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Tensão nos Países Bálticos: o lobo russo está batendo na porta 


Em meados de setembro, caças canadenses e norte-americanos esbarraram em um total de seis bombardeiros russos voando próximo ao Pólo…

By Redação , in Mundo News & Trends , at 20/10/2014

Em meados de setembro, caças canadenses e norte-americanos esbarraram em um total de seis bombardeiros russos voando próximo ao Pólo Norte, ultrapassando o protocolo da “zona de identificação de defesa aérea”, administrada conjuntamente pelo Canadá e EUA, exigindo que aqueles que entrarem nela, identifiquem-se pelo rádio informando seu destino, procedimento que os aviões russos não fizeram.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Caças russos rotineiramente atravessam os Países Bálticos e também penetram o espaço aéreo da Finlândia e da Suécia. No início deste verão, quatro aeronaves russas voaram dentro das 50 milhas da costa da Califórnia antes de serem desviados.

Como as forças da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) realizaram exercícios no Báltico, no mês passado, Moscou despachou 24 navios de guerra em águas da costa da Lituânia. E no final de setembro, em toda a extensão do grande território russo, Moscou começou seus maiores exercícios militares no Extremo Oriente, na era pós-Guerra Fria.

Que Vladimir Putin amava a Guerra Fria não é novidade nenhuma. O ex-oficial da KGB serviu na Alemanha Oriental, uma das frentes principais ao longo de 30 anos entre o comunismo soviético e o Ocidente, e, desde então, descreveu o fim da União Soviética como uma das grandes “tragédias” do mundo.

Para alguns, a flexão militar consistente de Moscou representa a tentativa de Putin em restaurar um pouco de orgulho da Rússia depois de anos de um declínio lamentável pós-Guerra Fria.

Mas como esses exercícios estão no meio da guerra da Rússia na Ucrânia, não é assim que a maioria dos planejadores de guerra e diplomatas do Ocidente necessariamente os enxerga. No momento em que os Estados Unidos têm sido sugados de volta para uma guerra aérea no Oriente Médio, os diplomatas ocidentais, as agências de inteligência e os estrategistas de guerra estão tentando ler a mente de Putin com mais urgência do que nunca.

O cessar-fogo firmado em 5 de setembro entre Kiev e Moscou foi respeitado por um tempo, mas agora é cada vez mais uma incerteza. Os pró-separatistas apoiados por Moscou intensificaram seu ataque em Donetsk, uma cidade estratégica no leste. Pelo menos 10 crianças foram mortas – para quatro delas, inclusive, era o primeiro dia de aula – quando um morteiro atingiu um parque infantil em Donetsk.

Desde o início do “cessar-fogo”, nada menos do que 20 soldados ucranianos foram mortos.

Na verdade, o conflito entre Moscou e o Ocidente sobre a Ucrânia continuou em outras frentes. Em resposta às sanções reforçadas contra a Rússia, em 25 de setembro os legisladores em Moscou ameaçaram “ataques de ativos” nas empresas estrangeiras no país, um movimento que, segundo analistas, contribuíram para uma quebra acentuada no mesmo dia nos preços das ações norte-americanas.

A Newsweek foi informada que, caso o cessar-fogo desmorone, a OTAN está considerando fornecer armas “defensivas” para Kiev, apesar da insistência do presidente norte-americano, Barack Obama, de que não haveria ajuda militar ao país. As fontes se recusaram a dizer que tipo de armamento a OTAN pode considerar uma possibilidade.

Contra esse pano de fundo, os analistas estão tentando descobrir o que Putin pode fazer a seguir. Um oficial sênior alemão diz que há duas grandes preocupações. A primeira é o que os russos hoje chamam de “Nova Rússia”, cujos contornos estão sendo um motivo de uma intensa discussão no Kremlin.

Isso inclui grandes cidades ucranianas orientais, como Dnipropetrovsk e Kharkiv, ainda sob o controle de Kiev. Ela também anexa a Crimeia – a parte da Ucrânia que os separatistas russos apreenderam primeiro – a Transnistria, uma província do outro lado do Mar Negro na Moldávia ocupada por Moscou.

No início de setembro, as forças russas cruzaram a fronteira com ao sudeste da Ucrânia carregando a bandeira da Nova Rússia.

Mais desesperador para a OTAN é um movimento russo contra um ou mais dos Países Baixos – Estônia, Lituânia e Letônia e todos os membros da OTAN. Todos possuem significativas populações russos étnicas e, assim, proporcionam um pretexto potencial de Moscou, como o usado no leste da Ucrânia: os direitos do nosso povo foram de certa forma pisoteados e tivemos que fazer alguma coisa.

As recentes incursões aéreas nos Países Bálticos apenas intensificaram a preocupação de que Putin pode ser louco o suficiente para mexer com um membro da OTAN.

Em 3 de setembro, Obama visitou Tallinn, capital da Estônia, e prometeu um aumento das forças da OTAN nos Países Bálticos. Ele reiterou que os EUA iriam cumprir com suas obrigações do tratado, o qual prevê um único a um membro da OTAN é considerado um ataque contra todos e provocaria uma resposta militar.

“Nós iremos apoiar a Estônia”, disse Obama em Tallinn. “Estaremos aqui para apoiar a Letônia e a Lituânia também. Vocês já perderam a sua independência antes. Com a OTAN, vocês não irão perdê-la novamente”, concluiu o presidente norte-americano.

A questão é saber se Putin pode testar essa proposição. Será que ele poderia acreditar que a nova guerra aérea contra o Estado Islâmico – conhecido como ISIS – o Iraque e a Síria suficientemente distraíria Obama e a OTAN, a pontos de eles não responderem a outra “incursão” russa (palavra da Casa Branca para o que Moscou tem feito na Ucrânia)?

O colunista russo, Andrei Piontkovsky, escreveu recentemente que alguns diplomatas na Europa agora pensam que “se Putin conseguir subordinar completamente a si mesmo a política da Ucrânia e bloquear o desejo dela de fazer parte da Europa, então ele vai continuar sua campanha e seu próximo alvo será os Países Bálticos”.

O que deve ser desconcertante para todos os interessados ​​é que essa possibilidade é descartada pela maioria dos formuladores de políticas em Washington e em grande parte da Europa Ocidental. Eles acreditam que “Putin é agressivo, mas ele não é louco”.

Embora em seu discurso em Tallinn no início de setembro Obama defendesse um Ocidente que foi unido e determinado, isso mascara a unidade retórica que é, na verdade, uma profunda divisão no oeste. Simplificando, diplomatas e políticos do leste europeu temem mais aventuras de Putin além da Ucrânia.

Em qualquer caso, os EUA certamente não estão se preparando para outro modo total de guerra.

Em um artigo recente, Andrzej Wilk, um membro sênior do Centro de Estudos Orientais em Varsóvia e ex-funcionário do ministério da defesa nacional da Polônia, observou um aumento constante dos gastos com a defesa de Moscou, além do crescente ritmo de exercícios militares em todo o país. “No momento”, escreveu ele, “é cada vez mais pertinente perguntar se a espiral de militarização que Moscou pôs em marcha já chegou a um ponto de não poder haver um retorno mais”, finalizou Andrzej.

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