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Uma hora oportuna para contarmos nossas histórias de liberdade

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Foto: Reprodução

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Franz Fanon nos ensinou que “cada geração deve, fora da obscuridade relativa, descobrir sua missão, cumpri-la ou traí-la”. Essas palavras proféticas de muitos anos atrás vieram a descrever a geração exposta por Nathaniel Ndazana Nakasa, mais conhecido como Nat Nakasa, que descobriu sua missão e a perseguiu.

Nakasa nasceu em tempos que a maioria das pessoas não tinha direitos e sofria opressão. Aqueles que ousavam se opor a tal sistema injusto sofriam a fúria do estado do Apartheid. Ele sabia disso, mas assim como Nelson Mandela e Bram Fischer, entre outros, dedicou sua carreira a ativamente se opor ao sistema. Como jornalista, ele compreendeu o poder da informação e usou sua caneta para mostrar ao mundo as grosseiras violações aos direitos humanos.
Ele expôs as atrocidades e a violência sistemática perpetuada contra pessoas negras. Ele escreveu sobre ser negro na África do Sul do Apartheid, questionou o status quo e lutou por uma sociedade livre.

Seu comprometimento com os princípios jornalísticos ao contar sua perspectiva não importando o custo o colocou em conflito com o governo do Apartheid, que recusou a dar a ele um passaporte quando ele foi premiado com o Nieman Fellowship pela Universidade de Harvard nos Estados Unidos e isso o tornou incapaz de retornar à África do Sul. Isso o fez sentir como um “nativo de lugar nenhum”, e ele tinha só 28 anos. Nakasa foi enterrado em Nova Iorque.
Após quase 50 anos desde que se descreveu como “nativo de lugar nenhum”, os restos de Nakasa foram trazidos de volta à África do Sul para um novo enterro, no dia 13 de setembro. Nakasa pode ter morrido, mas seus legado e contribuição à luta contra o Apartheid viverão para sempre em nossa história.

A ele será realizado um novo funeral, digno de um ícone de sua estatura, presidido pelo Presidente Jacob Zuma. Seu retorno vem em um momento oportuno, com o país celebrando 20 Anos de Liberdade, para que Nakasa sempre lutou.
Ele retorna ao país em que cada cidadão é igual e desfruta os direitos e privilégios de ser sul-africano. Sua dignidade foi restaurada e ele ficaria orgulhoso ao ver o florescimento da liberdade de expressão. Deixamos de ser um país sem voz e os sul-africanos agora podem falar livremente sobre todos os problemas que viveram durante os dias de Apartheid. Somos livres para refletir sobre os sacrifícios de nossos heróis e sobre os momentos importantes em nossa história de lutas.
Cabe a todos nós celebrar o legado de Nakasa; a história de sua vida deveria servir como lembrete das duras realidades do tempo. Sua dedicação ao revelar a verdade deveria servir como fonte de inspiração para as pessoas que buscam contar como suas próprias vidas mudaram desde o início da democracia.

Como parte de nossa comemoração dos 20 Anos de Liberdade, o Departamento de Artes e Cultura lançou uma campanha motivando todos os sul-africanos a contarem suas histórias sobre os tempos de Apartheid. Isso coincide com o Heritage Month, lançado com o tema “Celebrando 20 Anos de Democracia: Conte sua história que move a África do Sul adiante”.
A campanha dá a todos no país uma oportunidade de aprender sobre os heróis silenciosos que cumpriram um papel fundamental à liberdade da África do Sul. Também será palco para uma das maiores exibições de luta e vitória sobre a opressão, em um país renomado por suas reconciliações e plano de construção de uma nação.
O tema das histórias do Heritage Month deste ano complementa nossa riquíssima herança narrativa e nós devemos usar todos os meios de expressão – artes visuais, poesia, música, orações, ou discursos – para contar nossas histórias.
As palavras ditas por Fanon estão tão relevantes hoje como antes, muitos anos atrás; elas são um apelo, um chamado. Todos nós temos uma responsabilidade comum para construir sobre as vitórias dos últimos 20 anos. Não é uma responsabilidade exclusiva do governo; juntos, temos que assegurar que os sul-africanos movam o país adiante.

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Comecemos a contar a história sobre de onde viemos e aonde nós vamos, como consta em nossa visão para 2030. O Plano Nacional de Desenvolvimento diz que, em 2030, nós deveremos viver em um país, uma nação, onde todos sejam livres e ao mesmo tempo próximos aos outros; onde todas as pessoas atinjam seu potencial, orgulhosos de fazerem parte de uma comunidade que se importa com suas vidas.

Por Faith Muthambi

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