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Universo nerd. Do que se trata o filme “Transcedência”?

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Imagine que em seu leito de morte você tenha duas opções: arriscar suas chances com uma vida após a morte, ou permitir que os cientistas façam uma cópia de seu cérebro para a Internet, onde você estará livre para navegar para sempre, assombrar seus amigos no Facebook e assistir o que quiser na HBO Go gratuitamente.

Transcendence

Essa sua versão digital naturalmente não é a mesma que está lendo este texto. É uma duplicata que vive em um computador. O que levanta a questão: quem (ou o que) é isso? Se copiar o seu cérebro, a sua alma ou a consciência vem com ele? E o quão longe estamos dessa possibilidade?

“Transcendência” é sobre estas e outras questões relacionadas com a singularidade. Recentemente popularizada pelo futurista Ray Kurzweil, a singularidade é o momento de um futuro próximo quando a inteligência artificial – a interface cérebro-computador – a nanotecnologia ou alguma combinação destas criará uma entidade mais inteligente do que qualquer ser humano.

É uma premissa anteriormente explorada no cinema pela Skynet do Exterminador do Futuro – uma inteligência artificial que se voltou contra o seu criador – e pelo dualismo do filme Matrix. Na Transcendência, a nossa inteligência artificial vem na forma do Johnny Depp.

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Johnny Depp e Rebecca Hall estrelam como os cientistas Will e Evelyn Caster, um casal na vanguarda da neurociência. Quando a forma terrena de Will é danificada, a equipe entra em uma corrida para fazer o upload da  mente de Will antes que uma organização terrorista conhecida como Revolução da Independência De Tecnologia (RIFT, em inglês) possa puxar o plugue.

“Eu escrevi para minha esposa”, diz o roteirista Jack Paglen. Depois de ler sobre a Singularidade, a produtora Annie Marter, uma ex-executiva de estúdio, aproximou-se de Paglen com a ideia. “Queríamos fazer um filme com essa fusão entre o homem e o computador de uma forma original, inteligente e emocional”, diz Marter.

Paglen tinha em casa a inspiração: sua esposa, uma programadora que trabalha no ramo da inteligência artificial. Marter e o alto conceito de Paglen rapidamente chamaram a atenção de Wally Pfister, diretor de fotografia de longa data de Christopher Nolan, que logo assinou contrato para fazer em Transcendência sua estreia na direção.

“Houve um drama humano desdobrando-se no roteiro original de Jack”, diz Pfister, “e também a noção de uma entidade mais inteligente do que nós. Isso imediatamente faz você se levantar e prestar atenção. Nós já vimos isso na ficção científica há 50 anos, mas agora estarmos falando com Siri ou usando comandos de voz para acessar contas bancárias. Cada vez mais estamos nos comunicando com várias formas de inteligência artificial”.

Essa inteligência não é completamente artificial. O upload de um ser humano é a principal diferença entre as lulas sinistras de Matrix e o avatar online de Depp, que se apresenta como um humano de certa forma.

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“Esta é uma inteligência biológica, real que é copiada e transferida para uma máquina”, diz Pfister.

Quando isso vai acontecer? Por um lado, a previsão de avanços tecnológicos é arriscada. E o mais importante: não temos nem sequer a certeza do que a consciência realmente seja.

É desta relação escorregadia com a tecnologia e como isso afeta a nossa consciência que precisamos nos proteger. Ela cria uma questão central na transcendência, à medida que o público deve decidir quem está certo: os luditas ou aqueles que seriam Deus?

Ao ser perguntado o que faria caso se deparasse com esse cenário no leito de morte, Paglen responde: “Eu não sei. Acho que teria que falar com a minha esposa”.

Por Chris Kaye

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© 2014, IBTimes.

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