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Ultrassom na gravidez: a importância e a época correta de cada exame

Conheça as três ultrassonografias imprescindíveis em qualquer gestação   Desde o surgimento dos primeiros equipamentos de ultrassom, as técnicas e…

By Redação , in News & Trends Saúde & Bem-estar , at 06/07/2016

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Conheça as três ultrassonografias imprescindíveis em qualquer gestação
 
Desde o surgimento dos primeiros equipamentos de ultrassom, as técnicas e os aparelhos vêm se aperfeiçoando a cada dia. Muito mais do que saciar a curiosidade dos pais quanto ao sexo do bebê, ou até mesmo oferecer detalhes de sua fisionomia, por meio dos moderníssimos equipamentos em 3D, os principais motivos do exame ainda são o rastreamento de anomalias e o acompanhamento do desenvolvimento fetal.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), devem ser realizados pelo menos três exames de ultrassom ao longo da gravidez, cada qual em um momento específico.  Esta orientação vale apenas para a gestação sem nenhuma intercorrência, com pré-natal normal, sem nenhum risco. No caso de gestação gemelar ou com qualquer outra particularidade que exija um acompanhamento mais frequente, somente o médico poderá avaliar qual a periodicidade do ultrassom, bem como dos demais exames que deverão ser realizadas ao longo da gestação.

Primeiro trimestre

Segundo a Dra. Leynalze Lins Ramos dos Santos, especialista em diagnóstico por imagem – ultrassonografia geral pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e mestre em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo, para esta gravidez sem nenhuma complicação, o primeiro ultrassom, denominado morfológico do primeiro trimestre, deve ser realizado entre 11 semanas e meia e 14 semanas de gestação.

“Nesta fase, embora o bebê ainda não esteja totalmente formado, é possível avaliar diversas características com o objetivo de rastrear malformações. Verificamos, por exemplo, a medida da prega da nuca, para ver se há alteração, bem como a presença de osso nasal. Os bebês com Síndrome de Down, por exemplo, não tem esse osso ou, quando têm, é menor do que nos demais”, explica.

Para este exame, o período gestacional é muito importante. Se ultrapassar as 14 semanas, a precisão não será mais a mesma.

“É neste exame, também, que a gestante terá a melhor previsão da data provável do parto, pois a medida do bebê é mais precisa, visto que ele ainda cabe inteiro na tela.”

Segundo trimestre

No ultrassom morfológico do segundo trimestre, que deve ser feito entre 21 e 24 semanas, todos os órgãos do bebê já devem estar formados.

“Temos nesta fase a oportunidade de realizar um estudo aprofundado da anatomia do feto e, assim, detectar eventuais malformações. Isso é extremamente importante para que, no caso de algum problema, a gestação possa ser acompanhada mais de perto e todas as providências tomadas para o momento do parto. Pode ser necessária uma cirurgia para correção do problema logo após o parto, ou algumas vezes até mesmo antes do nascimento. ”

Outro item imporante a ser avaliado neste exame  é o comprimento do colo uterino, realizado com transdutor endocavitario por via transvaginal, alerta o Dr. Thomaz Gollop, professor livre-docente em genética médica pela Universidade de São Paulo. “Quando encurtado, temos um importante sinal de risco de prematuridade”.

O especialista destaca que anomalias incompatíveis com a vida podem ser detectadas neste momento. Entre elas, a anencefalia.

“A ultrassonografia morfológica de segundo trimestre, e mesmo a de primeiro trimestre, após 12 semanas, pode diagnosticar com 100% de segurança fetos com anencefalia. Por decisão do Supremo Tribunal Federal de 12 de abril de 2012, nestes casos a gestante poderá decidir livremente se quer manter ou interromper a gravidez.”
Ainda segundo o especialista, a ultrassonografia morfológica de segundo trimestre pode indicar malformações que suspeitam, em seu conjunto, tanto da trissomia 13 quanto da trissomia 18.

Segundo o Dr. Thomaz, outras anomalias fetais graves e incompatíveis com a vida também podem ser podem ser identificadas com segurança apenas por este exame de imagem.

“É o caso da acrania, Pentalogia de Cantrell, Síndrome Body Stalk, onfaloceles graves contendo fígado e alças intestinais, entre outras. Assim como no caso de anencefalia, em caso de anomalia incompatível com a vida, é possível obter alvará judicial para interrupção da gestação, se for o desejo da mulher.”

Terceiro trimestre

No terceiro trimestre, por volta de 34 semanas, vem um terceiro exame fundamental, explica a Dra. Leynalze.

“O ultrassom obstétrico do terceiro trimestre é realizado com a utilização de doppler colorido. Este equipamento avalia a artéria umbilical, que leva o sangue e nutrientes da mãe ao bebê. Se o fluxo não estiver bom, o bebê pode deixar de ganhar peso. Em algumas situações, podemos concluir que ele estará melhor fora do que dentro do útero da mãe, e a gestante é encaminhada para uma cesárea imediatamente.”

Outro fator observado neste exame, revela a especialista, é a artéria cerebral média, localizada na cabeça do bebê.

“Antigamente, o parâmetro para o sofrimento fetal era a alteração no batimento cardíaco. Hoje sabemos que muito antes de apresentar alteração no batimento cardíaco o sofrimento fetal pode ser detectado por meio de alteração do fluxo sanguíneo que vai para a cabeça do bebê.”

“Quando estamos em sofrimento, esta artéria é dilatada de modo a proporcionar o aumento do fluxo sanguíneo, protegendo o organismo”, explia Dr. Thomaz

Segundo a Dra. Leynalze, esta reação diante do sofrimento não é característica apenas dos fetos. “O nosso organismo mesmo, quando em sofrimento, tende a preservar os órgãos-alvo, que são o coração e a cabeça”.

Ainda neste exame, observa-se o fluxo sanguíneo das artérias uterinas. Sua redução revela a possibilidade da gestante estar desenvolvendo hipertensão arterial gestacional.”
 
Equipamentos e profissionais

Infelizmente, ainda hoje no país, embora seja possível encontrar equipamentos com a mais alta tecnologia existente no mundo, há na outra ponta regiões com equipamentos ainda muito antigos, sem muitos recursos.

Para piorar, à frente destes equipamentos, nem sempre estão profissionais habilitados para a realização do ultrassom.

“O ultrassom é um exame operador-dependente. O profissional que realizar um exame tem que ter expertise para fazê-lo, pois ao contrário de exames como o raio-x ou a tomografia, aqui não teremos uma imagem fixa que poderá ser mostrada posteriormente a um profissional habilitado.”

Por este motivo, explica, é necessário se certificar que aquele profissional prestes a realizar o exame na gestante é habilitado, ou seja, é um médico radiologista, que fez residência médica naquela área e possui título de especialista em radiodiagnóstico, ou um ginecologista, com especialização em ultrassonografia.
 
O sexo do bebê

Mesmo com um ótimo equipamento e um profissional especializado, nem sempre é tão simples matar a curiosidade acerca do sexo do bebê. Para tirar esta dúvida, bem como outras ao longo do exame, um fator é essencial: paciência.

“Enfrentamos hoje, no país, um grande problema de baixa remuneração nesta área, o que faz com que os laboratórios tenham de agendar um volume muito grande de exames em um mesmo dia. Mas nem sempre o bebê está posicionado de forma favorável, e a menos que possamos aguardar que ele mude de posição, a gestante poderá ir para casa sem todas as respostas que gostaria.”

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