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iNeeds Systems instala em Alegre (ES) primeira estação multissensorial de prevenção a deslizamentos de terra da América Latina

Patente EEAMDT é a evolução do sistema Cidade Viva, que já salvou vidas em Petrópolis (RJ) e Pindamonhangaba (SP). Espírito Santo torna-se pioneiro mundial em solução que será testada no próximo verão sob o super El Niño e tem expansão prevista para Rio de Janeiro e Paraná

A cidade de Alegre, no sul do Espírito Santo, recebeu nesta semana a segunda visita de implantação inédita da Estação Especial de Alertas e Monitoramento a Deslizamento de Terras (EEAMDT), patente exclusiva da iNeeds Systems e classificada como a primeira tecnologia multissensorial de prevenção a desastres geotécnicos da América Latina. O projeto é viabilizado pela parceria entre a Prefeitura Municipal de Alegre, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Espírito Santo (Secti-ES) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), e marca o início da fase de campo de um projeto que coloca o Espírito Santo na vanguarda mundial da resiliência climática urbana.

A iniciativa responde a uma demanda cada vez mais urgente no Brasil. Eventos climáticos extremos vêm se intensificando em frequência e severidade nas últimas décadas, e os deslizamentos de terra figuram entre os desastres naturais mais letais do país, com impacto direto sobre comunidades urbanas instaladas em áreas de encosta. A EEAMDT foi concebida para enfrentar essa realidade por meio da antecipação, oferecendo às Defesas Civis e ao poder público uma camada de inteligência subterrânea capaz de detectar movimentações de terra antes que se convertam em tragédia.

Evolução comprovada em campo

A EEAMDT é a versão mais atualizada da plataforma iNeeds Cidade Viva, sistema que já contribuiu para salvar vidas em ocorrências reais de desastres geotécnicos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 2022, e em Pindamonhangaba, em São Paulo, em 2024. Ambos os episódios figuram entre os mais críticos da história recente da Defesa Civil brasileira, e a atuação da tecnologia em campo nesses cenários consolidou o histórico operacional que sustenta a nova patente.

A nova geração do sistema incorpora atualizações estruturais profundas. O destaque é uma rede de sensores subterrâneos instalados a até três metros de profundidade, capazes de captar simultaneamente sinais vitais do solo: umidade, pluviometria, vibração e sons. A leitura combinada desses parâmetros permite a construção de um diagnóstico preciso sobre o comportamento da encosta em tempo real, identificando padrões anômalos que precedem rupturas geotécnicas. Os dados são transmitidos para uma plataforma de processamento em nuvem, viabilizando o envio antecipado de alertas a equipes de resposta e à população.

Articulação institucional nas três esferas

A operação reúne participação ostensiva de órgãos de controle nas  esferas de governo. As Defesas Civis estadual e municipal atuam diretamente em campo, oferecendo suporte logístico e validando os protocolos operacionais que serão acionados em situações reais de alerta. Na esfera federal, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) vem somar com  colaboração na modelagem dos limiares de alerta configurados ao sistema, parte está que caso o Cemaden não possa atuar por limitações de tempo de projeto é fundamental em todas as etapas a participação da defesa civil estadual em conjunto com a municipal no processo técnico que define os parâmetros a partir dos quais um sinal coletado em campo se converte em notificação oficial de risco.

A modelagem técnica conta ainda com mensuração da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), por meio de geólogos que acompanham a instalação e validam as leituras do sistema em relação às características geomorfológicas locais. A integração entre o conhecimento acadêmico, a operação técnica da iNeeds Systems e a experiência das Defesas Civis constitui um modelo de governança que pode ser replicado em outras regiões do país.

Alegre, cidade-piloto com histórico de risco

A escolha de Alegre como município-piloto considera o histórico de risco da região. Em 2022, uma corrida de lama originada no mesmo morro onde está sendo instalada a estação foi pauta do Jornal Nacional, em episódio que mobilizou autoridades estaduais e federais. A encosta, situada em bairro densamente povoado, apresenta cicatrizes de erosão, ravinas e voçorocas, todas elas indicadores geotécnicos de instabilidade ativa.

A instrumentação da área transforma o que antes era um ponto cego em um território monitorado, com leituras contínuas que alimentam um banco de dados público destinado a respaldar decisões de proteção civil. O projeto completo para o morro do Guararema o primeiro do Brasil a receber a tecnologia e para 8 estações EEAMDT Ineeds, neste inicio por condições orçamentárias se optou por iniciar com 02 pontos de análise.

O projeto que iniciou em Dezembro de 2025 tem duração de 01 ano nesta primeira etapa com final previsto para Dezembro de 2026, e tema estratégico da gestão do governador Ricardo Ferraco e dos secretários de estado Bruno Lamas e Jales Cardoso, que tem na resiliência climática e prevenção de desastres uma grande bandeira e investimento em inovação e pesquisa para esta finalidade é considerada fundamental para o futuro dos capixabas.

Capacidade técnica diferenciada

Um dos diferenciais centrais da tecnologia é a capacidade de captar e processar sinais complexos em áreas praticamente remotas, viabilizando o monitoramento contínuo em territórios de difícil acesso e baixa infraestrutura de telecomunicações. Essa característica amplia significativamente o alcance da solução, permitindo sua implantação em regiões historicamente desassistidas por sistemas de alerta. A robustez do sistema foi atestada nesta primeira semana de campo, em que os testes preliminares e a transmissão de dados para a nuvem foram validados com sucesso, mesmo sob condições climáticas adversas que obrigaram a interrupção temporária da instalação para retomada com janela meteorológica favorável.

A expectativa técnica é de que o sistema seja submetido a teste de estresse já no próximo verão, em razão da previsão de ocorrência do super El Niño, fenômeno climático associado ao aumento significativo da intensidade de chuvas no Sudeste brasileiro. A performance da estação durante esse ciclo será determinante para a consolidação do modelo e para a velocidade de expansão da tecnologia.

Expansão nacional em duas frentes

Com a validação operacional da estação, a expansão da tecnologia está prevista em duas frentes complementares. No próprio Espírito Santo, pioneiro mundial na solução, a ampliação para outros municípios deve ocorrer entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, com mapeamento de áreas prioritárias conduzido em conjunto com a Secti-ES e a Defesa Civil estadual.

Em paralelo, encontram-se em tratativas avançadas o Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), e o Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Inovação (SEIA) e da Defesa Civil estadual, para implantação da fase de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do sistema. A formalização e o lançamento das operações nesses dois estados estão previstos até agosto de 2026, em movimento que consolidará a EEAMDT como referência nacional em prevenção de desastres geotécnicos.

Infraestrutura complementar

Paralelamente à instalação da EEAMDT, a iNeeds Systems conduz em Alegre os estudos para implantação da Rede LoRa regional, infraestrutura de comunicação de longo alcance e baixo consumo energético que dará suporte ao monitoramento de rios e à expansão da estratégia de cidade inteligente no município. A integração entre as duas iniciativas amplia o escopo da plataforma iNeeds Cidade Viva no território capixaba, agregando ao monitoramento de encostas uma camada adicional de inteligência hidrológica.

A iniciativa de Alegre com liderança do prefeito Nirro Emerick se insere em um movimento mais amplo de adaptação climática conduzido em parceria com Governo do Espírito Santo, que tem investido sistematicamente em ciência, tecnologia e inovação como vetores de proteção à vida e de fortalecimento da infraestrutura pública. A combinação entre patente nacional, parceria institucional consolidada e validação científica universitária posiciona o estado como protagonista de uma agenda que ultrapassa fronteiras e oferece ao mundo uma resposta brasileira concreta aos desafios da era climática.

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