Stevia: a alternativa na batalha da OMS contra a obesidade

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O açúcar é apontado pela OMS como o vilão na luta contra a obesidade no mundo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou recentemente mais um capítulo da luta contra o consumo excessivo do açúcar. O alvo da vez é a indústria de alimentos, mais precisamente os produtores de refrigerantes. O órgão defende, entre outras coisas, que produtos com alto teor de açúcar paguem mais impostos e que os rótulos dos alimentos contenham o volume de açúcar contido no produto.

Alternativas já existem e as opções naturais são cada vez mais testadas pela indústria. Um exemplo é a stevia, planta naturalmente doce com potencial de dulçor 300 vezes maior do que o de açúcar de cana. Por ser natural, pode ser consumida por diabéticos e gestantes. É dela que se extrai o adoçante natural esteviosídeo, responsável por realçar o sabor dos alimentos e que tem sido usado cada vez mais pela indústria alimentícia ao redor do mundo.

Para Airton Goto, diretor técnico da Stevia Soul, produtora e fabricante de adoçantes e produtos à base de stevia, a planta tem totais condições de ser utilizada em alimentos e bebidas industrializados. “Para isso, é necessário flexibilizar as regras para utilização de misturas de adoçantes e açúcar nas bebidas. Só assim vamos incentivar a indústria de alimentos a pesquisar e testar novos produtos à base de stevia”, explica.

Confira a entrevista realizada com Airton Goto:

OMS quer impostos sobre refrigerantes para reduzir açúcar. Como o setor de adoçantes naturais pode enxergar esta recomendação?

Acreditamos que o aumento de impostos não seja a melhor alternativa para reduzir o consumo de açúcar. É necessário criar uma regulamentação de uso e consumo – assim como existe para os adoçantes e demais aditivos comuns na indústria alimentícia. A regulamentação da quantidade máxima que pode ser usado em alimentos prontos para consumo obriga as indústrias a buscarem alternativas para redução de açúcar em seus produtos.

No caso especifico dos refrigerantes, uma saída seria o Brasil autorizar a mistura de adoçantes e açúcar nos refrigerantes carbonatados a exemplo de outros países do mundo. Tais medidas, certamente reduziriam drasticamente o consumo de açúcar pela população.

Quais seriam os desafios para as indústrias conseguirem reduzir o açúcar em alimentos processados?

Temos um problema legislativo que precisamos resolver: convencer os órgãos responsáveis a flexibilizar as regras de utilização de misturas de adoçantes e açúcar nos refrigerantes.

Quais são os outros tipos de edulcorantes que a indústria pode encontrar no mercado nacional, e que já reduza custos e gere maiores benefícios para os consumidores brasileiros?

Existe uma gama muito grande de alternativas para substituição total ou parcial do açúcar, entretanto o único natural é a stevia. Sua utilização na indústria é aprovada pelo Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA), órgão que atesta a segurança dos aditivos alimentares.

Em que pé encontra-se o consumo da indústria alimentícia que já oferece stevia em produtos?

Como apresenta excelente estabilidade térmica e química, é o adoçante ideal para uso na indústria alimentícia. O uso da stevia na indústria, principalmente nos fabricantes de bebidas, não para de crescer.

Quais tipos de produtos já é possível se encontrar stevia?

Grandes empresas como Coca-Cola e a Pepsi têm feito testes com refrigerantes que levam stevia em sua composição. Também há misturas para bolos e pudins, chocolates, sorvetes e biscoitos.

Qual é a capacidade de produção do cristal de stevia que a Stevia Soul pode produzir?

Até 2020 devemos triplicar nossa produção e disponibilizar cerca de 300 toneladas/ano para o mercado brasileiro. Parte dessa produção será resultado de uma parceria público-privada que firmamos no ano passado com o governo e agricultores do Paraguai.

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