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Toca Raul! – 25 anos sem o “Maluco Beleza”

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Diorama

Toca Raul! – 25 anos sem o “Maluco Beleza”

Há 25 anos, completados no dia 21 deste mês, morria aos 44 anos Raul Santos Seixas.

O homem se foi, é verdade, mas ao mesmo tempo nascia um mito, uma lenda do rock nacional, que nos deixou um legado inigualável, pelo menos a meu ver. E acreditem amigos, eu não estou sozinho. Afinal, é como dizem por aí: “só morre quem é esquecido.” E ele com certeza ainda está vivo e faz parte da memória e da vida de muita gente, especialmente dos brasileiros que acompanharam a sua trajetória como um grande difusor do rock brasileiro.

Raul nasceu na manhã do dia  28 de Junho de 1945 em Salvador. Vindo de uma família baiana, foi criado por um pai engenheiro e uma mãe dona de casa.

Desde pequeno já demonstrava que seu destino não estava em nenhum diploma. Em 1952 ele entrava para a vida escolar, mas seus problemas começariam mesmo em meados de 1957, quando ele ingressou no colégio, reprovando a 2ª série várias vezes. Obviamente os professores culpavam o “maldito” Rock’n Roll que o garoto ouvia. Mas o próprio Raul, mais tarde daria sua própria visão da escola: “Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la.”

No fim dos anos 50, começo dos anos 60, junta-se a Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba e juntos, montam o grupo Raulzito e Os Panteras: “Em 54/55, ninguém sabia o que era rock. Eu tocava e me atirava no chão imitando Little Richard”. Assinam contrato com a gravadora EMI, após serem reconhecidos por ninguém menos que Roberto Carlos, nos corredores de uma grande gravadora, e lançam seu primeiro e único álbum. Raulzito e Os Panteras não iriam muito longe e pouco tempo depois, Raul passaria fome pelas ruas do Rio de Janeiro, como cantaria mais tarde em “Ouro de Tolo”.

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Após a decepção dos Panteras, Raul volta para Salvador, onde sua sorte muda novamente e ele acaba conhecendo o diretor da CBS discos, que oferece-lhe então um cargo como produtor musical. Sem pensar duas vezes, ele volta pro Rio e começa tudo de novo. Desta vez a sorte lhe sorri, ele faz grandes amigos e parceiros que lhe abrem portas para divulgar todo o seu talento como cantor e compositor. E apesar de alguns projetos mal sucedidos, como o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, apresenta Sessão das 10, lançado em 1971, com muitas de suas músicas completamente editadas pela ditadura militar. Ainda assim, ele emplaca um sucesso estrondoso, após participar do Festival Internacional da Canção, com as composições “Let Me Sing, Let Me Sing” e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios & Os Lobos.

A partir daí vieram grandes sucessos como “Ouro de Tolo”, “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa” e “Al Capone”, que marcaram a década de 80 e registram seu nome de vez no cenário do rock nacional.

Claro que nem tudo foram só flores. Em 1974, Raulzito cria juntamente com seu amigo Paulo Coelho a Sociedade Alternativa, baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a única lei era: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.” Obviamente, tiveram problemas com a censura por conta disso. Foram perseguidos pelos militares, presos e exilados para os EUA. O que os militares não imaginavam é que a música “Gita” faria tanto sucesso, que eles teriam que trazê-los de volta por conta disso.

Após alguns altos e baixos, alguns casamentos malsucedidos e um longo hiato no sucesso, Raul entra em uma onda de depressão e alcoolismo, voltando a viver uma fase de fracassos, tanto na vida pessoal, quanto profissional.

Já no fim de sua carreira, ele fecha uma parceria com o músico Marcelo Nova e o  acompanha, no que seria sua última turnê. 50 apresentações pelo Brasil. Segundo o próprio Marcelo, Raul se arrastava pelo palco.

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Raul foi encontrado morto no dia 21 de agosto de 1989, por volta das 8 horas da manhã. Ele teria sofrido uma pancreatite, por não ter tomado sua insulina na noite anterior (Raul era diabético) e ainda ter ingerido uma grande quantidade de álcool. O resultado foi fatal, ocasionando-lhe uma parada cardíaca.

A história de Raul Seixas não difere das de muitos outros ídolos que deixaram suas marcas e se foram jovens, mas sem dúvida, no cenário do rock nacional, jamais existiu um artista tão lembrado como ele e com tantos seguidores, mesmo depois de sua morte.

Sempre ouvi meu pai falar do Raul, de suas músicas e de seu jeito de ser. Ele sempre o admirou não só pelo talento, mas talvez pelo mesmo motivo que eu o admiro. Sua personalidade, sua ideologia e principalmente a coragem que teve de ser ele mesmo, num mundo onde todos somos julgados a todo momento. Com certeza, Raulzito estava muito à frente do seu tempo. Às vezes me pergunto: “se hoje ele fosse vivo, será que se adaptaria aos dias atuais?” A resposta que me vem à cabeça é sempre a mesma: “sim”. Sonhar com uma Sociedade Alternativa ou um mundo livre é o que todos buscamos, embora muitas vezes não gritemos por isso. Sei que bem lá no fundo muita gente ao deitar a cabeça no travesseiro deve se perguntar como seria.

Eu me pergunto. 😉

Raul

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Álvaro Carvalho, publicitário, estudante de teatro e apaixonado por música. Adora viajar, conhecer museus, lugares novos, comidas exóticas e todo tipo de entretenimento ligado a cultura e arte.

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