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Ex-fuzileiro está modificando a indústria de café na Colômbia

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James Cummiskey entende de mudanças. A vida do ex-fuzileiro naval e executivo mudou completamente quando ele decidiu mudar para a Colômbia há quatro anos. Com o crescimento da economia e a melhoria da estabilidade do governo, a Colômbia provou ser a aventura perfeita para a recente aposentadoria de James Cummiskey, 54 anos.

IBTimes: Como você foi parar na Colômbia?

Cummiskey: Essa é uma história interessante! Um amigo meu tinha insistindo há vários anos que eu mudasse pra cá. Ele estava convencido de que eu iria adorar. Inicialmente eu não pude por razões pessoais e familiares, mas depois que me divorciei, ele me perguntou de novo e eu disse: “com certeza, por que não?” Imediatamente me apaixonei pelo lugar.

Eu tinha viajado muito, mas de alguma forma Medellín me prendeu como nenhum outro lugar antes. É realmente tão exótica, e as pessoas são as mais incríveis do mundo. Esta é uma terra de sonhos! E há muitas oportunidades aqui.

IBTimes: Que tipo de oportunidades?

Cummiskey: A Colômbia agora é um dos melhores países do mundo para se fazer negócios. A economia está crescendo em um ritmo acelerado, a taxa de homicídios é a menor em 20 anos, e é ainda menor do que em grandes cidades dos EUA. Então este é um ambiente com um potencial incrível, pessoas incríveis, e eu simplesmente não podia abrir mão disso tudo.

IBTimes: Por que você decidiu se mudar para Medellín ao invés de Bogotá?

Cummiskey: Bem, eu sou do Alasca. O clima daqui é maravilhoso, uma eterna primavera. Bogotá faz muito mais frio. E, além disso, há algo especial em Medellín: o povo que encanta você.

IBTimes: O que fez você tentar a sorte na indústria do café?

Cummiskey: Bem, com toda a honestidade, eu não estava planejando me mudar pra cá a negócios. Minha ideia era se aposentar aqui. Mas havia a ressalva: para morar na Colômbia você precisa de um visto. E uma maneira de obter o visto é iniciar um negócio. E mesmo que o meu primeiro instinto fosse o de encontrar uma maneira diferente, à medida que conheci o país, tomei consciência da realidade da indústria do café. Eu quase não areditava que a indústria de café fosse tão escassa em quase todos os níveis! É a indústria mais ineficiente que eu já vi.

IBTimes: Como assim?

Cummiskey : Existem dois problemas principais que eu vejo na indústria. Em primeiro lugar, é que 99 por cento do café é homogeneizado, o que significa que ele é misturado. O equivalente a isso seria, vamos dizer, a indústria do vinho – que há 40 ou 50 anos era o que o café é hoje. De volta ao passado, o vinho também era misturado, mas agora a indústria chegou a um ponto de desenvolvimento no qual nós valorizamos vinhedos individuais, sem receber as uvas misturadas. Isso é o que vai acontecer com o café.

E a outra, que é o pano de fundo para a crise do setor, é que o agricultor sempre se tem prejuízo. Ele recebe a menor porcentagem dos lucros, cerca de 5 por cento.

IBTimes : Como você espera melhorar a indústria de café?

Cummiskey: Bem, para começar, nós nunca misturamos grãos de café. Temos nos esforçado para manter essa pureza, de modo que a identidade do grão seja preservada e assim vamos construir essa relação entre o consumidor e a tradição.

Nosso segundo objetivo é eliminar todos os intermediários , incluindo nós mesmos , entre o consumidor e o produtor do café, de modo que haja mais lucro para os agricultores. Em cada saco de nosso café há um código, que se conecta diretamente ao agricultor, para que o consumidor saiba exatamente de onde veio. Você até pode acessar as câmeras da fazenda em tempo real via online. Já aconteceu de estar lá na fazenda com o meu celular e receber um comentário de um cliente sobre uma determinada xícara de café, e eu sei exatamente para quem devo encaminhá-lo.

 IBTimes : Quem são seus clientes?

Cummiskey: O que torna o café tão importante é que três bilhões de pessoas no mundo o consomem. Depois da água, ele é a bebida mais consumida. Portanto, há um imenso potencial para a clientela.

Começamos vendendo o grão verde, que geralmente é enviado da Colômbia e de outros países da América Latina, África e Ásia para os países onde ele é consumido, e os grãos são torrados lá. Assim, nossos clientes iniciais são torrefadores profissionais.

Agora nós queremos diversificar para outros clientes, os consumidores. Estamos desenvolvendo nossas próprias torrefadoras. A coisa com o café é que, ao contrário do vinho, não tem nenhum sistema de pontuação, de modo que passe credibilidade para que os consumidores confiem na qualidade do café. Por isso estamos tentando criar um também.

IBTimes : Como um empreendedor de café na Colômbia, o que você acha da abertura da primeira loja da Starbucks  em Bogotá?

Cummiskey: Isso vai ser muito interessante certamente. A cafeteria Starbucks é um modelo tão bem sucedido – introduzido pelos norte-americanos para o bem da cultura do café – porque o seu produto é realmente bom! A Starbucks criou o conceito fenomenal  do “terceiro espaço”, como eles chamam suas lojas – um lugar intermediário entre sua casa e o escritório de trabalho. E vai ser interessante ver como tudo isso se conecta com o povo colombiano.

© 2014, IBTimes

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