentuou-se com a definição de Rússia e Catar para as Copas de 2018 e 2022. Há inúmeras suspeitas de irregularidades nessas escolhas. Pode ser que isso entre novamente no foco das discussões.

Sobre o Catar, ainda, a Fifa vem sofrendo grande pressão dos seus parceiros e patrocinadores por causa das denúncias envolvendo trabalho escravo e mortes no processo de preparação das arenas. Visa, Coca-Cola e Adidas estão seriamente preocupadas e já vinham pressionando a entidade. As marcas sabem que, no mundo de hoje, há corresponsabilidade e que os escândalos “colam” nas marcas-parceiras também.

O cenário de “tempestade perfeita” é completado com o fato de que, em alguns dias, haverá eleições na Fifa. Ainda que os dirigentes neguem, tudo o que está acontecendo levaram o modelo da entidade máxima do futebol “ao chão”. A ver como e se a entidade conseguirá sair desse escândalo. Acho que dificilmente isso acontecerá sem perdas, ao menos do ponto de vista, da imagem pública.

Por Anderson Gurgel, professor de Comunicação Esportiva da Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor do livro “Futebol S/A – A Economia em Campo (Ed. Saraiva, 2006). 

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