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Stand Up Crônicas: O Barba

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O Barba

No Natal, todo mundo quer saber de presentes, de comer muito, de beber muito, mas ninguém se lembra do mais importante. Natal é o nascimento daquela pessoa que sofreu muito, que levou uma vida de sacrifícios: meu primo Osvaldo. Sim, o pobre Osvaldinho  faz aniversário no dia de Natal e passou a vida ganhando um presente só. E quando eram dois, no máximo eram dois sapatos. Não dois pares, mas um par mesmo. Imagine o Papai Noel entregando só um pé do sapato para ele:

– Toma, Osvaldo. O outro pé é de aniversário, vai pedir pra sua mãe.

Eu, particularmente, nunca acreditei no Barba. Mas meus irmãos acreditaram. Lembro que em uma certa idade, eles já estavam desconfiando que o Papai Noel e nosso pai eram a mesma pessoa, pois nunca um aparecia ao lado do outro – tipo Clark Kent e Superman, Bruce Wayne e Batman, eu e o Brad Pitt.

Então meus pais tiveram a brilhante idéia de naquele ano o Papai Noel ser encarnado por minha mãe. Tá certo, nós vimos os dois papais juntos: aquele que vivia de saco cheio e o Noel. Mas lembro que a certa altura, meu irmão de cinco anos, chegou com cara de assustado para mim:

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– Cê não acredita: o Papai Noel é viado.

– Que isso, Ricardo?

– Juro. Ele tá de brinco e tem voz fina.

Tudo fez sentido na cabeça do meu irmão, alguns anos depois na aula de inglês, quando ele descobriu que os americanos chamam o Papai Noel de Santa.

Dentre as coisas que me fizeram não acreditar no Barba, a principal era uma dúvida: como o Papai Noel, velhinho daquele jeito, aguentaria levar presente para tantas crianças do mundo todo? Só com ajuda de muito Viagra. Taí, o Viagra poderia usar o Papai Noel em uma campanha de Natal: ele estaria na cama com uma mulher bem mais nova. E ela, exausta, falaria:

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– Você é bom, velhinho.

Isso sem contar nas inúmeras rimas sugestivas, que o nome Nicolau proporcionaria – seria um sucesso.

Outra coisa que sempre me intrigou é o fato de o Papai Noel ter sempre a mesma aparência. Estou com 40 anos e, desde que me lembro, o Noel não envelheceu nada. Ou ele tem alguma síndrome do tipo Peter Pan e Benjamim Button ou tem alguma coisa errada aí. Vejamos: a expectativa de vida de um ser humano na Lapônia é de 80,7 anos. Quando eu tinha 5, o Noel aparentava uns 65. Hoje, deveria estar morto – ou ao menos com a cara da Dercy Gonçalves.

Com ou sem Papai Noel, deixo aqui meus votos de Feliz Natal a todos os leitores. E que você ganhe mais presentes que meu primo Osvaldo.

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José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2013.

 

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