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Uso contínuo do aparelho auditivo facilita adaptação em idosos

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Foto: Reprodução

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Um aparelho auditivo pode transformar para melhor a vida de idosos que têm a audição prejudicada. Apesar de parecerem óbvios os benefícios que esse tipo de aparelho traz a quem já não consegue ouvir perfeitamente, quem usa ou conhece alguém que usa aparelhos auditivos sabe que existem muitos casos de resistência a esse equipamento. “Isso acontece porque não basta colocar o aparelho para voltar a ouvir. Quem ouve é o ouvido, mas quem processa o som ouvido e faz com que este seja entendido é o cérebro”, explica Roberta Alves de Oliveira fonoaudióloga, Mestre em neurociências e responsável pelo departamento de Expansão da Direito de Ouvir Amplifon Brasil.

Segundo a especialista, é o cérebro que precisa de um tempo para se readaptar a esse processo. “O aparelho auditivo tem um uso terapêutico: quanto mais tempo é utilizado e quanto melhor é aceito pelo paciente, melhor e mais rápida será a adaptação a ele”, detalha. Nas unidades da Direito de Ouvir Amplifon Brasil – especializada em venda, manutenção e suporte técnico de várias marcas de aparelhos auditivos, pilhas e outros acessórios – são atendidos diversos idosos que, ao consultarem-se com o fonoaudiólogo, entendem que somente essa adaptação atingirá o objetivo do uso do aparelho .
A especialista explica que, quando o paciente vai ao consultório com a recomendação médica de um aparelho auditivo, cabe ao profissional que o atende informar que não basta colocar um aparelho para voltar a ouvir. É o cérebro que precisa reaprender a diferenciar e decodificar os sons, a discernir o que está longe e o que está perto e a identificar as diversas camadas de profundidade de cada som. O processo é semelhante àquele pelo qual passa quem usa óculos: muitas vezes, quando acontece o aumento do grau, a pessoa olha para o chão e perde a noção de profundidade, acaba tropeçando e se atrapalhando um pouco nos primeiros momentos. Mas, assim como acontece com os óculos, esse incômodo causado pelo uso do aparelho auditivo é passageiro. “E com uma vantagem em relação aos óculos: nós podemos fazer ajustes para adequar o que mais incomoda a cada paciente”, assegura a fonoaudióloga, referindo-se às regulagens constantes pelos quais o aparelho auditivo pode passar.
Como a adaptação ao aparelho auditivo passa pela “reeducação” do cérebro, que precisa reaprender a decodificar o som que chega por meio do “novo” ouvido,  a melhor maneira de tornar esse processo mais rápido e fácil é usar continuamente o aparelho. “Como, para o idoso, era normal não ouvir até que o aparelho fosse colocado, muitas vezes é mais confortável deixar o aparelho de lado do que se adaptar a ele. Mas se ele não persistir, nunca poderá usufruir dos benefícios que o aparelho traz”, pondera a especialista.
É preciso que os familiares tenham paciência com o idoso durante esse período de adaptação. “A família tem que acreditar na capacidade do paciente em reaprender a diferenciar os sons, entender melhor o que lhe é dito e voltar aos hábitos que tinha antes de perder a audição, respeitando seu tempo”, ressalta a fonoaudióloga.
O próprio idoso também precisa ter consciência da importância de persistir e ser paciente até que o cérebro se readapte. Determinação, esforço e dedicação são as palavras-chave para o sucesso do tratamento. No início, ambientes com muitos ruídos diferentes podem atrapalhar, pois o cérebro ainda não consegue discernir cada som. Mas, com o passar do tempo, o paciente se acostuma a prestar atenção apenas naquilo que deseja.
Quanto mais o aparelho for usado, mais rápida será a adaptação. Por isso, o ideal é utilizá-lo em todos os momentos, durante todo o dia. Roberta afirma que, muitas vezes, já durante a primeira semana, o paciente já se adapta. Mas, no caso daqueles que são resistentes ao tratamento, a adaptação pode ser muito longa e levar meses. O segredo, diz ela, é estar aberto aos benefícios que o aparelho pode trazer.
Outro complicador, lembra a especialista, é quando o paciente teve uma perda auditiva e demorou para colocar o aparelho. “É comum que as pessoas não admitam que precisam de aparelho auditivo, pois ligam esse equipamento à velhice. Mas, quanto mais tempo a pessoa demorar para colocar o aparelho, mais tempo o cérebro vai demorar para se readaptar e voltar a decodificar os sons normalmente”, pondera. Por isso, recomenda, ao primeiro sinal de perda auditiva, é importante procurar um médico para realizar um diagnóstico preciso do problema, a fim de corrigi-lo o quanto antes.
De volta à rotina – Mesmo quando o paciente é idoso – acima dos 60 anos – o aparelho auditivo tem a capacidade de devolvê-lo à rotina. Ele sai do isolamento – perder o contato com as pessoas é uma tendência de quem não consegue ouvir – e torna-se mais dinâmico e sociável. Irritabilidade e desânimo até mesmo para executar as tarefas mais simples do cotidiano são outros problemas que desaparecem quando o paciente volta a ouvir. Os pacientes voltam a ter uma vida produtiva e a se sociabilizar.
A fonoaudióloga lembra que a autoestima também melhora, já que eles voltam a se sentir respeitados. Isso ocorre porque, quando a família percebe que o idoso já não consegue ouvir perfeitamente, tende a começar a falar mais alto, para que ele entenda o que os outros querem dizer. E, como é muito difícil aumentar o volume da voz com um tom carinhoso, é normal que as pessoas comecem a gritar, mostrando impaciência por não serem compreendidas. Quando o idoso coloca um aparelho auditivo, volta a ser respeitado, pois passam a moderar o tom de voz ao se dirigir a ele.
Para facilitar essa adaptação, o profissional de fonoaudiologia deve fazer um diagnóstico profundo e individualizado de cada caso, avaliando a rotina e as necessidades de cada paciente. Assim, será mais fácil entender o que o paciente quer e precisa, o que ajuda na adaptação ao aparelho.

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